Mirtilo Chapada Diamantina: Mirtio impulsiona economia na Chapada
Iniciativa da Seagri em parceria com a Flem capacita agricultores e estrutura cadeia produtiva de frutas vermelhas na região.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), em colaboração com a Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), está promovendo um Circuito sobre a Cultura do Mirtilo e Frutas Vermelhas na Chapada Diamantina. A iniciativa, que teve início em Mucugê na última terça-feira, 17 de março, visa solidificar o significativo potencial econômico que o mirtilo representa para a região.
O objetivo principal é capacitar produtores rurais, oferecendo discussões aprofundadas sobre técnicas de cultivo modernas e as perspectivas de comercialização do fruto. Este esforço colaborativo busca não apenas informar, mas também impulsionar a rentabilidade e a sustentabilidade das atividades agrícolas locais.
Potencial Econômico do Mirtilo na Chapada Diamantina – Mirtilo Chapada Diamantina
O mirtilo, uma das frutas vermelhas mais valorizadas no mercado global, emerge como uma cultura de grande apelo para os agricultores da Chapada Diamantina. Sua adaptabilidade às condições climáticas e de solo da região, aliada ao crescente interesse dos consumidores por alimentos saudáveis, posiciona o fruto como um vetor de desenvolvimento.
Paulo Baqueiro, assessor da Seagri, ressalta as qualidades intrínsecas do mirtilo que o tornam particularmente atraente para o produtor rural, especialmente para aqueles que operam em pequena escala. O fruto se destaca por seu alto valor agregado e por um mercado em constante expansão.
Essas características significam que, mesmo com uma produção limitada, o agricultor familiar pode alcançar um rendimento satisfatório. A demanda por mirtilos cresce impulsionada por tendências de consumo de “superalimentos” e produtos naturais.
Benefícios Chave do Cultivo:
* Alto Valor Agregado: Permite maior lucro por quilo produzido.
* Mercado em Expansão: Crescente demanda nacional e internacional.
* Viabilidade em Pequena Escala: Ideal para agricultura familiar e pequenas propriedades.
* Longa Produtividade: Plantas bem manejadas podem produzir por 10 a 20 anos.
Cooperativismo: Chave para o Desenvolvimento Sustentável
Ainda segundo Paulo Baqueiro, a adoção do cooperativismo é um pilar fundamental para maximizar o potencial da cultura do mirtilo. A organização coletiva permite que os produtores superem desafios individuais e acessem oportunidades que seriam inatingíveis de forma isolada.
O modelo cooperativista facilita o acesso a mercados mais amplos, incluindo grandes redes varejistas e exportação, ao centralizar a oferta e padronizar a qualidade do produto. Além disso, a compra conjunta de insumos, como fertilizantes e mudas, e a aquisição compartilhada de maquinários especializados resultam em significativa redução de custos operacionais.
Essa sinergia fortalece a capacidade de negociação dos agricultores, otimiza a logística e, em última instância, eleva a rentabilidade de cada produtor. O cooperativismo, portanto, não é apenas um modelo de negócio, mas uma estratégia de empoderamento rural.
Ademir Gomes, coordenador-geral das câmaras setoriais, reforça que o objetivo primordial da iniciativa é estruturar uma base sólida para que os agricultores familiares da Chapada Diamantina possam organizar-se coletivamente. Essa organização é vista como o caminho para transformar o mirtilo em uma fonte de renda não apenas satisfatória, mas verdadeiramente sustentável a longo prazo.
Vantagens do Cultivo e Manejo Eficiente
Durante os encontros do circuito, o consultor Ramon Alves, da Codevasf, destacou a longevidade da cultura como um dos seus principais trunfos. Uma planta de mirtilo bem cuidada pode manter sua produtividade por um período extenso, que varia de 10 a 20 anos.
Ele citou exemplos concretos de plantas que, mesmo após sete ou oito anos, permanecem em plena capacidade produtiva. Essa característica confere uma segurança econômica importante ao produtor, que pode planejar o retorno do investimento a longo prazo. As variedades cultivadas na Chapada Diamantina são consideradas rústicas e bem adaptadas às condições climáticas locais, o que simplifica o manejo e reduz a necessidade de intervenções complexas.
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Técnicas de Plantio: Vaso versus Solo
Ramon Alves também ofereceu orientações detalhadas sobre os sistemas de cultivo do mirtilo. Ele recomendou o plantio em vasos como a alternativa mais vantajosa, principalmente devido à praticidade no manejo.
No sistema de vasos, a planta pode ser facilmente retirada, tratada e reintroduzida em caso de problemas fitossanitários ou nutricionais, evitando perdas definitivas na produção. Essa flexibilidade é um diferencial importante para a saúde da lavoura.
Embora o plantio direto no solo seja possível, o consultor alertou que ele tende a apresentar um desempenho inferior, especialmente em solos arenosos, que são comuns em algumas partes da região. Para o plantio, seja em vaso ou solo, o espaçamento recomendado é de 1,5 a 2 metros entre linhas e aproximadamente 50 centímetros entre as plantas, otimizando o uso do espaço e a ventilação.
O Uso da Casca de Arroz como Substrato
Um ponto crucial para o sucesso do cultivo de mirtilo, especialmente em vasos, é a escolha do substrato adequado. O consultor abordou o uso da casca de arroz, um material abundante e de baixo custo, que pode ser empregado tanto na versão *in natura* quanto carbonizada.
A casca de arroz, devido às suas propriedades de aeração e drenagem, cria um ambiente ideal para o desenvolvimento radicular do mirtilo. Embora muitos produtores optem pela versão crua devido à simplicidade do processo, o especialista mencionou que já existem casos na região onde a casca carbonizada é utilizada.
Produtores com experiência no cultivo de morango, por exemplo, têm aplicado a casca carbonizada sem observar diferenças significativas nos resultados, indicando a versatilidade do material. A carbonização pode oferecer vantagens adicionais em termos de estabilidade e menor degradação ao longo do tempo.
Impacto Regional e Apoio Institucional
O circuito itinerante da Seagri e Flem estende seu alcance, partindo de Mucugê para Palmeira e, finalmente, para Boninal. Esta abrangência geográfica assegura que um número maior de agricultores familiares da Chapada Diamantina receba as orientações técnicas e o suporte necessário para o desenvolvimento da cultura do mirtilo.
A promoção de culturas de alto valor agregado como o mirtilo é estratégica para o governo da Bahia, visando diversificar a matriz produtiva agrícola e gerar novas oportunidades de emprego e renda no interior do estado. A Seagri e a Flem desempenham um papel vital na disseminação de conhecimento e no fomento a práticas agrícolas modernas e sustentáveis.
Essas ações são essenciais para fortalecer a economia regional e melhorar a qualidade de vida das comunidades rurais, consolidando a Chapada Diamantina como um polo de excelência na produção de frutas vermelhas. O apoio contínuo a iniciativas como o Circuito do Mirtilo demonstra o compromisso com o desenvolvimento agrário e a valorização do agricultor familiar no estado. Para mais informações sobre as iniciativas do governo da Bahia no setor agrícola, visite o portal oficial do estado: Governo da Bahia.





