Bahia

SPM Bahia fortalece diálogo e cria políticas mais inclusivas para mulheres negras

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 11/06/2026 às 13:13
Itamara Costa/Ascom SPM
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 11 de junho de 2026, às 13:13

A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Bahia realizou um encontro crucial nesta quarta-feira (10), recebendo a Rede de Mulheres Negras da Bahia. O objetivo foi aprofundar o diálogo e coletar propostas para políticas públicas voltadas às necessidades e prioridades das mulheres negras baianas.

O encontro, sediado no gabinete da secretaria, reuniu uma vasta representatividade. Participaram líderes de terreiros, sindicatos, diversos movimentos sociais, organizações comunitárias, coletivos e outras instituições dedicadas à defesa dos direitos das mulheres negras no estado. A iniciativa marcou um momento de escuta coletiva e troca de experiências.

Durante a reunião, a secretária das Mulheres do Estado, Camila Batista, dedicou-se a ouvir as demandas apresentadas pelas participantes. Ela também recebeu um importante documento, elaborado coletivamente pela Rede de Mulheres Negras da Bahia, que detalha propostas concretas para fortalecer as políticas públicas direcionadas a este grupo demográfico.

Diálogo Essencial para Políticas Inclusivas

A coordenadora da Rede de Mulheres Negras da Bahia, Lindinalva de Paula, enfatizou a relevância deste espaço de escuta promovido pela Secretaria. Ela destacou que a iniciativa responde a uma demanda histórica por políticas específicas e mais eficazes.

Lindinalva ressaltou que, quando o diálogo não inclui o maior grupo demográfico e aqueles que historicamente vivenciam as maiores vulnerabilidades, as políticas públicas falham em alcançar seus objetivos. Ela expressou gratidão pela escuta, classificando-a como a primeira vez que a Secretaria recebe coletivamente as mulheres negras para abordar suas pautas. A compreensão das diferenças e especificidades de mulheres negras, indígenas e de terreiro é vista como fundamental para a construção de ações mais efetivas para todas as cidadãs baianas.

A integrante da Casa da Mulher Negra da Bahia, Suely Santos, sublinhou a contribuição vital dos movimentos sociais na formulação de propostas para o poder público. Segundo ela, cada mulher presente contribuiu, a partir de sua trajetória de luta e vivências, para a elaboração dessas proposições. Santos reforçou que estas pautas são fundamentais e refletem as demandas históricas das mulheres negras baianas.

Propostas Abrangentes para a Equidade Racial e de Gênero

As propostas contidas no documento entregue pela Rede de Mulheres Negras da Bahia são abrangentes e visam atender a múltiplas dimensões das necessidades de suas representadas. Entre os temas prioritários destacam-se:

* Ampliação das políticas de cuidado;
* Enfrentamento ao feminicídio e ao racismo estrutural;
* Geração de trabalho e renda;
* Ampliação da rede de proteção às mulheres em situação de violência;
* Fortalecimento da participação política;
* Garantia de acesso a direitos nos territórios do interior do estado.

O racismo estrutural, um dos pontos centrais, refere-se ao conjunto de práticas, hábitos, situações e falas que, de forma explícita ou implícita, promovem ou reproduzem a subalternização de grupos raciais. Ele se manifesta em todas as esferas da sociedade, impactando o acesso à saúde, educação, justiça e oportunidades de trabalho para as mulheres negras. Combatê-lo exige ações afirmativas e a revisão de processos institucionais.

O feminicídio, outro tema crucial, representa o assassinato de mulheres motivado por sua condição de gênero. A alta incidência desse crime, especialmente entre mulheres negras, expõe a urgência de fortalecer as redes de proteção e as políticas de prevenção e combate à violência. A complexidade do cenário exige uma abordagem multifacetada, que inclua desde o apoio psicológico e jurídico até a educação e a conscientização social.

As “políticas de cuidado” mencionadas buscam reconhecer e redistribuir o trabalho de cuidado, tradicionalmente atribuído às mulheres e que muitas vezes impede sua plena participação no mercado de trabalho e na vida pública. Isso inclui a oferta de creches, serviços de assistência a idosos e pessoas com deficiência, e a valorização das cuidadoras, um segmento predominantemente feminino e, muitas vezes, composto por mulheres negras.

Representando o Movimento de Mulheres Negras Dandara do Sisal, a ativista Cleuza Juriti de Souza, vinda do município de Serrinha, salientou a relevância da aproximação entre a SPM e os movimentos sociais. Ela argumentou que as mulheres negras são maioria e, portanto, precisam estar no centro das discussões e da formulação de políticas. Cleuza considerou crucial a disposição da Secretaria em ouvi-las, vendo a reunião como um passo significativo no fortalecimento das políticas públicas para as mulheres negras da Bahia.

A ialorixá Mãe Jacira de Santana Miranda, da Rede Religiosa de Matriz Africana do Subúrbio (RREMAS), também reforçou a importância do encontro. Para ela, a reunião não só fortalece as mulheres negras, mas também auxilia no esclarecimento de dúvidas e no encaminhamento de demandas urgentes. A percepção de que a Secretaria está empenhada em ouvir e apoiar as mulheres negras já é um avanço fundamental para o empoderamento deste grupo.

Compromisso Governamental com a Participação Social

O documento entregue vai além, detalhando a necessidade de expandir ações focadas na proteção das mulheres, na diminuição das desigualdades raciais e de gênero e no fomento à autonomia econômica. Entre as propostas específicas, destacam-se:

– Aprimoramento das políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres;
– Reativação das unidades móveis de atendimento, que levam serviços essenciais a locais de difícil acesso;
– Inclusão de representantes do movimento negro em todos os espaços de formulação das políticas de cuidado;
– Criação de um observatório estadual de desigualdade de gênero, para monitorar dados e embasar futuras ações.

Após a escuta atenta às representantes da Rede de Mulheres Negras da Bahia e o recebimento das propostas, a secretária Camila Batista reafirmou o compromisso do Governo do Estado com a escuta e a participação social. Ela destacou que estes são princípios fundamentais para a construção de políticas públicas verdadeiramente eficazes e inclusivas.

A secretária reiterou o objetivo de fortalecer continuamente os espaços de diálogo e participação social, ouvindo as diversas vozes e realidades das mulheres baianas. Segundo Camila Batista, é a partir dessa escuta qualificada que se torna possível construir políticas públicas mais efetivas, representativas e capazes de responder às demandas específicas dos diferentes territórios e segmentos de mulheres em todo o estado da Bahia. A colaboração entre o poder público e os movimentos sociais é vista como a chave para avançar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Perguntas Frequentes

Qual foi o objetivo do encontro entre a SPM Bahia e a Rede de Mulheres Negras?

O objetivo principal foi estabelecer um diálogo e uma escuta coletiva para compreender os desafios e prioridades das mulheres negras baianas, recebendo propostas para o fortalecimento e a construção de políticas públicas mais inclusivas e eficazes.

Quem participou da reunião na Secretaria de Políticas para as Mulheres?

O encontro reuniu representantes de diversas entidades, incluindo terreiros, sindicatos, movimentos sociais, organizações comunitárias, coletivos e outras instituições que atuam na defesa dos direitos das mulheres negras no estado da Bahia.

Quais são algumas das principais demandas apresentadas pela Rede de Mulheres Negras?

Entre as demandas mais destacadas estão a ampliação das políticas de cuidado, o enfrentamento ao feminicídio e ao racismo estrutural, a geração de trabalho e renda, o fortalecimento da participação política e a garantia de acesso a direitos nos territórios do interior.

O que são “políticas de cuidado” no contexto das propostas?

As políticas de cuidado referem-se a iniciativas governamentais que visam reconhecer, reduzir e redistribuir o trabalho de cuidado (como o cuidado com crianças, idosos e pessoas com deficiência), que tradicionalmente recai sobre as mulheres, impactando sua autonomia e participação social e econômica.

Por que a participação dos movimentos sociais é considerada fundamental para a SPM?

A participação dos movimentos sociais é vista como fundamental porque eles representam as vozes e experiências diretas dos grupos que serão beneficiados pelas políticas. Essa escuta qualificada garante que as ações governamentais sejam mais efetivas, inclusivas e capazes de responder às demandas reais dos diferentes segmentos da população.


11 de junho de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Itamara Costa/Ascom SPM|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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