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OMS classifica doença renal crônica como prioridade global em 2023

Entidade alerta para o impacto ambiental e a necessidade de investimentos em educação e diagnóstico precoce da doença renal crônica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a doença renal crônica como prioridade global em 2023, alertando para sua natureza silenciosa. A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, especialmente no Dia Mundial do Rim, lembrado nesta quinta-feira (12). O reconhecimento internacional coloca a condição ao lado de outras doenças crônicas não transmissíveis, como cardiovasculares, diabetes e câncer, demandando maior atenção e investimentos em saúde pública.

Impacto e Prioridade Global da Doença Renal Crônica

A inclusão da doença renal crônica (DRC) entre as prioridades globais pela OMS, ocorrida em 2023, representa um marco significativo para o enfrentamento da enfermidade. Para a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), essa medida amplifica a visibilidade da DRC no cenário internacional. Além disso, ela reforça a necessidade urgente de investimentos em educação, estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e acesso a tratamentos eficazes.

Neste Dia Mundial do Rim, a SBN também enfatiza o impacto de fatores ambientais sobre o risco de desenvolver a doença renal ao longo da vida. A sustentabilidade, nesse contexto, vai além do tratamento. Ela engloba a promoção de práticas sustentáveis no cuidado renal e a redução de impactos ecológicos, especialmente nos serviços de saúde. Isso significa uma prevenção qualificada e a diminuição de exposições evitáveis desde os primeiros estágios da vida, conforme destacado pela instituição.

A Essencial Função dos Rins e Fatores de Risco

Os rins são órgãos vitais para o funcionamento do organismo, desempenhando um papel crucial na manutenção do equilíbrio metabólico. É o que explica o médico nefrologista Geraldo Freitas, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), em entrevista à Agência Brasil. Eles são responsáveis pela filtragem do sangue e pela eliminação de toxinas por meio da urina.

“Além disso, eles controlam nosso equilíbrio de eletrólitos ou sais do corpo, mantendo sódio, potássio e cálcio equilibrados para que a gente mantenha todo o funcionamento dos outros sistemas”, detalhou Freitas. O especialista complementa que os rins também produzem hormônios relacionados ao controle da pressão arterial.

No entanto, diversas condições podem comprometer o bom funcionamento dos rins ou até mesmo paralisar completamente a função renal. Segundo Freitas, há fatores de risco específicos que contribuem para o desenvolvimento da doença renal crônica. Entre os principais, destacam-se:

* Diabetes Mellitus: Uma das principais causas da DRC, o diabetes descontrolado danifica os pequenos vasos sanguíneos dos rins.
* Hipertensão Arterial Sistêmica: A pressão alta não controlada é outro grande vilão, pois força os rins a trabalhar em excesso, causando lesões.
* Histórico Familiar: Pessoas com parentes próximos que tiveram doença renal têm maior predisposição.
* Obesidade: O excesso de peso aumenta o risco de diabetes e hipertensão, impactando indiretamente a saúde renal.
* Sedentarismo e Tabagismo: Hábitos de vida pouco saudáveis contribuem para o desenvolvimento de condições que afetam os rins.
* Uso Crônico ou Inadequado de Medicamentos: Anti-inflamatórios não esteroidais e outros nefrotóxicos podem causar danos renais se usados de forma prolongada ou sem orientação.
* Doenças Cardiovasculares: Há uma forte ligação entre problemas cardíacos e renais, com uma condição agravando a outra.
* Infecções do Trato Urinário Recorrentes ou Obstrução Urinária: Infecções não tratadas ou bloqueios no fluxo da urina podem lesionar os rins.
* Desidratação Frequente e Consumo Inadequado de Água: A falta de hidratação adequada sobrecarrega os rins.

O médico reforça o alerta sobre alguns medicamentos nefrotóxicos que podem levar à perda da função renal ao longo do tempo. “Os mais relacionados com isso são os anti-inflamatórios não hormonais, que devem ser evitados de maneira geral. No caso de pacientes com doenças em que o uso é obrigatório, isso deve ser monitorado”, pontuou.

Sintomas e o Caminho para o Diagnóstico Precoce

Muitas vezes, a doença renal crônica progride de forma silenciosa, sem apresentar sintomas claros nas fases iniciais. “É frequente nos consultórios de nefrologia que os pacientes apareçam, já na primeira consulta, com perdas importantes da função renal”, afirma o nefrologista. Por essa razão, a identificação precoce de sinais de alerta é considerada fundamental para um tratamento eficaz.

A realização de exames de rastreio da função renal é crucial. Os mais básicos incluem a dosagem de creatinina no sangue e um exame de urina, com pesquisa de albuminúria (presença de albumina, uma proteína, na urina). “Com esses exames básicos, já é possível fazer o rastreio de alguma lesão ainda no início”, explica Freitas. Além disso, é importante aferir a pressão arterial regularmente e realizar exames de glicemia e hemoglobina glicada para avaliar uma possível diabetes.

Dentre os principais sintomas que indicam a necessidade de procurar ajuda médica, o nefrologista lista:

* Inchaço nas pernas, tornozelos e rosto.
* Urina muito escura e/ou espumosa.
* Mudança súbita no padrão urinário, incluindo aumento da frequência e urgência.
* Inversão do ritmo urinário, com maior volume de urina durante a noite (nictúria).
* Dor intensa no flanco (lateral do abdômen) ou cólicas renais.
* Fadiga excessiva e inexplicável.
* Perda de apetite acompanhada de náuseas e vômitos persistentes.
* Aumento persistente da pressão arterial, de difícil controle.
* Glicemias de difícil controle em pacientes diabéticos.
* Alterações neurológicas agudas, como confusão mental ou falta de ar súbita.

Ao identificar qualquer um desses sinais, a consulta com um médico nefrologista é indispensável para um diagnóstico preciso e início do tratamento adequado, prevenindo a progressão da doença e suas complicações.

Perguntas Frequentes

O que é doença renal crônica?

A doença renal crônica (DRC) é uma condição na qual os rins perdem progressivamente a capacidade de filtrar o sangue e eliminar toxinas do corpo, levando ao acúmulo de substâncias nocivas.

Quais são os principais fatores de risco para a DRC?

Diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica são os principais fatores de risco. Outros incluem obesidade, tabagismo, histórico familiar, uso inadequado de medicamentos e desidratação frequente.

Como a DRC pode ser diagnosticada precocemente?

O diagnóstico precoce da doença renal crônica pode ser feito através de exames simples de sangue (creatinina) e urina (pesquisa de albuminúria), além da aferição regular da pressão arterial e exames de glicemia.


12 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: |Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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