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Milhares de mulheres protestam em SP por fim da violência e escala 6×1

Ato do Dia Internacional da Mulher na capital paulista reuniu milhares de pessoas em defesa de direitos e contra a violência de gênero.

Em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, milhares de mulheres realizaram um protesto em São Paulo, na Avenida Paulista, exigindo o fim da violência de gênero e da escala de trabalho 6×1, mesmo sob forte chuva. As manifestantes marcharam do coração da capital paulista até a Praça Roosevelt, unindo vozes por pautas sociais e trabalhistas. O ato ocorreu simultaneamente em diversas cidades brasileiras, reforçando a mobilização nacional.

“Ô abre alas, que as mulheres vão passar. Com esta marcha muitas coisas vão mudar”, cantavam as participantes, que carregavam sombrinhas e faixas com mensagens pela garantia de direitos. A chuva intensa fez com que algumas mulheres se abrigassem sob o vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), mas não impediu a continuidade das manifestações.

Luta Contra a Violência e o Feminicídio

O combate efetivo ao feminicídio e à violência contra a mulher como um todo foi uma das pautas centrais do protesto de mulheres em São Paulo. Alice Ferreira, fundadora e coordenadora do Levante Mulheres Vivas, enfatizou a necessidade de ações concretas. “Não basta só pacto, palavras, nota de apoio, a gente quer orçamento público e medidas efetivas”, afirmou Ferreira. Ela criticou a falta de avanço nessas políticas em todas as esferas de governo: executivo, judiciário e legislativo.

Dados alarmantes reforçam a urgência dessas demandas. Somente no estado de São Paulo, 270 mulheres foram mortas em 2025, um aumento de 96,4% em comparação com 2021. Esse número representa um recorde de feminicídios desde o início da série histórica em 2018, evidenciando a escalada da violência.

Durante o ato, foram realizadas intervenções simbólicas para conscientizar a população. Uma delas consistiu na instalação de diversos sapatos femininos ao longo da Avenida Paulista, representando as vítimas de feminicídio no país. Outra instalação, com bonecas, foi posicionada em frente ao Fórum Pedro Lessa, denunciando o sofrimento de crianças afetadas pela misoginia. A referência foi feita ao caso de um desembargador que absolveu um homem acusado de estuprar uma menina de 12 anos em Minas Gerais.

A coordenadora do Levante Mulheres Vivas também destacou a importância da aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional. Esse projeto visa tipificar a misoginia, definida como conduta de ódio contra as mulheres, como crime. “Enquanto o discurso feminista é boicotado pelas big techs, o discurso red pill [movimento de homens que usam a internet para promover discursos misóginos] é impulsionado. Então, criminalizar é o primeiro passo para começarmos a reverter essa lógica”, explicou Alice Ferreira.

Fim da Escala 6×1 e Direitos Trabalhistas

Além da violência e do feminicídio, as mulheres também ergueram suas vozes contra o fim da escala de trabalho 6×1. A pauta incluiu a defesa da redução da jornada de trabalho, o combate à violência política e o enfrentamento ao extremismo que busca controlar corpos e vozes femininas. Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo, ressaltou a abrangência das reivindicações. “O mote de São Paulo é pela vida das mulheres, pelo fim da escala 6 por 1 e em defesa da soberania e autodeterminação dos povos”, declarou.

Em entrevista à Agência Brasil, Bife defendeu que o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho são cruciais para as mulheres. Ela destacou que muitas são as principais responsáveis pelo cuidado e pela renda de suas famílias. “A mulher tem uma escala 7 por 0. Então hoje, para a mulher trabalhadora, o fim da escala 6×1 resulta não só em um período de descanso e autocuidado, mas também para ela decidir como quer estar no mundo”, argumentou.

A ativista reforçou que problemas como a violência contra as mulheres e a falta de garantia de direitos devem ser combatidos com políticas públicas robustas. “Tem que ser uma pauta permanente de defesa da vida das mulheres. E para isso são necessárias políticas públicas, que independem dos governos. A gente tem que ter firmes as políticas públicas e sociais que se destinam ao combate das violências contra as mulheres e as meninas”, concluiu. O ato, intitulado “Em Defesa da Vida das Mulheres”, contou com a participação de diversos movimentos sociais e sindicais. Entre eles, a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Perguntas Frequentes

O que foi o protesto de mulheres em São Paulo?

Foi uma manifestação realizada no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, na Avenida Paulista, em São Paulo. Milhares de mulheres se reuniram para defender direitos e protestar contra a violência de gênero e a escala de trabalho 6×1.

Quais são as principais demandas do movimento?

As principais demandas incluem o fim da violência contra as mulheres e do feminicídio, a criminalização da misoginia, o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada de trabalho, além da implementação de políticas públicas efetivas para a garantia dos direitos das mulheres.

Quantos casos de feminicídio foram registrados em São Paulo?

O estado de São Paulo registrou 270 feminicídios em 2025. Esse número representa um aumento de 96,4% em comparação com 2021 e é um recorde desde o início da série histórica em 2018.


8 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Elaine Patrícia Cruz/ABr|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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