Rastreamento câncer colorretal na Bahia prevê 500 exames em mutirão
Hospital Regional da Chapada, em Seabra, se torna o epicentro de uma das maiores mobilizações do país contra o câncer de intestino.
O Hospital Regional da Chapada (HRC), em Seabra, Bahia, sedia de 1 a 6 de março um dos maiores mutirões de rastreamento câncer colorretal do Brasil. A iniciativa mobiliza mais de 200 profissionais de saúde, incluindo 70 médicos especialistas, para realizar centenas de exames de colonoscopia na região. A ação visa a detecção precoce da doença e a ampliação do acesso ao diagnóstico.
A campanha, integrada ao Março Azul 2026, foca na população com idade entre 45 e 70 anos. Pacientes previamente identificados com resultados positivos no exame FIT (teste imunológico fecal), que detecta sangue oculto nas fezes, são encaminhados para a triagem e, posteriormente, para a colonoscopia. A previsão é que entre 400 e 500 exames sejam realizados durante o período do mutirão. Mais de 8 mil kits de coleta foram distribuídos para viabilizar a triagem inicial.
Como funciona o rastreamento câncer colorretal
A estratégia de rastreamento câncer colorretal começa com a distribuição de kits para o exame FIT, um método não invasivo que analisa a presença de sangue nas fezes, um dos primeiros sinais da doença. Os indivíduos com resultados alterados são então convocados para uma avaliação mais aprofundada. Este processo de triagem é crucial para otimizar os recursos e direcionar os exames de colonoscopia para quem realmente necessita.
Durante os seis dias de mobilização, o HRC contará com uma estrutura reforçada para atender à demanda. Seis torres de vídeo de alta definição, cada uma equipada com três aparelhos de colonoscopia, totalizarão 18 equipamentos funcionando simultaneamente. Bisturis elétricos de tecnologia alemã, dedicados exclusivamente aos procedimentos, garantem maior precisão e segurança. Todo o material coletado é enviado para análise histopatológica. Casos que demandem cirurgia, acompanhamento especializado ou apresentem doença avançada são encaminhados para hospitais de referência na Bahia. Equipes de suporte e a UTI do hospital estão preparadas para eventualidades.
Estrutura e apoio ao mutirão
A escolha de Seabra como sede da mobilização não foi aleatória. Victor Rossi, gastroenterologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva na Bahia, destacou a capacidade estrutural do Hospital Regional da Chapada. Segundo ele, o hospital já possuía uma infraestrutura montada, facilitando a organização de uma campanha desse porte. A cidade de Seabra, considerada a “capital da Chapada”, possui cerca de 50 mil habitantes e oferece o suporte necessário para uma ação tão abrangente.
O mutirão conta com o apoio da Prefeitura de Seabra, da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e do Governo do Estado da Bahia. Essa articulação interinstitucional é fundamental para a viabilização da campanha, que mobiliza recursos humanos e materiais significativos. A Fundação Fabamed, gestora do HRC, também é uma das principais parceiras na organização e execução da iniciativa.
A importância do diagnóstico precoce e legado científico
O Março Azul, campanha que motiva o rastreamento câncer colorretal, surgiu há uma década impulsionado pela crescente incidência da doença no Brasil. Conforme Sylon Ribeiro de Britto Júnior, gastroenterologista e especialista em endoscopia digestiva, o câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum no mundo e o segundo que mais causa mortes. A presença de 70 médicos de diversas partes do Brasil em Seabra reforça a magnitude e a importância da ação para a saúde pública.
Além da assistência direta à população, o mutirão também gera um legado científico e educacional. Estudantes de medicina participam da coleta de dados, contribuindo para a produção de trabalhos científicos. À noite, seminários são realizados para a população, agentes comunitários de saúde e médicos locais, ampliando o conhecimento sobre a prevenção e o tratamento da doença.
Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica indicam que o câncer colorretal causa aproximadamente 900 mil mortes por ano globalmente, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. No Brasil, a doença é o segundo câncer mais comum entre homens e mulheres, com 45.630 novos casos anuais. Projeções da Fundação do Câncer apontam para um aumento de 36,3% na mortalidade por câncer colorretal nos próximos 15 anos no país. No entanto, o diagnóstico precoce é um fator decisivo: quando identificado em fase inicial, a taxa de cura do câncer colorretal pode superar 90%. Iniciativas como o mutirão de rastreamento em Seabra são, portanto, cruciais para reverter esse cenário e salvar vidas.
Perguntas Frequentes
Qual é o objetivo principal do mutirão em Seabra?
O objetivo principal é realizar o rastreamento câncer colorretal e o diagnóstico precoce da doença em pessoas de 45 a 70 anos, utilizando exames como o FIT e a colonoscopia.
Quantos exames de colonoscopia serão realizados durante a ação?
A previsão é que sejam realizados entre 400 e 500 exames de colonoscopia durante os seis dias do mutirão.
O que acontece se for detectada uma doença avançada?
Pacientes com diagnóstico de doença avançada, indicação cirúrgica ou necessidade de acompanhamento especializado serão direcionados a hospitais de referência para tratamento adequado.




