Feminicídio em São Bernardo: ex-namorado mata mulher de 22 anos
Crime em São Bernardo do Campo se soma aos 1.518 feminicídios registrados no Brasil em 2025, um recorde histórico.
Um caso de feminicídio em São Bernardo do Campo chocou a população da cidade na noite desta quarta-feira (25). Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, foi morta pelo ex-namorado Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, dentro da joalheria onde trabalhava em um shopping.
Cássio, que não aceitava o fim do relacionamento, invadiu o estabelecimento armado com uma faca e uma arma de airsoft. Ele feriu Cibelle no pescoço, e a jovem não resistiu à gravidade dos ferimentos. A Polícia Militar (PM) prendeu o agressor em flagrante.
Ação Policial e Antecedentes do Crime
Equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil foram acionadas ao shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo, e encontraram o agressor mantendo a vítima refém dentro da loja. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que houve uma tentativa de negociação com Cássio. No entanto, ao apontar a arma para os policiais, o Grupo de Operações Especiais (GOE) interveio para conter a ameaça.
O agressor foi atingido na ação, socorrido e permaneceu hospitalizado sob escolta policial. O caso foi registrado como feminicídio e está sob investigação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Bernardo do Campo. Um detalhe alarmante é que Cibelle já havia registrado boletins de ocorrência contra Cássio e possuía uma medida protetiva de urgência decretada pela Justiça, o que não impediu a tragédia.
O shopping Golden Square se manifestou publicamente, lamentando o ocorrido e oferecendo apoio à família da vítima. “O shopping lamenta o caso de feminicídio contra a funcionária de uma de suas lojas e se solidariza à família. O shopping está oferecendo todo o apoio ao lojista, à família da vítima e está à disposição das autoridades”, diz a nota.
Cenário Preocupante de Violência Contra a Mulher
Este triste episódio de feminicídio em São Bernardo do Campo reflete um cenário alarmante de violência contra a mulher no Brasil. O país atingiu um número recorde de 1.518 vítimas de feminicídios em 2025, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Esse número representa uma média de quatro mortes por dia. No ano anterior, em 2024, o Brasil já havia registrado um recorde, com 1.458 vítimas.
O estado de São Paulo também segue essa tendência preocupante. Em 2025, São Paulo registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica em 2018. Foram 270 registros em todo o ano, o que representa um aumento de 6,7% em comparação com 2024, quando 253 casos foram contabilizados. Os dados estão disponíveis no site da Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP). Especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que o país vive um grave cenário de violência contra a mulher, onde casos como o de Cibelle infelizmente se tornam cada vez mais frequentes.
Desafios das Medidas Protetivas
O fato de Cibelle Monteiro Alves possuir uma medida protetiva contra seu agressor levanta questionamentos sobre a eficácia e os desafios na aplicação dessas ferramentas legais. As medidas protetivas de urgência são instrumentos previstos na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) para proteger mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Elas podem incluir o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima e seus familiares, e a restrição de frequentar determinados locais.
Apesar da sua importância, casos como o de São Bernardo do Campo demonstram que a existência de uma medida protetiva nem sempre é suficiente para garantir a segurança da vítima. A fiscalização e a conscientização sobre a gravidade do descumprimento dessas ordens judiciais são cruciais. É fundamental que a sociedade e as autoridades continuem a debater e aprimorar os mecanismos de proteção e prevenção à violência de gênero.
Repercussão e Investigação do Caso
A morte de Cibelle Monteiro Alves gerou grande comoção e repercussão nas redes sociais e na imprensa local. O crime no shopping de São Bernardo do Campo reacende o debate sobre a segurança em espaços públicos e a necessidade de políticas mais eficazes para combater a violencia contra mulher. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Bernardo do Campo prossegue com a apuração dos fatos, buscando esclarecer todos os detalhes do assassinato e responsabilizar o agressor. A expectativa é que o caso tenha um desfecho rápido e justo, servindo como um alerta para a urgência em proteger as vítimas e punir os agressores.
Perguntas Frequentes
O que é feminicídio?
Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido “por razões da condição de sexo feminino”, ou seja, quando o crime envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. É um tipo qualificado de homicídio, com pena mais alta.
Como funciona a medida protetiva de urgência?
A medida protetiva de urgência é uma ordem judicial que visa garantir a segurança da mulher em situação de violência. Ela pode determinar o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima, seus familiares e testemunhas, e a restrição de frequentar determinados locais.
Quais são os canais para denunciar casos de violência contra a mulher?
As denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher), pelo 190 (Polícia Militar em casos de emergência), ou presencialmente em delegacias, especialmente as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs).



