IGP-M cai 0,73% em fevereiro e alivia inflação do aluguel
Índice, conhecido como inflação do aluguel, registrou queda de 0,73% no mês, revertendo o avanço observado em janeiro.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a inflação do aluguel, recuou 0,73% em fevereiro, revertendo a alta de janeiro. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o índice acumula queda de 0,32% no ano e de 2,67% em 12 meses, oferecendo um respiro para os inquilinos.
No mesmo período do ano anterior, em fevereiro de 2024, o IGP-M havia registrado uma alta de 1,06% no mês, acumulando uma variação de 8,44% em 12 meses. A inversão da trajetória em 2025 (assumindo a data original de 2025 como o ano corrente da notícia, dada a menção de “2024” como “ano anterior”) sinaliza uma mudança significativa no cenário econômico, com impactos diretos nos contratos de aluguel que utilizam este índice como referência para reajustes. A queda expressiva em fevereiro contribui para uma perspectiva mais favorável para a estabilização dos preços no setor imobiliário.
Componentes do IGP-M Indicam Desaceleração Geral
A queda no IGP-M em fevereiro foi influenciada principalmente pela desaceleração do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que compõe 60% do índice geral. O IPA registrou uma queda de 1,18% em fevereiro, invertendo o movimento de janeiro, quando havia subido 0,34%. Essa reversão é um fator crucial para a performance do IGP-M, indicando uma redução na pressão de custos na ponta da produção.
Segundo André Braz, economista da FGV, o recuo do IPA foi puxado por uma forte retração nos preços de commodities relevantes no mercado internacional. No período analisado, o minério de ferro registrou queda de 6,92%, a soja recuou 6,36% e o café apresentou uma retração de 9,17%. A desvalorização desses insumos básicos impacta diretamente a cadeia produtiva, resultando em menores custos para a indústria e, consequentemente, em preços mais baixos para o consumidor final. Essa dinâmica é fundamental para aliviar a pressão sobre a inflação do aluguel e outros indicadores de preços.
Além do IPA, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, também contribuiu para a desaceleração. O IPC registrou uma taxa de 0,30% em fevereiro, inferior à observada em janeiro, quando o índice havia subido 0,51%. Essa moderação no consumo é um sinal de que a pressão inflacionária está diminuindo em diversas áreas do varejo.
A análise da FGV aponta que, entre as oito classes de despesa que compõem o IPC, cinco apresentaram recuos em suas taxas de variação. As quedas mais notáveis foram em:
* Alimentação: de 0,66% para 0,17%
* Saúde e Cuidados Pessoais: de 0,60% para 0,12%
* Educação, Leitura e Recreação: de 1,38% para 0,72%
* Transportes: de 0,71% para 0,53%
* Vestuário: de -0,16% para -0,43%
Esses recuos indicam uma tendência de alívio nos gastos cotidianos das famílias brasileiras. Por outro lado, três grupos tiveram aumentos em suas taxas, mas em menor proporção: Habitação (0,06% para 0,33%), Despesas Diversas (0,17% para 0,37%) e Comunicação (0,00% para 0,01%). André Braz destaca que, no varejo, o IPC desacelerou com a perda de intensidade das altas nas mensalidades escolares, que costumam pesar no início do ano.
Inflação da Construção Civil Também Desacelera
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), responsável pelos 10% restantes do IGP-M, também apresentou uma desaceleração em fevereiro. O INCC subiu 0,34%, um ritmo mais contido em relação ao mês anterior, quando registrou alta de 0,63%.
A análise dos componentes do INCC mostra variações mistas:
* O grupo Materiais e Equipamentos recuou de 0,35% para 0,30%.
* O grupo Serviços aumentou de 0,25% para 0,36%.
* O grupo Mão de Obra diminuiu de 1,03% para 0,39%.
A perda de fôlego na inflação da mão de obra, conforme apontado pelo economista André Braz, contribui para a moderação geral dos custos da construção civil. Essa tendência é importante, pois os custos da construção podem influenciar indiretamente o valor dos aluguéis e a oferta de imóveis no mercado. A estabilização desses custos é um indicativo positivo para o setor imobiliário e para a economia como um todo.
Perspectivas para a Inflação do Aluguel
A queda do IGP-M em fevereiro reforça a tendência de desinflação observada em outros indicadores econômicos. Embora o índice seja conhecido por sua volatilidade e sofra influência de fatores sazonais, como a colheita de safras, e de mercado de commodities, a sequência de quedas ou desacelerações em seus componentes sugere um ambiente de menor pressão inflacionária. Para os locatários, a continuidade dessa tendência pode significar reajustes de aluguel mais brandos ou até mesmo quedas, dependendo do período de cálculo dos contratos. É um alívio considerável, especialmente em um cenário econômico desafiador.
É importante notar que, enquanto o IGP-M é predominante nos reajustes de aluguéis, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é o índice oficial de inflação do país. As diferenças na composição e nas fontes de dados podem levar a resultados distintos entre os índices, mas a moderação geral de preços é um sinal positivo para a economia brasileira como um todo. Consumidores e empresas devem acompanhar de perto os próximos dados da FGV, bem como outros índices de preços divulgados por instituições como o IBGE, para entender a dinâmica completa da inflação no país. A política monetária do Banco Central, com a taxa Selic, e as condições macroeconômicas globais também desempenham um papel fundamental na determinação das futuras variações do IGP




