Durigan defende taxar ultrarricos e impulsiona debate global no G7

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (18), em Paris, o avanço da discussão internacional sobre...
Por Redação
19/05/2026 às 04h57 Atualizado há 1 hora
Paulo Pinto/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (18), em Paris, o avanço da discussão internacional sobre a taxação de grandes fortunas, propondo a inclusão do tema nas pautas do G7, grupo que reúne as sete democracias mais ricas do planeta. A iniciativa brasileira busca promover a justiça tributária global em um contexto de crescentes desigualdades econômicas.

Durante sua viagem à França para reuniões preparatórias da cúpula das maiores economias desenvolvidas, Durigan participou de um evento promovido pela revista Le Grand Continent. O ministro esteve ao lado do economista francês Gabriel Zucman, um dos principais defensores da criação de um imposto mínimo global sobre bilionários.

Brasil impulsiona debate sobre taxação global de fortunas

A defesa da taxação de grandes fortunas por parte do Brasil reflete uma preocupação crescente com a desigualdade econômica em escala global. Durigan expressou sua forte disposição em liderar esse debate, afirmando que é uma discussão fundamental para os tempos atuais. “Eu sou muito disposto a levar esse debate porque é um debate do nosso tempo. Agora, se tiver espaço para discutir justiça tributária, eu sou o primeiro a topar”, destacou o ministro.

O encontro em Paris reuniu acadêmicos, políticos e representantes do setor econômico francês para discutir a tributação internacional e a mitigação da desigualdade. A proposta de Gabriel Zucman, um nome influente nesse campo, prevê um imposto mínimo global de 2% sobre patrimônios que superem os US$ 100 milhões. Zucman, inclusive, colaborou com o governo brasileiro durante a presidência do G20 em 2024, reforçando a aliança em torno do tema. O G20 é composto pelas 19 maiores economias do planeta, além da União Europeia e da União Africana.

A inclusão da taxação de ultrarricos na agenda do G7, mesmo que inicialmente como um tema paralelo, representa um avanço significativo. Isso porque o G7, composto por países como Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, tem um peso considerável nas decisões econômicas globais. A posição do Brasil, um país em desenvolvimento, reforça a urgência e a legitimidade do debate em fóruns de alto nível. A iniciativa visa buscar mecanismos que garantam que os indivíduos com maior capacidade contributiva participem de forma mais equitativa no financiamento dos serviços públicos e na redução das disparidades sociais.

Reformas tributárias e resistência internacional

Durigan aproveitou a oportunidade para destacar a experiência recente do Brasil na área da reforma tributária. Em 2025, o país aprovou uma reforma do Imposto de Renda que estabeleceu uma alíquota mínima progressiva sobre super-ricos. Segundo informações da Fazenda, essa medida tem potencial para alcançar cerca de 142 mil pessoas, representando um passo concreto na direção da justiça fiscal em âmbito nacional.

Apesar do apoio do Brasil e da crescente discussão em fóruns como o G20, o tema da taxação de ultrarricos enfrenta considerável resistência internacional. Os Estados Unidos, por exemplo, têm se posicionado contra propostas de impostos globais sobre grandes fortunas. A complexidade de implementar um sistema tributário global para bilionários envolve questões de soberania fiscal, risco de fuga de capitais e a necessidade de cooperação entre diferentes jurisdições.

Na própria França, onde o debate foi realizado, um projeto semelhante ao proposto por Zucman foi rejeitado pelo Senado francês. A proposta francesa previa uma taxação anual de 2% sobre patrimônios superiores a 100 milhões de euros. A experiência francesa ilustra as dificuldades políticas e econômicas inerentes à implementação de tais medidas, mesmo em países com forte tradição de bem-estar social. No entanto, o fato de a discussão ter ganhado espaço no G20, especialmente durante a cúpula realizada no Rio de Janeiro, demonstra que o tema está ganhando tração e não pode ser ignorado.

Estratégia brasileira de investimentos e minerais

Durante sua passagem por Paris, Durigan também focou em reforçar a imagem do Brasil como um destino atraente para investimentos estrangeiros. O ministro enfatizou que o país vive um momento favorável, em contraste com as tensões internacionais que afetam outras regiões. “Os ativos brasileiros ainda me parecem interessantes, como estão ainda baratos, me parece, uma chamada para investimento no Brasil”, declarou.

Além de buscar novos investimentos, Durigan ressaltou o vasto potencial do Brasil na produção de minerais críticos. Estes minerais são considerados estratégicos para a indústria tecnológica global e para a transição energética mundial. O Brasil possui reservas significativas de:

– Terras raras: Elementos essenciais para eletrônicos e tecnologias verdes.
– Nióbio: Utilizado em ligas metálicas de alta resistência e em supercondutores.
– Grafeno: Material com propriedades excepcionais, promissor para diversas aplicações tecnológicas.

O ministro enfatizou a necessidade de um novo marco regulatório que garanta segurança jurídica e procedimentos céleres e seguros para a exploração e industrialização desses recursos. “É fundamental dar segurança jurídica, por isso um novo marco que garanta procedimentos céleres e seguros”, afirmou Durigan. A diretriz governamental é “reforçar esse papel e avançar para um estímulo à industrialização desses minerais no Brasil”, buscando agregar valor e gerar empregos no país. Antes de retornar ao Brasil, Durigan tem agendada uma reunião com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), também em Paris, reforçando a importância da agenda energética.

G7 e os desafios geopolíticos globais

Embora a taxação dos ultrarricos tenha dominado parte dos debates paralelos ao G7, a principal preocupação dos ministros das Finanças continua sendo o impacto econômico da guerra no Oriente Médio. A instabilidade na região, especialmente os riscos para o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, gera apreensão nos mercados globais. Durigan destacou a importância de ouvir as perspectivas de outros países. “Tem sido muito importante ouvir os ministros e as lideranças de outros países, que estão sentindo o impacto da guerra de uma outra perspectiva”, disse o ministro.

Em relação à crise energética, o ministro voltou a defender a adoção de “subsídios limitados” aos combustíveis. Essa medida visa mitigar as consequências da crise sobre os preços domésticos, protegendo o poder de compra da população. A agenda oficial do G7 também inclui discussões cruciais sobre inflação global, segurança energética e estabilidade geopolítica. A presença de Durigan nessas discussões sublinha o papel ativo do Brasil em questões de relevância internacional, buscando soluções para desafios que afetam a economia mundial. O ministro encerra sua agenda em Paris na terça-feira (19).

Perguntas Frequentes

Por que o Brasil defende a taxação de ultrarricos no G7?
O Brasil, representado pelo ministro Dario Durigan, defende a taxação de ultrarricos para promover a justiça tributária global e combater a crescente desigualdade econômica. A proposta busca que indivíduos com maiores fortunas contribuam de forma mais equitativa, refletindo a experiência recente do Brasil com sua própria reforma tributária.

Qual a proposta de imposto mínimo global sobre bilionários mencionada?
A proposta, defendida pelo economista Gabriel Zucman, sugere um imposto mínimo global de 2% sobre patrimônios que excedam US$ 100 milhões. Essa ideia tem sido discutida em fóruns como o G20, onde Zucman colaborou com o governo brasileiro.

Quais outros temas foram abordados por Durigan em Paris, além da taxação?
Dario Durigan também focou em reforçar a imagem do Brasil como destino de investimentos estrangeiros e destacou o potencial do país em minerais críticos, como terras raras, nióbio e grafeno. Além disso, participou de discussões sobre o impacto econômico da guerra no Oriente Médio, inflação global e segurança energética.


19 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗