Hospital na Bahia realiza 500 colonoscopias em mutirão contra câncer colorretal
Iniciativa no Hospital Regional da Chapada, em Seabra, visa detectar precocemente a doença e reforçar a prevenção.
O Hospital Regional da Chapada, em Seabra (BA), realiza um dos maiores mutirões do país para o rastreamento de câncer colorretal. Iniciado neste domingo (1º), a ação prevê 500 colonoscopias e envolve mais de 200 profissionais até 6 de março. A iniciativa faz parte da campanha Março Azul, dedicada à conscientização e prevenção desta neoplasia.
A ação é uma parceria entre a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). O objetivo principal é a detecção precoce do câncer colorretal, aumentando significativamente as chances de cura e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
A Estratégia do Rastreamento e Parcerias
A estratégia para o mutirão de rastreamento do câncer colorretal começou antes mesmo dos procedimentos endoscópicos. A população da região, com idades entre 45 e 70 anos, foi submetida ao exame FIT (teste imunológico fecal). Este teste simples é utilizado para detectar sangue oculto nas fezes, um dos primeiros sinais de alerta para lesões no cólon e reto.
Para viabilizar essa triagem inicial, mais de 8 mil kits de coleta foram distribuídos. Os resultados positivos do exame FIT foram encaminhados para uma triagem mais aprofundada, culminando na indicação para a realização da colonoscopia durante o mutirão. Essa abordagem em duas etapas otimiza os recursos e direciona o procedimento invasivo apenas para pacientes com maior risco.
O subsecretário da Saúde do Estado, Paulo Barbosa, que acompanhou a ação, enfatizou a importância da iniciativa. “Além da conscientização, temos uma ação concreta na identificação de casos de câncer colorretal ou de lesões suspeitas”, pontuou. Segundo ele, o engajamento da comunidade e a colaboração entre as entidades são fundamentais para o sucesso de campanhas de saúde pública de grande porte.
Tecnologia e Equipe Reforçada para o Mutirão
Durante os seis dias da campanha, o Hospital Regional da Chapada opera com uma estrutura reforçada. Foram instaladas seis torres de vídeo de alta definição, cada uma equipada com três aparelhos de colonoscopia. Isso totaliza 18 equipamentos funcionando simultaneamente, permitindo a realização de um grande volume de exames em um curto período.
Além da infraestrutura tecnológica, o mutirão conta com bisturis elétricos de tecnologia alemã, dedicados exclusivamente aos procedimentos. Esses equipamentos garantem maior precisão e segurança durante as colonoscopias, especialmente na remoção de pólipos ou lesões suspeitas. A equipe mobilizada é composta por mais de 200 profissionais de saúde e voluntários de todo o Brasil, incluindo 70 médicos especialistas em endoscopia digestiva e coloproctologia.
Todo o material coletado durante as colonoscopias é encaminhado para análise histopatológica. Este processo é crucial para confirmar diagnósticos e determinar a natureza das lesões. Pacientes com diagnóstico de doença avançada, indicação cirúrgica ou necessidade de acompanhamento especializado são direcionados para hospitais de referência, garantindo a continuidade do tratamento adequado.
Impacto e Legado na Prevenção do Câncer Colorretal
A iniciativa não apenas oferece assistência direta à população, mas também deixa um importante legado científico e educacional. Estudantes de medicina auxiliam na coleta de dados, que serão utilizados para a produção de trabalhos científicos. Essa abordagem contribui para o avanço do conhecimento na área e para a formação de futuros profissionais de saúde.
À noite, a programação do mutirão inclui seminários e palestras voltados à população em geral, agentes comunitários de saúde e médicos da região. Essas atividades educativas ampliam o alcance da informação sobre o câncer colorretal, fortalecendo as ações de prevenção e a importância do diagnóstico precoce em longo prazo.
Tânia Regina de Oliveira, moradora de Ibicoara e uma das beneficiadas, expressou sua satisfação. “Tinha indicação para fazer o exame. Esse mutirão facilitou, pois consegui fazer em um menor tempo. Cuidar da saúde é muito importante para que consiga viver mais e melhor”, afirmou. Seu depoimento reflete o impacto positivo da campanha na vida dos cidadãos.
Eduardo Guimarães, presidente da Sobed, reforçou a importância da colaboração. “É impossível fazer qualquer ação dessa sem a parceria com o Estado e o Município. Contamos com o trabalho dos agentes comunitários de saúde e também de toda equipe do hospital. Essa é a ação que tem dado maior resultado no rastreamento do câncer colorretal”, explicou. Ele destacou que a campanha consegue identificar pacientes com lesões iniciais que poderiam evoluir para um câncer.
Dados Preocupantes e a Importância do Diagnóstico Precoce
Os números sobre o câncer colorretal na Bahia e no Brasil são alarmantes. De acordo com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, em 2025, a Bahia registrou 1.184 óbitos pela doença, e em 2024, foram 1.204 mortes. A neoplasia também foi responsável por 3.538 internações em 2025 e 3.520 em 2024 no estado.
Nacionalmente, a mortalidade por câncer colorretal deve crescer 36,3% nos próximos 15 anos, segundo o 9º volume do boletim da Fundação do Câncer. As projeções indicam um aumento de óbitos de 35% entre os homens e 37,63% entre as mulheres até 2040. Esses dados reforçam a urgência de campanhas de rastreamento e prevenção em todo o país.
Apesar dos números expressivos, o diagnóstico precoce altera significativamente esse cenário. Quando identificado em fase inicial, o câncer colorretal apresenta uma taxa de cura superior a 90%. Isso sublinha a relevância de iniciativas como o mutirão em Seabra, que buscam identificar a doença antes que ela se torne avançada e mais difícil de tratar. A prevenção e o rastreamento são as ferramentas mais eficazes para combater o avanço dessa grave doença.
Perguntas Frequentes
O que é o câncer colorretal?
É um tipo de câncer que afeta o cólon (intestino grosso) e o reto. Geralmente, começa como pólipos (pequenas lesões benignas) que podem se transformar em câncer ao longo do tempo.
Quais são os principais métodos de rastreamento do câncer colorretal?
Os principais métodos incluem o exame FIT (teste imunológico fecal) para detectar sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, que permite visualizar o interior do intestino e remover pólipos.
Quem deve fazer o rastreamento do câncer colorretal?
Pessoas com idade entre 45 e 75 anos, mesmo sem sintomas, devem conversar com um médico sobre o rastreamento. Indivíduos com histórico familiar da doença ou outros fatores de risco podem precisar iniciar o rastreamento mais cedo.




