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Policia

Homem investigado por feminicídio é preso em Camamu após morte da companheira

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 20/07/2026 às 22:39
Divulgação/ Ascom PCBA
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 20 de julho de 2026, às 22:40

Um homem de 41 anos, investigado pelo feminicídio de Marília Domingas de Jesus Soares Santos, de 35 anos, foi preso em Camamu, Bahia, nesta quinta-feira (16). A vítima foi encontrada morta no domingo anterior, dia 12 de maio, na comunidade de Tabela, zona rural do município, com ferimentos provocados por arma branca.

A prisão preventiva, cumprida pela Polícia Civil da Bahia, marca um avanço significativo nas investigações. O suspeito, que era companheiro de Marília, havia deixado o local do crime e estava sendo procurado pelas autoridades desde a descoberta do corpo.

As equipes da Delegacia Territorial de Camamu (DT/Camamu), unidade que integra a 5ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Valença), foram responsáveis pela operação. Durante as diligências iniciais, um aparelho celular pertencente ao investigado foi apreendido nas proximidades da residência onde o corpo de Marília foi encontrado, tornando-se uma peça fundamental na apuração.

Em seu depoimento, o homem alegou ter agido em legítima defesa, afirmando que atingiu a companheira com um golpe de faca durante uma luta corporal. Essa versão dos fatos será rigorosamente confrontada com os depoimentos de testemunhas, os laudos periciais e todos os demais elementos que compõem o inquérito policial.

Prisão Preventiva: Detalhes da Operação em Camamu

A expedição e o cumprimento do mandado de prisão preventiva representam uma medida cautelar importante no sistema jurídico brasileiro. Ela é decretada quando há indícios suficientes de autoria e materialidade de um crime grave, e quando a liberdade do investigado pode representar risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. No caso de feminicídio, a gravidade do delito frequentemente justifica a adoção dessa medida para garantir a lisura das investigações e a segurança da sociedade.

A ação da Polícia Civil em Camamu demonstra a celeridade e a seriedade com que esses casos são tratados. A Delegacia Territorial atua na investigação de crimes ocorridos em sua jurisdição, enquanto a Coorpin coordena as atividades de diversas delegacias em uma região, garantindo a integração e o suporte necessários para grandes operações. A colaboração entre essas unidades é crucial para a elucidação de crimes complexos como o feminicídio.

O trabalho investigativo é multifacetado, abrangendo desde a perícia no local do crime até a coleta de depoimentos e a análise de evidências digitais. A apreensão do celular do suspeito, por exemplo, pode revelar comunicações, histórico de localização e outros dados que auxiliam na reconstrução dos eventos que levaram à morte de Marília Domingas.

Entenda o Crime de Feminicídio no Brasil

O feminicídio é uma qualificadora do crime de homicídio, introduzida no Código Penal brasileiro pela Lei nº 13.104/2015. Essa legislação reconhece a gravidade e a especificidade dos assassinatos de mulheres cometidos em razão da condição de sexo feminino. Isso significa que o crime não é apenas um homicídio, mas um ato de violência extrema motivado por questões de gênero, muitas vezes inserido no contexto de violência doméstica e familiar ou de menosprezo e discriminação à condição de mulher.

A lei estabelece que o feminicídio ocorre quando o assassinato envolve:
– Violência doméstica e familiar contra a mulher.
– Menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

A pena para o feminicídio é mais severa do que a do homicídio simples, variando de 12 a 30 anos de reclusão, podendo ser aumentada em algumas situações, como se o crime for cometido durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto, contra pessoa menor de 14 anos, maior de 60 anos, com deficiência ou portadora de doenças crônicas que impliquem em limitação. A criação dessa lei foi um marco importante para dar visibilidade a essa forma brutal de violência e para fortalecer o combate à impunidade.

No contexto brasileiro, o feminicídio é uma triste realidade que exige constante atenção das autoridades e da sociedade. A legislação específica busca não apenas punir, mas também coibir a cultura de violência de gênero, reforçando que a vida das mulheres deve ser protegida e valorizada.

A Versão do Suspeito e os Próximos Passos da Investigação

A alegação de legítima defesa apresentada pelo suspeito é um ponto crucial que será minuciosamente investigado. No direito penal, a legítima defesa é uma excludente de ilicitude, ou seja, se comprovada, pode fazer com que o ato não seja considerado crime. Para ser configurada, a ação deve ter sido praticada para repelir uma agressão injusta, atual ou iminente, usando moderadamente os meios necessários. A complexidade reside em determinar se as circunstâncias descritas pelo homem de fato se encaixam nesses critérios legais.

A polícia e o Ministério Público analisarão detalhadamente as evidências para verificar a compatibilidade entre a versão do suspeito e os fatos apurados.

Os próximos passos da investigação incluem:
– Análise aprofundada dos depoimentos de todas as pessoas envolvidas ou que possam ter informações relevantes.
– Exame minucioso dos laudos periciais, incluindo o de necropsia da vítima, que determinará a causa exata da morte e as características dos ferimentos, e o laudo do local do crime, que pode indicar a dinâmica dos acontecimentos.
– Investigação de evidências digitais, como o aparelho celular apreendido, que pode conter mensagens, registros de chamadas ou outras informações que ajudem a contextualizar o relacionamento e os eventos anteriores ao crime.
– Levantamento de informações sobre o histórico do relacionamento do casal, buscando identificar possíveis episódios anteriores de violência.

Após a conclusão do inquérito policial, o relatório será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se há elementos suficientes para oferecer uma denúncia formal à Justiça. Em caso de denúncia, o homem será processado e terá a oportunidade de apresentar sua defesa em juízo. A Justiça, por sua vez, analisará todas as provas e argumentos para proferir uma sentença.

Perguntas Frequentes

O que é um mandado de prisão preventiva?

O mandado de prisão preventiva é uma ordem judicial que determina a detenção de uma pessoa antes do julgamento final. Diferente da prisão temporária, que tem prazo determinado, a preventiva não tem prazo fixo e é decretada quando há indícios de crime grave e a liberdade do suspeito pode prejudicar a investigação, a ordem pública ou a aplicação da lei.

Qual a importância da Lei do Feminicídio?

A Lei nº 13.104/2015, conhecida como Lei do Feminicídio, é crucial porque tipifica o assassinato de mulheres por razões de gênero como um crime hediondo. Ela visa dar visibilidade e maior rigor na punição desses crimes, reconhecendo que a violência contra a mulher tem raízes sociais e culturais profundas, e buscando combater a impunidade e proteger a vida feminina.

Como a legítima defesa é avaliada em casos de feminicídio?

A alegação de legítima defesa em casos de feminicídio é avaliada com extremo rigor pela justiça. É necessário que o agressor comprove que agiu para repelir uma agressão injusta, atual ou iminente, utilizando meios moderados. As autoridades analisam cuidadosamente os laudos periciais, depoimentos e todas as evidências para determinar se a versão do suspeito é compatível com os fatos e se os requisitos legais da legítima defesa foram preenchidos.

Quais são os próximos passos da investigação após a prisão?

Após a prisão, a investigação prossegue com a coleta de mais provas, como novos depoimentos, análises de laudos periciais e de evidências digitais (como o celular apreendido). O objetivo


20 de julho de 2026|Fonte: SSP/BA|Foto: Divulgação/ Ascom PCBA|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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