Bahia

Estudantes da Bahia projetam inovação do semiárido em congresso

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 26/06/2026 às 07:58
Reprodução/Arquivo Pessoal
Leitura: 7 Min
Última Atualização: 26 de junho de 2026, às 07:58

Estudantes e professores de colégios estaduais da Bahia participam da Semana Europeia Espanhola de Ciência, Tecnologia e Sustentabilidade em Cuenca, Espanha, até esta sexta-feira (26). Eles apresentam pesquisas inovadoras sobre o semiárido, uma iniciativa viabilizada pelo Edital Da Bahia para o Mundo, da Secretaria da Educação do Estado (SEC).

A participação representa um marco significativo para a educação pública baiana, projetando a ciência desenvolvida em escolas de tempo integral para o cenário internacional. Os colégios envolvidos são o Nelson Maia, de Ponto Novo, e o Cecentino Pereira Maia, de Filadélfia, ambos localizados na região do Piemonte Norte do Itapicuru.

A delegação de Ponto Novo inclui os professores Diego Palmeira, Luana Moura e Rute Guimarães, além dos alunos Gustavo Maia, Nayanna Venâncio, Maria Eduarda Cerqueira, Natanael Araújo, Joana Assis e Maria Mirian Damasceno. Este grupo exibe dois projetos notáveis que exploram o potencial da flora local.

Os trabalhos apresentados são o “Cellora”, um estudo sobre plantas do sertão para a produção de extrato com potencial anticâncer pulmonar, e o “Naturaserena”, uma pomada natural à base de óleo de folhas de caju e licuri, desenvolvida para alívio da cólica menstrual. As iniciativas destacam a riqueza da biodiversidade da Caatinga.

A professora Luana Moura enfatizou que a experiência fortalece a cultura local e expande a internacionalização das pesquisas. Permite, segundo ela, que os jovens compartilhem conhecimentos valiosos sobre o semiárido com uma audiência global.

Os projetos do Clube de Ciências Lampião Científico focam na valorização da Caatinga e de suas plantas medicinais. Para a professora Rute Guimarães, a presença dos estudantes em um evento europeu simboliza uma conquista histórica e fonte de inspiração para toda a comunidade escolar.

O estudante Gustavo Maia expressou a gratificação de apresentar a produção científica da escola em outro continente. Ele ressaltou que a participação demonstra a força da educação pública baiana.

As alunas Maria Mirian Damasceno e Joana Assis também celebraram a oportunidade de representar a Bahia internacionalmente. Elas afirmaram que o compartilhamento dos resultados reforça a importância da ciência e a qualidade do ensino recebido. A experiência, para elas, ampliou horizontes e incentivou outros colegas a investir na produção de conhecimento.

O Colégio Estadual de Tempo Integral Cecentino Pereira Maia, de Filadélfia, contribui para o congresso com o projeto “Likuê”. Esta iniciativa consiste em uma bebida vegetal da agricultura familiar, apresentada como alternativa ao leite de vaca e instrumento de empoderamento feminino.

Desenvolvido pela professora Keiliane Almeida e pelos alunos Kawane Gomes e Marcos Vinícius Paixão, o Likuê utiliza o licuri como base. O projeto promove a bioeconomia, a preservação ambiental e a geração de renda, ao mesmo tempo em que valoriza os saberes das mulheres quebradeiras de licuri.

A educadora Leiliane Oliveira apontou que o projeto transforma conhecimento tradicional em inovação científica e desenvolvimento sustentável para o território. Ela sublinhou, ainda, o papel decisivo da iniciação científica na formação dos jovens.

Quando os estudantes percebem que podem transformar desafios comunitários em soluções concretas, tornam-se protagonistas de suas próprias trajetórias, completou a orientadora. A estudante Kawane Gomes destacou que levar o Likuê para a Espanha demonstra que a ciência produzida no interior da Bahia pode, de fato, ultrapassar fronteiras e transformar vidas.

A presença dos grupos no congresso internacional reafirma o potencial da escola pública estadual na produção de conhecimento, inovação e desenvolvimento social.

Inovação do Semiárido: Projetos que Cruzam Fronteiras

A participação dos estudantes baianos na Semana Europeia Espanhola de Ciência, Tecnologia e Sustentabilidade é um testemunho da capacidade de inovação presente no interior do Brasil. Os projetos “Cellora”, “Naturaserena” e “Likuê” não são apenas pesquisas; eles representam soluções práticas para desafios locais e globais.

O projeto Cellora, por exemplo, investiga plantas do sertão com potencial para desenvolver extratos anticâncer pulmonar. Essa abordagem ressalta a importância da bioprospecção, a busca por novos compostos em organismos naturais. A pesquisa pode ter implicações futuras para a medicina e a farmacologia, utilizando a biodiversidade da Caatinga.

Já o Naturaserena oferece uma solução natural para um problema comum, utilizando o caju e o licuri. A criação de uma pomada para alívio da cólica menstrual demonstra a aplicação direta da ciência para melhorar a qualidade de vida. Ambos os projetos de Ponto Novo são exemplos de como o conhecimento tradicional pode ser validado e potencializado pela pesquisa científica.

Por outro lado, o Likuê do colégio de Filadélfia vai além de uma bebida vegetal. Ele simboliza o empoderamento feminino e a bioeconomia. Ao transformar o licuri em uma alternativa ao leite de vaca, os estudantes promovem um produto sustentável, valorizam a agricultura familiar e criam novas oportunidades de renda para as comunidades, especialmente as mulheres quebradeiras.

O Edital “Da Bahia para o Mundo” e o Impulso à Ciência

A viabilização dessa viagem por meio do Edital Da Bahia para o Mundo, da Secretaria da Educação do Estado (SEC), é um pilar fundamental para a internacionalização da ciência baiana. O programa financia a participação de projetos de escolas estaduais em eventos nacionais e internacionais.

Essa iniciativa é crucial para democratizar o acesso à pesquisa e à inovação para estudantes de regiões menos favorecidas. Ela oferece uma plataforma para que talentos emergentes possam apresentar suas ideias, trocar experiências e expandir suas visões de mundo.

O investimento em programas como o Edital Da Bahia para o Mundo tem um impacto profundo na formação dos jovens. Ele não apenas estimula a pesquisa e o pensamento crítico, mas também desenvolve habilidades socioemocionais, como liderança, comunicação e resiliência. A experiência de apresentar um trabalho em um congresso internacional, como na Espanha, é transformadora para a trajetória acadêmica e profissional dos participantes.

Semiárido Baiano: Biodiversidade e Saberes Tradicionais em Destaque

Os projetos apresentados pelos estudantes da Bahia ressaltam a riqueza e a complexidade do semiárido baiano e da Caatinga, seu bioma exclusivo no Brasil. A Caatinga é um ecossistema adaptado a longos períodos de seca, abrigando uma biodiversidade singular de fauna e flora.

* Características marcantes da Caatinga:
– Vegetação com folhas caducas para reduzir a perda de água.
– Plantas com espinhos e cactáceas adaptadas à aridez.
– Grande diversidade de espécies endêmicas.

A pesquisa sobre plantas medicinais da Caatinga, como as exploradas no “Cellora” e “Naturaserena”, demonstra o vasto potencial desse bioma para a descoberta de novos fármacos e produtos naturais. O conhecimento tradicional das comunidades locais, muitas vezes transmitido por gerações, é um tesouro inestimável para a ciência moderna.

O licuri (Syagrus coronata), ingrediente central do projeto “Likuê”, é um exemplo emblemático da importância socioeconômica e ambiental da Caatinga. Esta palmeira nativa é uma fonte vital de alimento, óleo e fibras para as comunidades locais.

As mulheres quebradeiras de licuri desempenham um papel crucial na preservação dos saberes e práticas relacionadas ao manejo sustentável dessa palmeira. Seus conhecimentos ancestrais são a base para o desenvolvimento de produtos inovadores e sustentáveis, como a bebida vegetal. A valorização de suas práticas tradicionais contribui para o desenvolvimento regional e a segurança alimentar.

A integração entre ciência, tecnologia e sustentabilidade, como demonstrado pelos estudantes, é essencial para enfrentar os desafios do semiárido. Isso inclui a adaptação às mudanças climáticas, a segurança hídrica e o desenvolvimento de modelos econômicos que respeitem os limites ambientais. A inovação gerada nas escolas públicas mostra um caminho promissor para um futuro mais sustentável na região.

Perguntas Frequentes

O que é o Edital “Da Bahia para o Mundo”?

O Edital “Da Bahia para o Mundo” é um programa da Secretaria da Educação do Estado (SEC) da Bahia que financia a participação de projetos de escolas da rede estadual em eventos científicos nacionais e internacionais. Seu objetivo é promover a internacionalização da ciência produzida na educação pública e incentivar a pesquisa entre os jovens.

Quais são os principais projetos apresentados pelos estudantes?

Os estudantes apresentaram três projetos principais. Do Colégio Nelson Maia, de Ponto Novo, foram o “Cellora“, que estuda plantas do sertão para um extrato anticâncer, e o “Naturaserena“, uma pomada natural para cólica menstrual. Do Colégio Cecentino Pereira Maia, de Filadélfia, o projeto “Likuê“, uma bebida vegetal de licuri alternativa ao leite de vaca.

Por que a região do semiárido é importante para essas pesquisas?

O semiárido baiano e seu bioma exclusivo, a Caatinga, são importantes para essas pesquisas devido à sua rica e única biodiversidade. A flora local possui grande potencial para a descoberta de plantas medicinais e recursos sustentáveis. Além disso, a região detém saberes tradicionais valiosos que, quando combinados com a ciência, geram soluções inovadoras para desafios locais e globais.


26 de junho de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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