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Analistas ligam escalada Israel-Irã à causa palestina e 40 mil palestinos

Conflito em Gaza e a causa palestina influenciam a escalada de tensões entre Israel e Irã, redefinindo a geopolítica do Oriente Médio.

O ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que inaugurou uma nova fase do conflito no Oriente Médio, conecta-se à escalada militar entre Israel e Irã. Analistas veem essa tensão como reflexo direto da causa palestina e da expansão territorial israelense na Cisjordânia, que já expulsou 40 mil palestinos.

Especialistas apontam que a intensificação do conflito Israel-Irã é, em parte, uma consequência da guerra na Faixa de Gaza e da política de colonização da Cisjordânia. Os governos de Israel e dos Estados Unidos (EUA) estariam aproveitando as fragilidades econômicas iranianas, impulsionadas por sanções ocidentais, e rachas políticos internos para minar o apoio de Teerã ao chamado Eixo da Resistência.

A Conexão Direta entre Irã e Causa Palestina

O professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Bruno Huberman, explica que as agressões contra o Irã são uma das consequências diretas do 7 de Outubro. Segundo ele, Teerã representa a principal força de oposição às políticas de Washington e Tel-Aviv na região. “A solidariedade com a causa palestina sempre esteve no centro do projeto político iraniano desde 1979”, afirma Huberman, destacando que essa postura é uma das razões do confronto.

Para o especialista, o Irã possui forte relevância para a questão palestina e para os grupos islâmicos de resistência armada. Esses grupos buscam uma revolução e libertação nacional radical na Palestina. Huberman acrescenta que uma eventual queda do governo iraniano permitiria aos EUA e Israel reorganizar o Oriente Médio “como bem entendem”, facilitando, por exemplo, o avanço da anexação da Cisjordânia por Israel.

A expansão israelense na Cisjordânia tem sido notável. “Desde o cessar-fogo em Gaza, Israel tem avançado de forma significativa na colonização e na anexação de território na Cisjordânia”, alerta Huberman. Ele prevê que, durante a escalada de tensões com o Irã, essa movimentação deve se fortalecer. No mês passado, Israel aprovou novas regras para a compra de terras palestinas por israelenses na Cisjordânia, medida denunciada como uma tentativa de avançar sobre o território. Em 2025, pelo menos 40 mil palestinos foram expulsos de suas residências na região.

O Eixo da Resistência e seus Atores

O Eixo da Resistência é composto por grupos armados que se opõem às políticas de Israel e dos EUA no Oriente Médio. Entre eles estão o Hezbollah no Líbano, o Hamas na Faixa de Gaza e os Huthis no Iêmen, todos apoiados pelo Irã. A queda do governo de Bashar al-Assad na Síria, após 13 anos de guerra financiada por potências estrangeiras, também teria sido uma consequência da intensificação do confronto contra o Eixo, uma vez que a Síria era uma aliada do Irã.

Os grupos xiitas Hezbollah e Huthis, por exemplo, lançaram ataques contra Israel em apoio a Gaza, demonstrando a interconexão das diferentes frentes de atuação do Eixo. A solidariedade e o suporte mútuo entre essas facções são elementos-chave na dinâmica geopolítica regional.

Perspectiva Alternativa sobre a Conexão

Por outro lado, a professora Rashmi Singh, da pós-graduação em relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, argumenta que não é possível traçar uma relação direta entre o 7 de Outubro e as agressões contra o Irã, embora os eventos estejam conectados. Para ela, a ação israelense em Gaza e na Cisjordânia serviu para normalizar, pelos países ocidentais, a aplicação seletiva do direito internacional.

Rashmi cita “o genocídio na Palestina, os bombardeios ilegais de hospitais, escolas, universidades, igrejas, mesquitas e outras infraestruturas civis” por Israel. Ela também menciona “atos terroristas [de Israel] em outros países – como os ataques com pagers no Líbano –, que foram saudados pelo Ocidente não como terrorismo, mas como ‘estrategicamente brilhantes por parte de Israel’”. A professora enfatiza que essas violações do direito internacional ocorreram com o silêncio ou cumplicidade de países europeus e norte-americanos.

“Os ataques ilegais ao Irã, há oito meses, também foram elogiados”, acrescenta Rashmi. Ela conclui que a Palestina não está diretamente ligada aos ataques ao Irã, mas “estabeleceu o padrão do que é permitido nas relações internacionais” e “o cenário para o que está acontecendo no Irã”. Apesar do apoio iraniano aos grupos de resistência palestinos, Singh ressalta que a causa palestina não depende exclusivamente do Irã, “ou de qualquer outro ator externo”. “O apoio externo é um fator, mas não é o único”, destaca.

Mudanças no Cenário e o Futuro da Causa Palestina

Apesar dos desdobramentos atuais, o professor Bruno Huberman avalia que uma eventual queda de Teerã não inviabiliza a causa palestina, embora mude significativamente o cenário. “O Irã se envolveu mais no apoio à luta armada, assim como o Catar, enquanto outros países apoiam projetos humanitários, de desenvolvimento, ou só de forma retórica”, explica. Isso indica que a causa palestina possui múltiplos pilares de apoio, mesmo que a atuação do Irã seja estratégica para a resistência armada.

Ao mesmo tempo, a professora Rashmi Singh alerta que Israel tem usado a guerra para “expandir seu roubo territorial ilegal de terras palestinas”. Essa expansão contínua e a normalização de certas ações no cenário internacional são pontos cruciais para entender a complexidade do Oriente Médio. O impacto dessas dinâmicas regionais na vida de civis, incluindo os 40 mil palestinos expulsos de suas residências, permanece uma preocupação central.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre o ataque do Hamas em 7 de outubro e o conflito Israel-Irã?

Analistas sugerem que o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 intensificou as tensões no Oriente Médio, levando Israel e EUA a buscarem enfraquecer o Irã, que apoia grupos de resistência palestinos e o Eixo da Resistência.

O que é o Eixo da Resistência e quais grupos o compõem?

O Eixo da Resistência é uma aliança informal de grupos armados no Oriente Médio que se opõem às políticas de Israel e dos EUA. Inclui o Hamas (Gaza), Hezbollah (Líbano) e os Huthis (Iêmen), com forte apoio do Irã.

Como a anexação da Cisjordânia por Israel se relaciona com a escalada regional?

Especialistas indicam que a guerra em Gaza e a escalada de tensões regionais facilitam o avanço da anexação da Cisjordânia por Israel. Desde o cessar-fogo em Gaza, Israel intensificou a colonização e aprovou novas regras para a compra de terras palestinas, resultando na expulsão de cerca de 40 mil palestinos.


3 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Reuters|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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