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A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) em São Paulo, alvo da Operação Vérnix. A ação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil investiga sua suposta participação em lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), com base em bilhetes apreendidos em 2019.
A investigação aponta que, embora os bilhetes não mencionassem seu nome, eles foram o ponto de partida para descobrir que Deolane recebia valores de uma transportadora ligada ao PCC, com sede em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Esses recursos eram, então, repassados para dificultar o rastreio, com duas contas bancárias em nome da influenciadora sendo utilizadas nesse processo.
Operação Vérnix: Como a investigação se desenrolou
A Operação Vérnix, deflagrada em 21 de setembro, teve sua origem em bilhetes com ordens internas do PCC, encontrados em 2019 em um presídio de Presidente Venceslau. Tais documentos são vitais para as forças de segurança, pois evidenciam a capacidade da facção de se comunicar e emitir diretrizes mesmo com seus líderes detidos. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MP-SP, ressaltou que esses bilhetes foram cruciais para rastrear a transportadora utilizada no esquema.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) confirmou o desenrolar das apurações. A partir dos bilhetes, a investigação se aprofundou na estrutura financeira do PCC, revelando o envolvimento de uma transportadora na lavagem de dinheiro. Essa empresa, de fato, pertencia à família Camacho, conforme apurado pelas autoridades.
Deolane Bezerra e a rede de lavagem de dinheiro do PCC
As investigações revelaram que Deolane Bezerra, com sua projeção pública e poder econômico, funcionava como uma espécie de “caixa” para o crime organizado. Segundo o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, o crime organizado deposita valores em figuras públicas como ela. Esse dinheiro, então, se mistura com recursos de outras atividades lícitas, dificultando sua identificação e rastreio.
Quando necessário, esses recursos retornam para a facção. Costa explicou que a prisão de uma influenciadora com mais de 20 milhões de seguidores tem um “caráter pedagógico”, esperando-se um efeito de inibição em outros possíveis colaboradores do crime organizado. A abertura dos sigilos bancário e fiscal de Deolane foi fundamental para descobrir seu relacionamento com outras vertentes criminosas.
O promotor Gakiya também destacou o aumento significativo no faturamento de Deolane nos últimos sete anos, especialmente a partir de 2022. Ele observou que esse crescimento não possui correlação direta com o trabalho prestado pela influenciadora. Tal descompasso financeiro sugere não apenas lavagem de dinheiro, mas também possíveis desdobramentos em sonegação fiscal e outras operações ilícitas.
Os alvos da Operação Vérnix e a atuação internacional
Além de Deolane Bezerra, a Operação Vérnix mirou outros nomes importantes ligados ao PCC e à família de seu líder máximo, Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola. Estão entre os alvos:
– Marco Herbas Camacho (Marcola): Chefe do PCC, atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília. Ele foi notificado sobre o novo processo, apesar de já cumprir mais de 300 anos de pena.
– Alejandro Camacho: Irmão de Marcola, também detido em Brasília e notificado sobre a nova ordem de prisão.
– Paloma Sanches Herbas Camacho: Sobrinha de Marcola, apontada como intermediária nos negócios da família e atualmente foragida na Espanha.
– Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho: Sobrinho de Marcola, indicado como destinatário do dinheiro lavado da família e que estaria na Bolívia.
A Polícia Federal e o Ministério Público estão auxiliando nas buscas internacionais pelos foragidos. Paloma e Leonardo foram incluídos na Lista Vermelha da Interpol, o que facilita a cooperação entre forças policiais de diferentes países para localizá-los e prendê-los.
Foram expedidos seis mandados de prisões preventivas. Além disso, a operação resultou no bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, demonstrando a magnitude financeira do esquema. Também foram apreendidos 17 veículos de luxo e quatro imóveis, bens que frequentemente são utilizados para dissimular a origem ilícita do dinheiro.
A importância do combate ao crime organizado e seus desdobramentos
A Operação Vérnix sublinha a persistência do crime organizado em manter suas atividades, mesmo com seus líderes presos. O promotor Lincoln Gakiya enfatizou a relevância de atingir Marcola e seu irmão, pois isso evidencia que eles continuam a emitir ordens e manter comunicações fora da prisão. A identificação e desarticulação da transportadora, que servia como um dos braços financeiros da facção, é um golpe significativo.
Há a expectativa de desdobramentos adicionais da Operação Vérnix. As investigações podem revelar o envolvimento de Deolane Bezerra com outras pessoas e empresas, incluindo aquelas ligadas a apostas, popularmente conhecidas como “bets”. A complexidade da lavagem de dinheiro moderno muitas vezes envolve diversos setores da economia, buscando integrar fundos ilegais em atividades que pareçam legítimas.
A atuação conjunta do Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Federal e Interpol demonstra a capacidade do Estado em combater o crime organizado em suas diversas frentes, desde a base operacional até o topo da hierarquia criminosa e seus colaboradores externos, como é o caso de figuras públicas. A Operação Vérnix serve como um lembrete de que a vigilância e a repressão são contínuas contra esquemas que buscam minar a ordem econômica e social.
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Perguntas Frequentes
O que é a Operação Vérnix?
A Operação Vérnix é uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, deflagrada em 21 de setembro, para investigar e desarticular um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A operação teve início a partir de bilhetes apreendidos em um presídio em Presidente Venceslau em 2019.
Qual a ligação de Deolane Bezerra com o PCC, segundo a investigação?
As investigações apontam que Deolane Bezerra recebia valores de uma transportadora criada pelo PCC para lavagem de dinheiro, utilizando suas contas bancárias para dificultar o rastreio. Ela é considerada uma “caixa do crime organizado”, misturando dinheiro ilícito com suas finanças para legitimá-lo.
Quem são os outros alvos da Operação Vérnix?
Entre os outros alvos da operação estão Marco Herbas Camacho (Marcola), chefe do PCC, seu irmão Alejandro Camacho, e seus sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Paloma e Leonardo estão foragidos e foram incluídos na Lista Vermelha da Interpol.

