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Brasil registra 1.347 mortes maternas em 2024, meta distante

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 28/05/2026 às 10:36
Jas/Pixabay
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 28 de maio de 2026, às 10:36

Em 2024, o Brasil lamenta o registro de 1.347 óbitos maternos, mantendo uma razão de 56,4 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Essa realidade, onde a maioria das perdas é evitável, destaca a urgência de ações na saúde da mulher em todo o país.

Desafio da Mortalidade Materna no Brasil

O Brasil ainda enfrenta um cenário preocupante na saúde materna, perdendo centenas de mulheres a cada ano. Essas mortes ocorrem durante a gestação ou em um período de até 42 dias após o fim da gravidez. Os dados mais recentes, de 2024, apontam para uma razão de mortalidade materna de 56,4 a cada 100 mil nascidos vivos. Esse índice alarmante se traduz em um total de 1.347 óbitos registrados apenas neste ano.

A meta estabelecida para o país é ambiciosa: alcançar 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030. A distância para esse objetivo ressalta a magnitude do desafio. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a grande maioria dessas mortes, cerca de nove em cada dez, é considerada evitável. Isso significa que, com intervenções adequadas e acesso a serviços de qualidade, a vida dessas mulheres poderia ser salva.

Os dados utilizados para esse panorama são provenientes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus), consultados no Observatório da Saúde Pública. A transparência e o monitoramento desses números são cruciais para o desenvolvimento de políticas eficazes. Para reforçar a importância dessas ações, o dia 28 de maio é marcado como o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. A data serve para conscientizar sobre a integralidade da saúde das mulheres e os direitos das gestantes e puérperas.

O governo brasileiro, ciente dessa situação, já articula estratégias para enfrentar o problema. Uma das iniciativas visa reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027. Além disso, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) tem um papel ativo. A instituição irá auxiliar 75 maternidades em todo o país, com o objetivo de implementar melhorias que contribuam diretamente para a redução dos índices de mortalidade materna.

A Importância Vital do Pré-natal e da Equipe Multiprofissional

Um dos pilares para a redução da mortalidade materna é o acesso a um atendimento de qualidade, começando pelo pré-natal. Maria Isabel Peixoto, chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca a relevância desse acompanhamento. “A gente sabe que com um pré-natal bem feito, de qualidade, de preferência o mais precoce possível para pegar todas as variáveis, conseguimos, na grande maioria das vezes, entregar uma paciente pronta para um parto monitorizado num local com boa assistência e com um desfecho favorável”, afirma.

A Maternidade Escola UFRJ, onde Maria Isabel Peixoto atua, é um centro de referência, especialmente para casos de alto risco. O trabalho realizado na unidade busca perpetuar o conhecimento e oferecer assistência de excelência. Um exemplo prático dessa assistência é o caso de Fernanda Lopes de Almeida, técnica de enfermagem de 41 anos, que está grávida de 18 semanas. Fernanda é acompanhada na maternidade devido a um quadro de hipertensão e histórico de diabetes gestacional em gravidez anterior.

Na Maternidade-Escola UFRJ, Fernanda recebeu orientações para mudar hábitos alimentares, realizou exames e faz acompanhamento constante. Ela expressa sua satisfação com o tratamento: “Sou muito bem atendida, me sinto segura”. Apesar das dificuldades iniciais com a adaptação alimentar e a conscientização, Fernanda avalia positivamente sua jornada: “Agora, acho que estou curtindo bem melhor a gestação, uma fase mais tranquila”.

Além da atuação médica, a colaboração de uma equipe multiprofissional é fundamental. Renné Costa, enfermeiro obstétrico e membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), enfatiza essa necessidade. Ele defende a crença na multidisciplinaridade, onde cada profissional desempenha seu papel de forma integrada. O foco principal, segundo ele, deve ser sempre o bem-estar da mãe e do bebê.

Renné Costa compartilha experiências positivas dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2009, ele realizou mais de 5 mil partos, a maioria no Hospital Municipal de Viçosa, em Alagoas. Viçosa, com pouco mais de 26 mil habitantes, serve como referência para nove outros municípios alagoanos. Quando Renné chegou ao hospital, a unidade realizava entre 80 e 90 partos por ano. Após a implementação de seu trabalho, o número saltou para 600 partos anuais.

Essa expansão, conforme Renné Costa, deve-se à autonomia concedida à enfermagem e ao enfermeiro obstétrico, que pode assistir ao parto de baixo risco amparado pela Lei 7.498 de 1986, a lei do exercício profissional da enfermagem. Em sua carreira, com mais de 5 mil partos, Renné Costa orgulha-se de não ter perdido nenhuma criança ou mulher. Ele defende que experiências bem-sucedidas como essa deveriam ser replicadas em todo o Brasil para potencializar a redução da mortalidade materna.

As quatro principais causas de morte materna no Brasil, entre as obstétricas diretas, representam 66% dos óbitos e são:
– Síndromes hipertensivas;
– Hemorragias;
– Infecções puerperais;
– Complicações do aborto.

Estratégias e o Cuidado Pós-Parto para Salvar Vidas

O acompanhamento da mulher não termina com o parto. A fase pós-parto, conhecida como puerpério, é igualmente crítica para a prevenção da mortalidade materna. A ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), ressalta a importância desse período.

“A mulher vai para casa e, muitas vezes, ela acaba sendo menos olhada pelos serviços da rede de saúde e também pela família”, alerta Inessa Bonomi. Essa diminuição da atenção pode levar à percepção tardia de sinais de risco. Complicações que surgem no puerpério podem se agravar rapidamente se não forem detectadas e tratadas a tempo. Portanto, um monitoramento contínuo e a orientação sobre os sinais de alerta são essenciais para garantir a segurança da puérpera.

As estratégias governamentais, como a meta de redução de 25% até 2027 e o apoio do IFF/Fiocruz a maternidades, somam-se aos esforços individuais e das equipes de saúde. A conscientização sobre os direitos da gestante e da puérpera, aliada à formação e autonomia de profissionais como os enfermeiros obstétricos, são elementos cruciais para reverter o cenário atual da mortalidade materna no Brasil. A integração de todos esses fatores, desde o pré-natal precoce e de qualidade até o cuidado atento no pós-parto, é a chave para salvar vidas e alcançar um futuro onde nenhuma mãe seja perdida por causas evitáveis.

Perguntas Frequentes

Qual a situação da mortalidade materna no Brasil em 2024?
Em 2024, o Brasil registrou 1.347 óbitos maternos, com uma razão de 56,4 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Essa taxa está distante da meta nacional de 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030, sendo que a maioria dessas mortes é considerada evitável.

Quais são as principais causas de morte materna no país?
As principais causas obstétricas diretas, responsáveis por 66% das mortes maternas no Brasil, incluem síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto. Essas condições destacam a necessidade de atenção e prevenção específicas.

O que pode ser feito para reduzir a mortalidade materna?
A redução da mortalidade materna passa por um pré-natal de qualidade e precoce, o trabalho de equipes multiprofissionais, a valorização da autonomia de enfermeiros obstétricos e o acompanhamento atento no período pós-parto (puerpério). Além disso, estratégias governamentais e o apoio de instituições de saúde são fundamentais.


28 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Jas/Pixabay|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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