Santa Catarina decreta alerta climático contra efeitos do El Niño

O governo de Santa Catarina, sob liderança do governador Jorginho Mello, decretou alerta climático por 180 dias nesta...
Por Redação
19/05/2026 às 06h27 Atualizado há 2 horas
Valter Campanato/Agência Brasil

O governo de Santa Catarina, sob liderança do governador Jorginho Mello, decretou alerta climático por 180 dias nesta segunda-feira. A medida preventiva visa fortalecer ações de monitoramento e resposta rápida a chuvas e alagamentos, antecipando os impactos do El Niño na região.

Santa Catarina ativa plano preventivo contra o El Niño

A decisão de estabelecer o estado de alerta climático, assinada pelo governador Jorginho Mello, representa uma ação proativa do governo de Santa Catarina. O decreto tem validade de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, e se estende até o mês de novembro. Diferente de um decreto de situação de emergência ou de estado de calamidade pública, esta medida é estritamente preventiva. Seu principal objetivo é permitir a mobilização antecipada dos órgãos estaduais. Com isso, busca-se intensificar as ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida diante da iminência de eventos climáticos extremos.

O estado de Santa Catarina, conhecido por sua vulnerabilidade a fenômenos meteorológicos, já enfrentou grandes enchentes em seu histórico recente. Eventos como os de 1983 e 2023, provocados diretamente pelo El Niño, servem como um lembrete da necessidade de preparação contínua. A experiência passada impulsiona a busca por estratégias mais eficazes para mitigar danos e proteger a vida dos cidadãos. O atual decreto reflete essa aprendizagem, focando na antecipação e na coordenação de esforços.

Estratégias de monitoramento e recursos para resposta

Para fortalecer a capacidade de resposta do estado, o governo de Santa Catarina planeja investimentos significativos. Serão direcionados recursos para o aprimoramento do monitoramento climático, a capacitação de equipes técnicas e a modernização de barragens existentes. Essas ações são consideradas cruciais para a gestão de riscos hídricos e para a proteção de infraestruturas essenciais em cenários de alta precipitação. O enfoque na infraestrutura de barragens, por exemplo, é vital para o controle de cheias em rios e bacias hidrográficas.

O decreto também estabelece critérios objetivos claros para que os municípios atingidos possam declarar situação de emergência. Essa padronização agiliza o processo de solicitação de apoio e a liberação de recursos em momentos críticos. Os critérios incluem:

Índices elevados de chuva: Precipitação superior a 80 milímetros em um período de 24 horas.
Desabrigamento de famílias: Pessoas que precisam deixar suas casas devido aos riscos.
Interrupção de serviços essenciais: Como abastecimento de água, energia elétrica ou acesso a vias.
Deslizamentos de terra: Ocorrências que ameaçam a segurança de residências e comunidades.
Alertas de nível laranja ou vermelho: Emitidos pela Defesa Civil estadual, indicando risco moderado a muito alto.

Além disso, a medida prevê a mobilização de servidores estaduais para apoio direto às ações da Defesa Civil. Essa força-tarefa multidisciplinar é fundamental para ampliar a capacidade operacional e o alcance das iniciativas preventivas e de resposta. O uso de recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) também foi autorizado para custear medidas preventivas e operacionais. Isso assegura que haja verba disponível para as ações necessárias sem burocracia excessiva em momentos de urgência.

O fenômeno El Niño: previsões e impactos esperados

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pela alteração da temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento impacta os padrões de vento e chuva em diversas partes do globo, incluindo o Brasil. Estudos recentes, tanto de órgãos nacionais quanto da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência do governo dos Estados Unidos, indicam uma probabilidade acima de 80% de ocorrência do El Niño já em julho. No início de maio, a situação era de neutralidade climática, mas a expectativa é de um aquecimento superior a meio grau a partir do meio do ano.

Para o Sul do Brasil, as projeções geralmente apontam para um aumento no volume de chuvas, o que eleva o risco de enchentes e deslizamentos. Institutos ligados ao Ministério da Agricultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação têm alertado para esses riscos. Eles também indicam a possibilidade de maior dificuldade na produção de alimentos, com instabilidade para culturas alimentares importantes como arroz, feijão e milho, devido às condições climáticas adversas.

É importante notar que, embora um episódio do El Niño seja esperado para julho, a previsão atual da NOAA sugere que a maior intensidade do fenômeno possa ocorrer entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também divulgou análises atualizadas, apontando para a “possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño ao longo de 2026, com maior probabilidade de atuação durante a primavera deste ano e o verão de 2027”. Essas projeções de longo prazo demonstram a complexidade e a recorrência do fenômeno, exigindo planos contínuos de adaptação e mitigação.

O boletim mais recente da NOAA, da última sexta-feira, indica um risco aumentado de mais de dois graus de variação entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027. Essa perspectiva levou a um alerta para a costa oeste dos Estados Unidos, que se prepara para temporais mais intensos e inundações. Segundo o órgão, a elevação da temperatura média dos oceanos, o aumento de sua altura e a força do El Niño coincidem. Essa combinação pode levar a uma maior incidência de desastres naturais em escala global, destacando a importância das ações preventivas adotadas por Santa Catarina.

Perguntas Frequentes

O que é o alerta climático decretado em Santa Catarina?
O alerta climático é uma medida preventiva adotada pelo governo de Santa Catarina por 180 dias. Seu objetivo é fortalecer as ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida a eventos extremos, como chuvas e alagamentos, especialmente devido à influência do El Niño. Não se trata de um estado de emergência, mas sim de uma preparação antecipada.

Qual a diferença entre alerta climático e estado de emergência?
O alerta climático é uma fase preventiva que permite a mobilização de recursos e planejamento antes que um desastre ocorra. Já o estado de emergência é declarado quando um evento adverso já causou danos e perdas, exigindo uma resposta imediata e a liberação de auxílio emergencial para as áreas afetadas.

Quais são os impactos previstos do El Niño para Santa Catarina?
Para Santa Catarina, o El Niño geralmente significa um aumento na probabilidade de chuvas acima da média. Isso eleva o risco de enchentes e deslizamentos de terra, como já ocorreu em anos anteriores. Há também alertas para possíveis dificuldades na produção agrícola devido à instabilidade climática.


19 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Valter Campanato/Agência Brasil|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗