Empresa Lins atrasa pagamento e vira alvo de denúncia em obra do hospital de Carinhanha

Um fornecedor registrou ocorrência na Delegacia Territorial de Carinhanha, sudoeste da Bahia, acusando a Lins Serviços LTDA de não pagar R$ 10 mil referentes à compra de 15 mil blocos para a obra de ampliação do Hospital Municipal Maria Pereira Costa (Dona Quinha). O valor deveria ter sido quitado em quinze dias, mas, segundo o denunciante, o prazo já ultrapassa 90 dias.
De acordo com o boletim de ocorrência, apenas R$ 5 mil foram repassados pela empresa. O restante permanecia em aberto, motivando o registro policial para garantir provas de inadimplência. O fornecedor relatou que, após diversas tentativas de cobrança, decidiu formalizar a queixa para resguardar o direito de reaver o montante pendente.
Em entrevista ao Portal Folha do Vale, o vendedor afirmou que conversou com Bruno, responsável pela Lins Serviços, e recebeu autorização para retirar parte do material não utilizado, além de recolher algumas betoneiras como garantia. Ele justificou que levou os equipamentos para evitar prejuízo maior, temendo posteriormente ser acusado de furto caso não houvesse documentação que comprovasse o acordo verbal.
O caso expôs dificuldades financeiras da construtora no canteiro do Hospital Dona Quinha, investimento orçado em aproximadamente R$ 4 milhões. O secretário municipal de Obras, Raimundo Primo, declarou que a intervenção é custeada pelo Governo da Bahia, cabendo ao município apenas medir os serviços executados e autorizar pagamentos estaduais. “Não há serviço entregue, logo não há medição a ser liberada”, ressaltou.
Primo acrescentou que a obra apresenta atraso significativo e atribuiu o problema à falta de capital de giro da contratada. Para o secretário, é “incompatível” uma empresa vencer licitação milionária e, em seguida, não dispor de recursos para honrar compromissos com fornecedores ou empregados.
A reportagem do Folha do Vale entrou em contato com Bruno na manhã de segunda-feira, 25, quando o responsável solicitou prazo até o fim do dia para apresentar posicionamento. O retorno prometido não ocorreu. No dia seguinte, ele afirmou ter aguardado a equipe de imprensa, mas não formalizou explicações sobre a dívida ou sobre o cronograma de execução da obra.
Questionado, o Governo do Estado da Bahia ainda não se manifestou sobre o impasse contratual nem forneceu atualização sobre repasses financeiros ou eventuais penalidades à Lins Serviços LTDA. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
Iniciada para ampliar a capacidade de atendimento do Hospital Municipal Maria Pereira Costa, referência regional, a obra envolve construção de novos leitos, readequação de setores e modernização de infraestrutura. Moradores relatam preocupação com a paralisação frequente dos trabalhos e com a possibilidade de novos atrasos provocados por pendências financeiras.
Enquanto não ocorre a quitação do débito, o fornecedor mantém posse dos equipamentos recolhidos como garantia, temendo prejuízo definitivo. Ele sustenta que apenas devolverá os maquinários quando receber integralmente o valor acordado, posição que reforça o impasse entre as partes.
Autoridades locais acompanham o caso, mas, até o momento, não há definição sobre medidas administrativas ou judiciais. Se confirmada inadimplência prolongada, a construtora pode ser alvo de sanções previstas na Lei de Licitações, incluindo multa e impedimento de contratar com o poder público.
O Portal Folha do Vale continua monitorando a situação e reforça que disponibiliza canal aberto para manifestação da Lins Serviços LTDA, do Governo da Bahia e de demais envolvidos no projeto.
Crédito Foto: Portal Folha do Vale
Fonte das informações: Folha do Vale




