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Trânsito em fronteiras do Brasil bate recorde e movimenta o país

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 25/06/2026 às 20:58
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 25 de junho de 2026, às 20:58

O Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH) revelou nesta quinta-feira (25) que mais de 36,4 milhões de pessoas se movimentaram pelas fronteiras do Brasil em 2025, um recorde histórico impulsionado por brasileiros e turistas, superando 2024 em 15,6%.

A divulgação ocorreu na data em que se celebra o Dia Nacional do Imigrante, destacando a complexidade dos fluxos humanos no território nacional. Esse volume representa a maior marca da série histórica, consolidando uma tendência de aumento.

Os números abrangem tanto as entradas quanto as saídas do país. A contagem inclui o deslocamento de brasileiros e estrangeiros, sejam eles migrantes, residentes temporários ou turistas.

De acordo com o ObservaDH, a maior parte dessa intensa circulação está diretamente ligada a viagens de brasileiros, turismo e deslocamentos de curta duração. Isso indica que a movimentação vai muito além da imigração permanente.

O Perfil da Movimentação Fronteiriça

A análise detalhada dos dados revela o perfil predominante de quem atravessou as fronteiras brasileiras no ano passado. A maior parcela correspondeu a cidadãos do próprio país, evidenciando uma forte dinâmica interna de viagens e retornos.

Veja a distribuição das movimentações registradas em 2025:

Brasileiros: 17,2 milhões de registros.
Turistas: 14,7 milhões de movimentações.
Trânsito: Cerca de 2,4 milhões de passagens pelo território nacional.
Temporários e Residentes: Pouco mais de 1 milhão de registros em cada categoria.

A proporção significativamente menor de indivíduos nas categorias “temporário” e “residente”, em comparação com brasileiros e turistas, reforça a conclusão do ObservaDH. A maior parte do tráfego fronteiriço reflete a circulação internacional cotidiana, temporária ou de curta duração, e não processos migratórios de caráter permanente.

Metodologia e Fontes dos Dados

O levantamento realizado pelo ObservaDH utiliza uma robusta base de informações, coletadas de diversas fontes oficiais. A integração desses sistemas permite uma visão abrangente e detalhada sobre a mobilidade humana no Brasil.

As principais fontes de dados incluem:

Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra)/DataMigra: Sistema que compila e analisa dados sobre migrações internacionais.
Sistema de Registro Nacional Migratório (SisMigra): Plataforma central para o registro de migrantes e a gestão de seus processos no país.
Sistema de Tráfego Internacional (STI) da Polícia Federal: Ferramenta crucial para o controle das entradas e saídas de pessoas nas fronteiras e aeroportos.
Solicitações de Refúgio: Dados específicos sobre os pedidos de reconhecimento da condição de refugiado.
Registros administrativos do programa Aqui é Brasil: Iniciativa coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, focada na regularização migratória.

A combinação dessas fontes garante a precisão e a abrangência dos relatórios, fundamentais para a formulação de políticas públicas eficazes.

Fluxos Migratórios e Regularização no Brasil

O ObservaDH também incorporou novas narrativas e painéis temáticos sobre migração, refúgio, apatridia e repatriação. Essa atualização permite a sistematização de novos dados, a apresentação de séries históricas e recortes que subsidiam a gestão governamental.

Esses dados revelam a trajetória anual de entrada e registro de migrantes no Brasil, cobrindo o período entre 2010 e 2025. Após uma queda em 2020 devido à pandemia de Covid-19, houve uma retomada expressiva dos fluxos migratórios a partir de 2021.

Em 2023, o número de pessoas que ingressaram no território brasileiro pelos postos de controle migratório atingiu um recorde de 190,5 mil. No ano passado, 2025, o indicador apresentou uma leve redução, chegando a 157,3 mil pessoas.

Já os registros migratórios, que refletem a formalização da permanência de estrangeiros, também demonstraram ampliação. O maior valor da série foi registrado em 2023, com 202.044 pessoas regularizadas. Em 2025, esse número teve uma pequena queda, somando 199.646 pessoas.

O Cenário dos Refugiados no Brasil

A análise das solicitações de refúgio, baseada nos dados do Sistema de Tráfego Internacional (STI), mostra uma evolução distinta. Até o início dos anos 2010, o número permaneceu relativamente baixo e estável, geralmente inferior a 1 mil pedidos anuais.

Entre 2013 e 2015, houve um aumento significativo, passando de 6.810 solicitações em 2013 para 15.906 em 2015. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela chegada de haitianos, sírios e outros grupos afetados por graves crises humanitárias internacionais.

O auge dos pedidos de refúgio ocorreu entre 2018 e 2019, com 79.831 pedidos em 2018 e 82.552 em 2019. Esses picos refletem momentos de grande instabilidade global e regional, que levaram muitas pessoas a buscar proteção no Brasil.

Em 2025, o Brasil recebeu 75,6 mil novos pedidos de reconhecimento da condição de refugiado. Atualmente, o país soma 165.774 pessoas oficialmente reconhecidas como refugiadas. Desde 2010, o acumulado de solicitações já alcançou a marca de 551.072.

Brasil: Um País de Acolhimento e Seus Desafios

A coordenadora-geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Fernanda da Rosa Becker, ressalta o papel do Brasil. Segundo ela, o país tem se consolidado como um importante polo de acolhimento.

Esse cenário é marcado por fluxos migratórios cada vez mais diversos em termos de nacionalidades, perfis e motivações. “Esse cenário exige informações qualificadas que permitam compreender as transformações da mobilidade humana no país”, explica Becker.

A coordenadora enfatiza a necessidade de encarar a política migratória como uma política permanente de Estado, e não apenas como uma resposta emergencial. Isso exige monitoramento contínuo e capacidade de adaptação às diferentes dinâmicas de migração e refúgio.

O Relatório Anual de Política Migratória no Brasil de 2025, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), corrobora essa visão. O documento aponta que mais de 2 milhões de pessoas migrantes, refugiadas e solicitantes de refúgio compõem o cenário migratório brasileiro atual, sublinhando a importância de políticas de Estado robustas e contínuas.

Perguntas Frequentes

Qual foi o principal motivo para o recorde de movimentação nas fronteiras brasileiras em 2025?

O principal motivo para o recorde de 36,4 milhões de movimentações nas fronteiras do Brasil em 2025 foi o aumento do deslocamento de brasileiros e turistas. Os dados do ObservaDH indicam que a maior parte desse fluxo está associada a viagens temporárias e circulação internacional cotidiana, e não necessariamente a processos de imigração permanente.

Qual a diferença entre “movimentação temporária” e “migração permanente” nas fronteiras?

A “movimentação temporária” refere-se a deslocamentos de curta duração, como viagens de turismo, negócios ou trânsito, sem intenção de residir de forma definitiva no país. Já a “migração permanente” implica a intenção de estabelecer residência e, frequentemente, buscar regularização migratória para viver e trabalhar no Brasil, um número significativamente menor nos registros fronteiriços.

Como evoluíram os pedidos de refúgio no Brasil ao longo dos anos?

Os pedidos de refúgio no Brasil permaneceram baixos até o início dos anos 2010. Houve um aumento entre 2013 e 2015, impulsionado por haitianos e sírios, e atingiram picos entre 2018 e 2019. Em 2025, o país recebeu 75,6 mil novos pedidos, somando 165.774 pessoas reconhecidas como refugiadas e mais de meio milhão de solicitações desde 2010.


25 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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