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Estudo aponta que 95% dos projetos de IA não entregam valor econômico

Em evento na Alemanha, especialistas debatem os desafios da inteligência artificial nas empresas e o potencial do Brasil na área.

95% dos Projetos de IA Falham em Gerar Valor para Empresas, Aponta Estudo

Especialistas alertam que a inteligência artificial (IA) não tem gerado o valor esperado para a maioria das empresas, com 95% dos projetos de IA falhando em entregar retorno econômico. A constatação foi feita durante um painel na Alemanha.

Apesar do entusiasmo generalizado e das altas expectativas em torno da inteligência artificial, a tecnologia ainda não se consolidou como uma ferramenta eficaz para alavancar a produção e os resultados financeiros das empresas que a implementam. Essa é a visão de Norbert Jung, diretor-executivo da Bosch Connected Industry, o braço de tecnologia da renomada multinacional alemã Bosch.

Jung destacou que, embora haja uma grande “empolgação e esperança de que a IA possa resolver muitas das nossas questões”, a realidade é que “todo mundo ainda está meio que na fase piloto”. Ele reforçou a preocupação, afirmando que “noventa e cinco por cento dos projetos de IA não entregam valor econômico hoje”. A declaração ressoa com descobertas recentes e levanta um alerta sobre a forma como as empresas estão abordando a integração da IA em suas operações.

A análise de Jung encontra respaldo em um estudo recente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), uma das universidades mais prestigiadas do mundo. O relatório “O Estado da IA nos Negócios em 2025” revela um cenário surpreendente: apesar dos investimentos empresariais em IA generativa somarem entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões, 95% das organizações estão obtendo retorno zero. Esse dado sublinha a urgência de repensar as estratégias de implementação da inteligência artificial.

Desafios e o Valor dos Projetos de IA

Para o diretor da Bosch, um dos principais entraves para a IA gerar valor está no excesso de informação. Ele descreveu o cenário como desafiador: “Temos cada vez mais dados, mas isso não parece produzir muito mais valor a partir desses dados”. A declaração foi proferida em um painel sobre IA, parte de um evento preparatório para a Hannover Messe, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo. O evento ocorrerá de 20 a 24 de abril na cidade de Hannover, no Norte da Alemanha.

Ao discutir caminhos para que a IA agregue mais valor às empresas industriais, Norbert Jung enfatiza a importância da integração com o conhecimento humano. “A resposta está em trazer IA, máquinas e humanos juntos em uma forma de cointeligência na manufatura”, explicou. Ele também mencionou a “industrialização da IA generativa” como um passo crucial para transformar o potencial da tecnologia em resultados tangíveis. Essa abordagem sugere que a colaboração entre humanos e máquinas é essencial para otimizar os projetos de IA e garantir que eles não fiquem apenas na fase experimental.

Hannover Messe e o Papel do Brasil

A edição deste ano da Hannover Messe terá o Brasil como país homenageado, um reconhecimento significativo para a crescente capacidade tecnológica nacional. Além de debates sobre robôs e inteligência artificial, a feira apresentará inovações em digitalização, automação, descarbonização e energia limpa. A presença confirmada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do chanceler alemão Friedrich Merz destaca a importância diplomática e econômica do evento.

A escolha do Brasil como país homenageado reflete a percepção internacional sobre o potencial inovador do país. Com um espaço privilegiado de 2,7 mil metros quadrados em pavilhões próprios, o Brasil terá a oportunidade de demonstrar suas capacidades e atrair investimentos. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, está organizando a participação de 140 expositores brasileiros e uma delegação composta por 300 empresas.

Robótica e o Potencial da IA Física

Sven Parusel, chefe do departamento de pesquisa da empresa de robótica Agile Robots, oferece uma perspectiva complementar, afirmando que a IA começa a “ganhar vida” por meio dos robôs. “Estamos vendo a IA sair das telas e entrar nos espaços de manufatura [industriais], especialmente quando falamos de IA física, trazendo robôs e máquinas físicas junto com as capacidades de IA”, pontuou.

Desde 2018, a empresa alemã Agile Robots tem desenvolvido braços e mãos robóticas, sistemas móveis e até robôs humanoides. Parusel ressaltou a importância da sinergia entre esses componentes: “Para nós é muito importante que todos esses componentes se juntem, trazendo IA para todos eles e também para a própria fábrica”. Como exemplo prático, ele revelou que a Agile desenvolveu um sistema de montagem de caixa de câmbio com dois braços robóticos controlados por IA. Esse sistema utiliza a inteligência artificial para controle e visão computacional para detectar objetos, demonstrando benefícios claros como “produção mais rápida, mais flexível e mais fácil de configurar”.

O potencial brasileiro na área de IA é um dos destaques na Hannover Messe. Em entrevista à Agência Brasil, Márcia Nejaim, representante regional da ApexBrasil, expressou otimismo sobre o futuro do país no setor. “A gente tem total condições, assim como a gente já, inclusive, estabeleceu tendência em uso de outras tecnologias em um passado muito lá atrás de linguagens de computação e tal”, afirmou. Ela citou instituições brasileiras como o instituto de pesquisa Eldorado e as empresas Fu2re e Stefanini como exemplos de expoentes em IA. “O Brasil hoje tem gente trabalhando com tecnologia que não fica atrás, muita gente de fora vem contratar gente no Brasil”, reforçou Nejaim, indicando que o país pode se tornar um protagonista global em inteligência artificial, desde que os projetos de IA sejam bem direcionados e focados em geração de valor real.

Perguntas Frequentes

1. Qual o principal problema dos projetos de IA nas empresas hoje?
O principal problema é que 95% dos projetos de IA não entregam valor econômico, apesar dos grandes investimentos, como apontado por Norbert Jung da Bosch e um estudo do MIT.

2. Como a IA pode agregar mais valor às empresas, segundo especialistas?
Especialistas sugerem que a IA deve ser integrada ao conhecimento humano em uma “cointeligência” na manufatura, combinando máquinas e pessoas para otimizar os resultados.

3. Qual o papel do Brasil na discussão sobre IA e tecnologia?
O Brasil será o país homenageado na Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, destacando seu potencial para ser protagonista na área de IA, com a participação de mais de 140 expositores.


9 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Hannover Messe/Divulgação|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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