CPI aprova 20 pedidos e mira PCC na Faria Lima e Banco Master
Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado avança em apuração sobre o braço financeiro do PCC na Faria Lima e grupo ligado a Daniel Vorcaro.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Crime Organizado no Senado aprovou nesta quarta-feira (11) mais de 20 requerimentos, quebrando sigilos e convocando investigados ligados ao braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima e ao grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão representa um avanço significativo nas apurações que buscam desarticular esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes no mercado financeiro.
Entre as medidas aprovadas, estão quebras de sigilos fiscal, bancário e telefônico de diversas pessoas e empresas, além de convocações que prometem trazer novos desdobramentos à investigação. O foco da CPI se divide entre a atuação da facção criminosa no centro financeiro de São Paulo e as atividades de um grupo de comunicação, apelidado de “A Turma”, que seria usado para monitorar e intimidar adversários de Vorcaro.
Investigações Miram Braço Financeiro na Faria Lima
A CPI do Crime Organizado direciona suas investigações para o braço financeiro do PCC que atua na Faria Lima, região da capital paulista que concentra importantes instituições do mercado financeiro. Requerimentos aprovados resultaram na quebra de sigilos bancários, fiscais e telefônicos de empresários e indivíduos suspeitos de associação com a lavagem de dinheiro para a organização criminosa.
Essas quebras de sigilos estão relacionadas à Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Segundo o senador Humberto Costa (PT-PE), o esquema movimentou impressionantes R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. A operação utilizava uma vasta rede de postos de combustíveis e fundos de investimento para ocultar a origem ilícita dos recursos, demonstrando uma atuação complexa no mercado financeiro, com epicentro na Faria Lima.
Entre os alvos das quebras de sigilo está Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, apontado como responsável pela gestão de distribuidoras de combustíveis que lavariam dinheiro para o PCC. Mohamad Hussein Mourad, considerado um dos principais operadores do esquema de lavagem e com supostas conexões com o Banco Master, também teve seus sigilos quebrados. Outros empresários ligados à Operação Carbono Oculto que tiveram seus sigilos quebrados pela CPI são Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, tido como “sócio oculto” da mesma empresa. A Precisa Medicamentos já foi alvo de investigações sobre um esquema de corrupção na compra de vacinas durante a pandemia. O senador Humberto Costa afirmou que as empresas de Maximiano teriam sido utilizadas como veículos para lavagem de dinheiro do PCC e para fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e o patrimônio público.
Desdobramentos da CPI Banco Master e “A Turma”
Outro ponto central nas investigações da CPI Banco Master é o grupo “A Turma”, que seria liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Este grupo, de acordo com as investigações, teria sido utilizado para monitorar e intimidar adversários do banqueiro, que estaria envolvido em um esquema de fraudes no mercado financeiro estimado em cerca de R$ 50 bilhões. A CPI aprovou a convocação de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, que supostamente participaria dos pagamentos para custear as atividades do grupo.
As quebras de sigilo também alcançaram Marilson Roseno da Silva, um escrivão aposentado da Polícia Federal que foi preso preventivamente como um dos principais operadores de “A Turma”. A comissão ainda quebrou os sigilos de outras empresas ligadas ao Banco Master, como a King Participações Imobiliárias e a King Motors Locação de Veículos, além de empresas do proprietário de um avião usado para transportar aliados de Daniel Vorcaro. A CPI também solicitou a lista dos passageiros.
Envolvimento de Ex-Dirigentes do Banco Central
A CPI do Crime Organizado aprovou a convocação de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central (BC), e de Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, ambos afastados de seus cargos. O senador Humberto Costa justificou as convocações afirmando que um relatório da Polícia Federal indica que eles teriam atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro.
Segundo o senador, os ex-dirigentes do BC teriam facilitado a operação de compra do então Banco Máxima, posteriormente renomeado como Banco Master, e divulgado informações sigilosas para o banqueiro. O objetivo seria municiá-lo a respeito das operações realizadas pelo Banco Central. A comissão também quebrou os sigilos da empresa Varajo Consultoria, que possui ligações com Vorcaro e que teria sido responsável por uma proposta de pagamento a um servidor do BC. Leonardo Augusto Furtado Palhares, chefe da Varajo Consultoria, também foi convocado para prestar depoimento à CPI.
Aliados de Vorcaro na Mira da CPI
A CPI também mira aliados próximos de Daniel Vorcaro. Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, teve seus sigilos fiscal, bancário e telefônico quebrados. Mourão, que é apontado como aliado de Vorcaro, atentou contra a própria vida após ser preso pela Polícia Federal na semana passada. A CPI solicitou informações sobre o caso de “Sicário” ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Outro convocado pela comissão é Fabiano Campos Zettel, cunhado do dono do Banco Master. As investigações no âmbito da Operação Carbono Oculto apontam que Zettel possui conexões financeiras diretas com a Reag Investimentos e o próprio Banco Master. Essas instituições foram identificadas como braços financeiros do Primeiro Comando da Capital na Faria Lima, conforme justificou o senador Humberto Costa. A série de convocações e quebras de sigilo reforça a profundidade e a amplitude das investigações que buscam desvendar a complexa teia de relações entre o crime organizado e o setor financeiro.
Perguntas Frequentes
O que a CPI do Crime Organizado está investigando?
A CPI investiga o braço financeiro do PCC na Faria Lima e um grupo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por suspeita de lavagem de dinheiro, fraudes e intimidação.
Quem é Daniel Vorcaro e qual seu papel na investigação?
Daniel Vorcaro é o dono do Banco Master e é investigado por liderar um esquema de fraudes no mercado financeiro e por usar um grupo, “A Turma”, para monitorar e intimidar adversários.
Qual a conexão entre o Banco Central e a CPI?
A CPI convocou dois ex-dirigentes do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, sob a acusação de terem atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro, facilitando operações e divulgando informações sigilosas.




