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Dólar recua para R$ 5,08 e beneficia bolso do brasileiro

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 20/07/2026 às 23:27
Leitura: 5 Min
Última Atualização: 20 de julho de 2026, às 23:27

O dólar comercial registrou nova queda, fechando abaixo de R$ 5,09 nesta sessão, impulsionado pela atratividade dos juros elevados no Brasil e pela valorização internacional do petróleo. Enquanto isso, a bolsa de valores brasileira acumulou a quarta sessão consecutiva de perdas, pressionada principalmente por ações do setor de mineração.

A moeda americana encerrou o pregão cotada a R$ 5,089, refletindo uma desvalorização de 0,42% no dia. Este movimento coloca o dólar em um patamar de 1,42% de queda no acumulado de julho. Para o ano de 2026, conforme a informação fornecida, a desvalorização em relação ao real é de 7,28%. A performance da divisa brasileira chamou atenção, especialmente por se valorizar frente a moedas de países emergentes, mesmo em um contexto onde o dólar ganhava força contra as divisas de economias mais avançadas.

No início do dia, a cotação do dólar chegou a operar acima de R$ 5,11. No entanto, a moeda começou a recuar após a divulgação de que mediadores internacionais apresentaram novas propostas para aliviar as tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Tal expectativa reduziu a busca global por ativos considerados mais seguros, como o próprio dólar em momentos de incerteza geopolítica, favorecendo moedas de mercados emergentes.

Juros Altos e o Impacto no Câmbio

Internamente, a persistente e significativa diferença entre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos continuou a ser um pilar de sustentação para o real. Este cenário é propício para as chamadas operações de carry trade, uma estratégia comum no mercado financeiro global. Nela, investidores buscam recursos em nações com juros baixos para aplicar em economias que oferecem taxas de retorno mais elevadas. Essa prática aumenta a demanda por reais, contribuindo para sua valorização frente ao dólar.

Para entender melhor, o carry trade capitaliza a diferença (spread) nas taxas de juros. Se um investidor toma um empréstimo em ienes no Japão, onde os juros são quase zero, e investe esse montante em títulos brasileiros que pagam juros de, por exemplo, 10% ao ano, ele obtém um lucro com essa diferença. Se muitos investidores fazem isso, a demanda pelo real aumenta, fortalecendo a moeda brasileira. Essa estratégia, contudo, envolve riscos cambiais e de taxa de juros.

Além dos juros, a escalada nos preços do petróleo no mercado internacional também contribuiu para o fortalecimento da moeda brasileira. A valorização da commodity melhora as perspectivas para a entrada de dólares no país, especialmente através das exportações. Um cenário de petróleo mais caro beneficia as exportações de produtos da indústria extrativa, que historicamente representam uma parcela considerável da pauta brasileira. Grandes empresas exportadoras de petróleo e minério, por exemplo, recebem em dólares e precisam converter para reais, injetando moeda estrangeira na economia.

A balança comercial brasileira também apresentou números favoráveis, reforçando o otimismo. Na terceira semana de julho, o país registrou um superávit de US$ 526,3 milhões. As exportações brasileiras demonstraram vigor, crescendo 6,7% no acumulado do mês, impulsionadas principalmente pelo desempenho robusto da indústria extrativa. Um superávit na balança comercial significa que o Brasil exportou mais bens e serviços do que importou, resultando em um fluxo líquido de dólares para o país e, consequentemente, contribuindo para a valorização do real e o aumento das reservas cambiais.

Bolsa em Queda e a Cautela dos Investidores

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, encerrou o pregão em queda de 0,20%, atingindo 173.371,35 pontos. Com este resultado, o índice registrou sua quarta sessão consecutiva de perdas, refletindo um período de maior cautela entre os investidores. Pela manhã, o Ibovespa chegou a ultrapassar a marca dos 174 mil pontos, impulsionado pela mesma expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã que influenciou o câmbio.

No entanto, o otimismo inicial perdeu força no decorrer da tarde. Declarações do ex-presidente americano Donald Trump endurecendo o discurso contra Teerã reacenderam as preocupações geopolíticas, elevando novamente a percepção de risco nos mercados globais. A incerteza em torno da estabilidade no Oriente Médio tende a afastar investidores de ativos de maior risco, como as ações de países emergentes, e a direcioná-los para portos mais seguros, como títulos do tesouro americano ou o ouro.

Apesar da alta das ações da Petrobras, que foram favorecidas pelo avanço nos preços do petróleo, o bom desempenho da gigante estatal não foi suficiente para compensar as perdas significativas em outras empresas. O setor de mineração, em particular, registrou quedas expressivas, atuando como um dos principais pesos para o desempenho negativo do Ibovespa no dia. A volatilidade nos preços de commodities, somada às incertezas econômicas e políticas, impacta diretamente as empresas do setor, refletindo-se em seus valores de mercado.

Petróleo em Meio a Tensões Geopolíticas

Os contratos internacionais de petróleo fecharam o dia em alta, após uma sessão marcada por oscilações e incertezas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio. O barril de Brent, referência global para o mercado e para a precificação da Petrobras, avançou 1,27%, encerrando o dia cotado a US$ 89,22. Durante a sessão, o Brent chegou a superar brevemente a marca dos US$ 91, demonstrando a sensibilidade do mercado a qualquer notícia.

Já o barril de WTI (West Texas Intermediate), que é a referência para o petróleo negociado nos Estados Unidos, subiu 0,85%, fechando a US$ 82,48. Os preços da commodity perderam parte dos ganhos iniciais após o governo iraniano confirmar que recebeu propostas de mediadores


20 de julho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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