Deputada do PL na Alesp usa blackface e gera crise política em 2026
Deputada Blackface Alesp — A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) realizou um ato de blackface nesta quarta-feira (18) na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O evento ocorreu durante um discurso que criticava abertamente a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados.
A ação da parlamentar provocou imediata e intensa repercussão, levantando um debate acalorado sobre racismo e transfobia no cenário político. A prática de blackface, historicamente ligada à degradação de pessoas negras, foi utilizada como ferramenta para questionar a identidade e a legitimidade de uma mulher trans negra em um cargo de destaque.
Índice da Matéria
O Que é Blackface e Por Que Sua Prática é Racista? Deputada Blackface Alesp
O blackface é uma prática profundamente enraizada em um histórico de racismo e opressão. Ela consiste na utilização de artifícios por pessoas brancas – como pintar a pele de preto, usar perucas ou outros acessórios – para simular, de maneira caricata e estereotipada, características físicas de pessoas negras.
Esta representação é intrinsecamente degradante e serve para ridicularizar e desumanizar indivíduos negros. O termo e a prática surgiram nos Estados Unidos, onde atores brancos, frequentemente usando graxa ou carvão, encenavam personagens negros em espetáculos teatrais.
Essas performances eram repletas de estereótipos pejorativos, reforçando preconceitos e consolidando uma visão distorcida e inferiorizada da comunidade negra. A repetição dessa prática, mesmo nos tempos atuais, invoca essa dolorosa história de discriminação.
O Ataque à Representatividade: Erika Hilton e a Comissão da Mulher
O foco da crítica da deputada Fabiana Bolsonaro foi a eleição de Erika Hilton para liderar a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. Hilton, uma deputada federal e mulher trans negra, representa um avanço significativo na representatividade política.
Sua ascensão a um posto de liderança em uma comissão tão sensível é um marco para a inclusão e a luta por direitos de minorias. A Comissão da Mulher tem como missão discutir e propor legislações que promovam a igualdade de gênero e combatam a violência contra a mulher.
A tentativa de deslegitimar a presença de Erika Hilton neste espaço estratégico através do blackface e de falas transfóbicas gerou um alerta para a persistência de preconceitos em altos níveis do poder público. A fala da deputada do PL foi explícita em seu teor discriminatório.
A parlamentar fez a seguinte declaração na tribuna: “Eu estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que eu não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra”.
Em seguida, a deputada prosseguiu com comentários transfóbicos, afirmando: “Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher. Eu não estou aqui ofendendo transexual, muito pelo contrário, eu estou dizendo, eu sou mulher, quero ser vista como mulher. A mulher do ano não pode ser trave (sic) transsexual”.
Essas declarações, proferidas em um ambiente legislativo, demonstram uma clara tentativa de invalidar a identidade de Erika Hilton e a legitimidade de sua representação. Para aprofundar-se em outros temas relevantes do cenário político nacional, Acompanhe mais notícias no Diário em Foco.
Repercussão Imediata e Medidas Legais na Alesp
A cena na Alesp não passou despercebida e provocou uma série de reações imediatas. Duas parlamentares do PSOL, a deputada estadual paulista Mônica Seixas e a vereadora de São Paulo Luana Alves, agiram prontamente.
Elas se dirigiram à Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância para registrar um boletim de ocorrência. A iniciativa busca formalizar a denúncia e iniciar os trâmites legais contra a deputada Fabiana Bolsonaro.
Mônica Seixas expressou sua indignação pelas redes sociais, salientando a gravidade do ocorrido: “Crime de racismo é inafiançável, aconteceu de forma televisionada sem nenhuma reação da presidência da Assembleia Legislativa ao fato da deputada Fabiana Bolsonaro ter feito blackface enquanto dizia impropérios transfóbicos na tribuna da Assembleia Legislativa”.
A deputada Seixas também apontou dificuldades no registro do flagrante, citando o Artigo 282 do regimento interno da Assembleia Legislativa, que prevê a atuação da autoridade policial em caso de crime flagrante no plenário. Este ponto levanta questões sobre a omissão da presidência da casa.
Os envolvidos na situação foram procurados para comentar o episódio. O presidente da Alesp, André do Prado (PL), e a deputada federal Erika Hilton ainda não se manifestaram publicamente sobre o ocorrido até o fechamento desta reportagem.
Consequências e o Debate sobre Intolerância no Legislativo
A situação na Alesp transcende o incidente isolado, levantando um debate crucial sobre a conduta de parlamentares e os limites da liberdade de expressão. A deputada Mônica Seixas confirmou que serão tomadas medidas de ordem criminal contra a parlamentar do PL.
Além disso, haverá uma representação no Conselho de Ética da Alesp. A exigência de uma resposta e atuação da presidência da Assembleia Legislativa é clara, visando a responsabilização e a defesa da dignidade da população.
* Principais Ações e Repercussões:
* Fabiana Bolsonaro (PL) realiza blackface na tribuna da Alesp.
* Discurso critica eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) para a Comissão da Mulher.
* Mônica Seixas (PSOL) e Luana Alves (PSOL) registram boletim de ocorrência.
* Denúncia na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.
* Será feita representação no Conselho de Ética da Alesp.
* MPF já havia solicitado condenação de Ratinho e SBT por falas contra Erika Hilton, indicando um padrão de ataques.
* Ações criminais contra a deputada do PL estão sendo preparadas.
A população do estado de São Paulo, especialmente a comunidade negra, clama por respeito e uma postura firme da instituição. A alegação de que “a população negra do estado de São Paulo merece respeito que não teve nessa Casa” ecoa a urgência de medidas concretas contra a intolerância. O Ministério Público Federal (MPF), por exemplo, já tem atuado em casos similares, como o pedido de condenação de Ratinho e SBT por falas contra a mesma Erika Hilton. Para mais informações sobre as ações do MPF na defesa dos direitos humanos, consulte o site oficial do Ministério Público Federal.
O episódio na Alesp serve como um doloroso lembrete de que a luta contra o racismo e a transfobia é contínua e exige vigilância constante, especialmente dentro das instâncias de poder. A expectativa é que as investigações e os processos éticos e criminais garantam que a justiça seja feita e que tais atos não sejam tolerados no parlamento brasileiro.


