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Copom decide Selic e impacta crédito, investimentos e inflação

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 16/06/2026 às 08:58
Copom decide Selic e impacta crédito, investimentos e inflação
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Última Atualização: 16 de junho de 2026, às 08:58

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicia suas deliberações nesta terça-feira (16), estendendo-se até quarta-feira, com o objetivo de definir a nova taxa básica de juros do país, a Selic, que atualmente está em 14,5% ao ano. A expectativa é alta, pois a decisão impactará diretamente o crédito, os investimentos e o controle da inflação no Brasil.

Durante as reuniões, os membros do Copom analisam um vasto conjunto de indicadores econômicos, tanto do cenário nacional quanto global. O foco é determinar se existe margem para uma flexibilização monetária, com a redução dos juros, ou se a taxa deverá ser mantida em patamar elevado para conter pressões inflacionárias. Na última sessão, em abril, o comitê optou por um corte de 0,25 ponto percentual, marcando a segunda redução consecutiva. Contudo, essa diminuição ocorreu em um ritmo mais lento do que o esperado por parte do mercado.

A justificativa para a cautela reside nas incertezas persistentes em relação aos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e nas projeções de uma inflação mais alta por um período prolongado. A ata do Copom de abril expressou a necessidade de “serenidade e cautela na condução da política monetária”, aguardando novas informações que possam clarificar a extensão dos conflitos e seus efeitos sobre os preços, além de monitorar as incertezas da política econômica dos Estados Unidos.

Entenda o Papel da Selic e do Copom na Economia

A Selic, sigla para Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, é a principal ferramenta de política monetária do Banco Central e serve como referência para todas as taxas de juros praticadas no país. Sua definição é crucial para a economia brasileira, pois impacta diretamente:

* Financiamentos e Empréstimos: Uma Selic mais alta encarece o custo do dinheiro, tornando empréstimos pessoais, financiamentos de imóveis e veículos mais caros para empresas e consumidores. Por outro lado, uma redução na taxa pode estimular o consumo e o investimento.
* Investimentos: A Selic influencia a rentabilidade de aplicações de renda fixa, como poupança, CDBs (Certificados de Depósito Bancário), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio).
* Controle da Inflação: O principal objetivo do Copom ao ajustar a Selic é controlar a inflação. Ao elevar os juros, o BC busca desaquecer a economia, reduzir o consumo e, consequentemente, frear a alta de preços. Quando a inflação está sob controle, a Selic pode ser reduzida para estimular o crescimento.

O Copom, instituído em 1996, é o órgão responsável por essa delicada tarefa de calibração. Composto por diretores do Banco Central, ele se reúne a cada 45 dias para analisar o cenário econômico e deliberar sobre a Selic, buscando sempre alinhar a taxa aos objetivos de política monetária, principalmente a perseguição da meta de inflação.

Inflação Acima da Meta e o Cenário Global de Incertezas

O mercado financeiro reagiu às incertezas com a elevação das estimativas para a Selic. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central divulgada na última segunda-feira (15), projeta que a taxa básica de juros pode atingir 13,5% ao ano até o final de 2026, uma revisão para cima em relação aos 13,75% previstos na semana anterior.

As expectativas de inflação, medidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também seguem em trajetória de alta. A projeção para este ano saltou de 5,11% para 5,3%, marcando a décima quarta semana consecutiva de elevação. Este patamar supera o intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o limite superior da meta é 4,5%, e a projeção atual já o ultrapassa.

As pressões decorrentes da guerra no Oriente Médio, que afetam os preços de commodities e cadeias de suprimentos globais, somadas às incertezas sobre a economia dos Estados Unidos, contribuem para esse cenário desafiador. A persistência de uma inflação elevada e a necessidade de juros altos impactam o poder de compra da população e o planejamento financeiro de empresas e famílias.

Câmara dos Deputados Avalia Fim da Escala 6×1

Em paralelo à importante reunião do Copom, a Câmara dos Deputados também tem uma agenda crucial nesta terça-feira (16). O plenário da Casa deve votar o Projeto de Lei (PL) 1838/26, proposto pelo governo federal, que visa acabar com a escala de trabalho 6×1. Este projeto, se aprovado, poderá destravar a pauta de votações da Câmara.

Na segunda-feira (15), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou uma reunião do colégio de líderes para a tarde de hoje (16). O objetivo é que o relator da proposta, o deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA), esclareça pontos do texto. Segundo Motta, a apreciação da matéria é fundamental para que a Câmara possa avançar em outras votações que estão sendo represadas.

O PL 1838/26, encaminhado pelo governo em abril, propõe importantes alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Entre as principais mudanças estão:

* Definição de 40 horas semanais como limite para a jornada de trabalho.
* Estabelecimento de oito horas diárias de trabalho.
* Garantia de dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas para o trabalhador.

A proposta foi enviada em regime de urgência, o que significa que ela tem prioridade na pauta de votações e está, atualmente, impedindo que o plenário da Câmara delibere sobre outras propostas, como Propostas de Emenda à Constituição (PECs), Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) e requerimentos de urgência.

Espera-se que o deputado Léo Prates mantenha em seu parecer os mesmos pontos de uma PEC já aprovada pela Câmara no final de maio. Essa PEC também previa a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e estabelecia a escala de cinco dias de trabalho por dois de folga (5×2), substituindo a antiga 6×1. Atualmente, a PEC está em análise no Senado Federal, aguardando votação. A aprovação do PL pode alinhar a legislação à tendência de modernização das relações de trabalho e aliviar a pressão sobre a agenda legislativa.

Perguntas Frequentes

O que é o Copom e qual sua função?

O Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic. Sua principal função é formular e implementar a política monetária, visando controlar a inflação e garantir a estabilidade econômica do país.

Como a decisão da Selic afeta minha vida financeira?

A decisão da Selic impacta diretamente seu dia a dia. Se a taxa sobe, empréstimos, financiamentos e o crédito em geral ficam mais caros, e os juros pagos em dívidas podem aumentar. Por outro lado, investimentos de renda fixa podem render mais. Se a Selic cai, o crédito pode ficar mais barato, estimulando o consumo, mas a rentabilidade de algumas aplicações financeiras pode diminuir.

O que é o PL 1838/26 e quais as mudanças propostas?

O PL 1838/26 é um Projeto de Lei do governo federal que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. Ele busca alterar a CLT para fixar a jornada semanal em 40 horas e a diária em oito horas, garantindo ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. O objetivo é estabelecer a escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de folga.


16 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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