Desfile de 7 de Setembro exalta soberania com Curupira

O desfile cívico-militar do 7 de Setembro reuniu milhares de pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para celebrar o tema “Brasil Soberano”. Personagens populares como Curupira, Zé Gotinha e o tamanduá-bandeira Labareda, mascote da COP30, desfilaram ao lado de estudantes, atletas e militares, enquanto uma bandeira nacional de 140 metros quadrados atravessava a avenida sob aplausos do público.
As arquibancadas montadas gratuitamente ficaram lotadas antes das 8h30. Quem chegou depois precisou acompanhar a cerimônia nos espaços entre os módulos, separados da pista por gradis de segurança. O acesso foi aberto às 6h20 e, segundo a organização, todos os assentos foram ocupados em pouco mais de duas horas, evidenciando o interesse popular pela temática de soberania, meio ambiente e futuro.
Durante o cortejo, jovens carregaram mudas de árvores nativas, reforçando a mensagem de preservação ambiental associada à COP30, que será sediada em 2025 em Belém. O Curupira, figura do folclore brasileiro escolhida como símbolo do encontro climático, ganhou destaque em um carro alegórico decorado com espécies da Amazônia, enfatizando o vínculo entre proteção florestal e independência nacional.
Entre o público, o professor Leonardo Farias da Cunha acompanhou o desfile com a esposa Paula Farias e os filhos Caetano, 8 anos, e Maitê, 7 anos. De origem goiana e residente em Brasília, ele avaliou que a apresentação “valorizou o patrimônio ambiental e cultural, sinalizando o quanto isso é decisivo para o futuro do país”. Para ele, a exibição de símbolos folclóricos ao lado das Forças Armadas “reforça a ideia de que a soberania inclui o povo e suas tradições”.
A baiana Célia Regina Cunha viajou de Poções (BA) com a filha, o genro e quatro netos para ver de perto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao conhecer o tema do evento, comemorou: “Quem manda no nosso Brasil somos nós, brasileiros”. Já o estudante Eddy Heredia Nascimento, habituado a desfilar em anos anteriores, elogiou a organização e disse que a presença do Curupira “tem relação direta com a defesa da maior floresta tropical do mundo, eixo central de um Brasil verdadeiramente soberano”.
Mesmo com a estrutura ampliada, o esquema de segurança provocou frustração em parte da plateia. A técnica de enfermagem Iara Vieira chegou às 8h30 com a família e não pôde avançar para áreas mais próximas da avenida. “As crianças queriam ver os tanques e a cavalaria, mas ficamos distantes demais”, relatou. A professora Maria de Lourdes dos Santos, moradora do Paranoá, conseguiu entrar após apresentar pulseira de acesso para cadeirantes, embora tenha sido informada de que a área reservada estava lotada.
Além do desfile oficial, a Esplanada registrou manifestações paralelas. Na Praça Zumbi dos Palmares, a edição 2025 do Grito dos Excluídos reuniu centenas de pessoas com faixas em defesa da soberania nacional e das riquezas naturais. Os participantes pediram redução da jornada de trabalho, taxação de super-ricos e se opuseram à anistia de envolvidos na tentativa de golpe de 2023. O diretor de Jornalismo da Associação Brasileira de Imprensa, Moacyr Oliveira Filho, 72 anos, afirmou que “entidades, partidos e sindicatos se uniram para cobrar um país socialmente justo e economicamente autônomo”.
Durante o cortejo militar, cerca de 30 veículos blindados, caminhões de transporte de tropas e viaturas de apoio desfilaram em colunas, seguidos por grupamentos a pé das três Forças Armadas. Caças supersônicos, helicópteros de ataque e aviões de transporte sobrevoaram a avenida em baixa altitude, encerrando a apresentação. A plateia reagiu com vivas quando os tripulantes estenderam bandeiras brasileiras pelas janelas das aeronaves.
Integrantes de programas sociais e atletas olímpicos também participaram. Escolas públicas de Brasília exibiram projetos de robótica, enquanto bolsistas do Bolsa Atleta levaram medalhas internacionais para mostrar ao público. O bloco final contou com crianças fantasiadas de animais do Cerrado, reforçando a mensagem de que a biodiversidade é elemento estratégico de independência.
O governo federal não divulgou estimativa oficial de público, mas a Polícia Militar do Distrito Federal calculou presença superior a 50 mil pessoas. A Secretaria de Comunicação informou que a prioridade do tema “Brasil Soberano” foi conscientizar sobre a importância de políticas públicas que combinem desenvolvimento econômico, inclusão social e proteção ambiental, preparando o país para apresentar resultados concretos na COP30.
Crédito Foto: José Cruz/Agência Brasil
Fonte das informações: Agência Brasil





