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Poupança atrai R$ 2,6 bilhões em maio e inverte fluxo de dinheiro.

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 09/06/2026 às 15:43
Poupança atrai R$ 2,6 bilhões em maio e inverte fluxo de dinheiro.
Reprodução / Divulgação
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Última Atualização: 09 de junho de 2026, às 15:43

A caderneta de poupança registrou uma entrada líquida de R$ 2,6 bilhões em maio, marcando a primeira vez neste ano que os depósitos superaram os saques. O Banco Central (BC) divulgou o relatório nesta terça-feira (9), indicando uma reversão na tendência de retiradas que prevalecia nos últimos anos, impactando a economia.

No mês passado, os brasileiros aplicaram um total de R$ 368,4 bilhões na caderneta, enquanto os saques somaram R$ 365,8 bilhões. Além disso, os rendimentos creditados nas contas de poupança alcançaram R$ 6,2 bilhões, contribuindo para que o saldo total da aplicação no país ultrapassasse a marca de R$ 1 trilhão.

Entenda a Entrada Líquida da Poupança

A entrada líquida ocorre quando o volume de depósitos em uma aplicação financeira supera o volume de retiradas em um determinado período. No caso da poupança, esse movimento é um indicador da confiança do poupador e das condições econômicas que influenciam a decisão de guardar dinheiro.

Historicamente, a caderneta de poupança tem sido o investimento mais popular entre os brasileiros, pela sua simplicidade e segurança. Contudo, nos últimos anos, o cenário tem sido de mais saques do que depósitos, refletindo desafios econômicos e a busca por rentabilidades mais atrativas em outras modalidades de investimento.

Em 2023, as retiradas líquidas da poupança atingiram R$ 87,8 bilhões, e em 2024, até o momento, já somam R$ 15,5 bilhões. O saldo negativo do ano passado, por exemplo, chegou a R$ 85,6 bilhões. Nos primeiros cinco meses deste ano, a caderneta acumula R$ 39,1 bilhões em retiradas líquidas, mesmo com o resultado positivo de maio.

A inversão da tendência em maio pode ser um sinal de otimismo cauteloso ou de uma reavaliação das opções de investimento por parte da população. Contudo, é fundamental analisar os fatores macroeconômicos que historicamente influenciam o desempenho da poupança.

O Impacto da Taxa Selic nos Investimentos

Um dos principais motivos para o fluxo negativo na poupança nos períodos anteriores foi a manutenção da Taxa Selic — a taxa básica de juros da economia — em patamares elevados. A Selic é um instrumento crucial do Banco Central para controlar a inflação e serve como referência para todas as outras taxas de juros no país.

Quando a Selic está alta, ela torna outros investimentos de renda fixa, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), mais rentáveis que a poupança. Isso estimula os investidores a migrarem seus recursos para aplicações com melhor desempenho.

Durante um período que se estendeu até março deste ano, a Selic atingiu 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Tal patamar de juros tornava a poupança menos competitiva, levando muitos a preferirem outras opções no mercado financeiro.

No entanto, em sua última reunião, realizada em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realizou um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, pela segunda vez consecutiva, fixando-a em 14,5% ao ano. Mesmo diante de tensões geopolíticas, como a guerra no Oriente Médio, e expectativas de inflação em alta, a autoridade monetária optou por manter o ciclo de redução da taxa básica, embora sem fornecer pistas claras sobre os próximos passos.

A decisão do Copom reflete um delicado equilíbrio entre o controle da inflação e o estímulo à atividade econômica. A Selic é o principal instrumento do BC para garantir que a meta de 3% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a referência oficial da inflação no país, seja alcançada.

Quando o Copom eleva a taxa básica de juros, o objetivo é reduzir a demanda por crédito e consumo, o que, por sua vez, ajuda a conter o aumento dos preços. Juros mais altos encarecem o crédito para empresas e consumidores, ao mesmo tempo em que incentivam a poupança e investimentos em renda fixa.

Inflação e o Poder de Compra do Brasileiro

A inflação, medida pelo IPCA, é um fator determinante para a economia e afeta diretamente o poder de compra da população. Em abril, o preço dos alimentos foi um dos principais vilões, pressionando a inflação oficial, que fechou o mês em 0,67%.

O IPCA acumulado nos últimos 12 meses ficou em 4,39%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da alta recente, esse valor ainda se mantém dentro do teto da meta de inflação estabelecida pelo governo. A divulgação dos dados da inflação de maio está prevista para a próxima sexta-feira, dia 12, pelo IBGE, e será crucial para entender os próximos passos da política monetária.

A poupança, embora tradicional, possui um rendimento atrelado à Selic e à Taxa Referencial (TR), com regras específicas que podem não proteger totalmente o poder de compra do dinheiro em cenários de inflação elevada. Para que a poupança seja atrativa, seu rendimento precisa ser superior à inflação.

Acompanhar a entrada e saída de recursos da poupança, bem como as decisões do Copom e os índices de inflação, é essencial para os cidadãos. Esses movimentos indicam a saúde financeira das famílias e a direção da política econômica do país, afetando desde o crédito ao consumo até as escolhas de investimento pessoal.

Perguntas Frequentes

O que significa entrada líquida na poupança?

Entrada líquida na poupança significa que, em um determinado período, a soma de todos os depósitos feitos na caderneta superou a soma de todos os saques realizados. É um saldo positivo que indica mais dinheiro entrando do que saindo.

Por que a poupança teve mais saques nos últimos anos?

A poupança registrou mais saques nos últimos anos principalmente devido à elevação da Taxa Selic, que tornou outros investimentos de renda fixa, como CDBs e LCIs, mais rentáveis. Além disso, a necessidade de uso dos recursos para despesas pessoais ou familiares em momentos de incerteza econômica também contribuiu para as retiradas.

Qual a relação entre a Taxa Selic e a poupança?

A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia e influencia diretamente o rendimento da poupança. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Quando a Selic está igual ou abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança corresponde a 70% da Selic mais a TR.

Como a inflação afeta o rendimento da poupança?

A inflação corrói o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo. Se o rendimento da poupança for menor que a taxa de inflação (IPCA), na prática, o dinheiro guardado na caderneta estará perdendo valor, mesmo que o saldo numérico aumente. Por isso, é importante que o rendimento da poupança seja superior à inflação para que haja ganho real.


9 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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