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Irã e Hezbollah atribuem cessar-fogo no Líbano à união da Resistência

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O governo iraniano e o grupo político-militar Hezbollah atribuíram o recente cessar-fogo no Líbano à unidade e capacidade do “Eixo da Resistência”, coalizão de grupos que se opõem às políticas de Israel e dos Estados Unidos. Em contrapartida, o presidente norte-americano, Donald Trump, buscou capitalizar o acordo como um resultado da diplomacia da Casa Branca.

Disputa por crédito na trégua

Teerã e o Hezbollah têm uma visão coesa sobre a origem da trégua no Líbano, apontando a articulação do “Eixo da Resistência” como fator determinante. Este grupo é composto por diversas facções que compartilham a oposição às ações de Israel e da política externa dos Estados Unidos na região do Oriente Médio. O chefe do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, que lidera a delegação iraniana nas negociações com os EUA, enfatizou essa perspectiva. Ele declarou que o cessar-fogo é uma conquista direta da resistência do Hezbollah e da coesão do Eixo, afirmando que “a Resistência e o Irã são uma só entidade”. Ghalibaf ainda instou os Estados Unidos a reconsiderarem sua postura de “Israel em primeiro lugar”, prometendo cautela na abordagem da trégua e a manutenção da união até a “verificação completa da vitória”, conforme publicado em suas redes sociais.

Paralelamente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, reiterou que o cessar-fogo foi um desdobramento direto dos esforços diplomáticos de Teerã. Baghaei destacou que, desde o início das conversas com diversas partes regionais e internacionais, incluindo negociações em Islamabad, a República Islâmica do Irã consistentemente defendeu a necessidade imperativa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, abrangendo especificamente o Líbano. A trégua no Líbano era, inclusive, uma das condições impostas por Teerã para a continuidade de suas negociações com Washington. Após a implementação do acordo, o Irã também anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação de embarcações comerciais, um ponto estratégico de grande importância global.

Ações militares e demandas iranianas

Em um comunicado divulgado pela TV Al-Manar, afiliada ao grupo, o Hezbollah afirmou ter realizado 2.184 operações militares em 45 dias de confrontos contra as forças israelenses. Isso representa uma média de 49 ações diárias. Os ataques do grupo xiita visaram tanto as forças de ocupação israelenses em território libanês quanto localidades, quartéis e bases militares dentro de Israel e dos territórios palestinos ocupados, atingindo alvos a até 160 quilômetros da fronteira. O Hezbollah reforçou sua postura, declarando que “nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo”, sublinhando a adesão à “opção de confronto” e o compromisso de “defender o país até o último suspiro”.

Do lado israelense, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia manifestado a intenção de ocupar o sul do Líbano até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira. Um dia antes do anúncio do cessar-fogo, Netanyahu havia instruído a continuidade das operações militares para a tomada da cidade de Bent Jbeil. Segundo o jornal israelense *The Times of Israel*, a notícia do cessar-fogo foi recebida com surpresa pelos ministros do gabinete. Netanyahu teria informado que aceitou a trégua a pedido do presidente Trump, gerando críticas da oposição israelense, que considerou o cessar-fogo “imposto” a Israel. Adicionalmente, o portal de notícias *Ynet*, também de Israel, reportou que um oficial militar do país declarou que as tropas permaneceriam em território libanês, apesar do acordo.

Contexto histórico e o “Eixo da Resistência”

A atual fase do conflito entre Israel e o Líbano, que envolve o Hezbollah, teve início em outubro de 2023. Naquela ocasião, o Hezbollah começou a atacar o norte de Israel em solidariedade ao povo palestino, em resposta aos massacres na Faixa de Gaza. Em novembro de 2024, um acordo de cessar-fogo foi intermediado entre o grupo xiita e Tel Aviv, mas nunca foi plenamente respeitado por Israel, que continuou a realizar ataques no Líbano.

Em meio à escalada de agressões contra o Irã, a partir de 28 de fevereiro, o Hezbollah intensificou seus ataques contra Israel, citando violações sistemáticas do cessar-fogo nos meses anteriores como justificativa. Em 8 de abril, um novo cessar-fogo foi anunciado para o conflito no Irã, mas Israel continuou com operações no Líbano, desrespeitando mais uma vez o acordo, desta vez mediado pelo Paquistão. A exigência do Irã de que o Líbano fosse incluído no cessar-fogo era um pré-requisito para dar continuidade às negociações com os Estados Unidos, com a segunda rodada de conversas já agendada.

O conflito entre Israel e o Hezbollah possui raízes profundas, remontando à década de 1980. O grupo xiita foi formado como uma reação à invasão e ocupação de Israel no Líbano, que visava perseguir grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho. Em 2000, o Hezbollah obteve sucesso na expulsão das forças israelenses do Líbano. Ao longo dos anos, o grupo evoluiu, tornando-se um partido político com representação no Parlamento e participação em diversos governos libaneses. O Líbano também foi alvo de ataques israelenses em 2006, 2009 e 2011, evidenciando a persistência das tensões na fronteira.

Perguntas Frequentes

O que é o Eixo da Resistência?
O Eixo da Resistência é uma coalizão informal de grupos políticos e militares no Oriente Médio, liderada pelo Irã, que se opõe às políticas de Israel e dos Estados Unidos na região. Inclui organizações como o Hezbollah no Líbano e outras milícias aliadas.

Qual o papel do Estreito de Ormuz nesse contexto?
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima vital para o transporte de petróleo global. Sua abertura ou fechamento tem implicações econômicas e estratégicas significativas. O anúncio do Irã de reabri-lo para barcos comerciais após o cessar-fogo no Líbano indica uma desescalada de tensões, mas também um ponto de barganha nas negociações.

Por que o cessar-fogo no Líbano é crucial para o Irã?
O cessar-fogo no Líbano é crucial para o Irã porque a segurança e a estabilidade de seus aliados, como o Hezbollah, são prioridades estratégicas. Além disso, a inclusão do Líbano no acordo de trégua era uma condição expressa por Teerã para prosseguir com as negociações diplomáticas com os Estados Unidos.


17 de abril de 2026|Fonte: Agência Brasil|Fonte da Informação ↗

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