Tribunal condena três assassinos de advogado a 30 anos no Rio
Julgamento de dois dias aceita integralmente teses do Ministério Público; crime foi motivado por disputa no mercado de apostas e jogos de azar.
Três homens, incluindo um policial militar, foram condenados a 30 anos de prisão, cada um, pelo assassinato brutal do advogado Rodrigo Marinho Crespo. O crime ocorreu em fevereiro de 2024, no centro do Rio de Janeiro, e teve motivação torpe, ligada a interesses de organização criminosa e à exploração ilegal de jogos de apostas online.
A condenação dos assassinos de advogado Leandro Machado da Silva (policial militar), Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes foi proferida após um julgamento que se estendeu por dois dias e foi concluído na noite de sexta-feira (6). A decisão do tribunal do júri acolheu integralmente todas as teses apresentadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Rodrigo Crespo foi morto com mais de dez tiros em frente ao escritório do qual era um dos sócios, localizado a poucos metros da sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ). A brutalidade do crime e sua localização, em plena região central da capital fluminense, geraram grande repercussão e comoção no meio jurídico e na sociedade.
Motivação do crime: disputa por jogos de azar e apostas
O Ministério Público do Rio de Janeiro sustentou que o assassinato foi qualificado por motivo torpe, diretamente relacionado à atuação profissional da vítima. Segundo o MPRJ, Rodrigo Crespo “teria contrariado interesses de organização criminosa ligada a jogos de apostas on-line”. Essa organização, conforme as investigações, atuava na exploração ilegal de jogos de azar e via no advogado um obstáculo ou uma ameaça aos seus negócios ilícitos.
Além do motivo torpe, a Justiça também reconheceu que os criminosos agiram de emboscada, utilizando um recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. As investigações detalhadas conduzidas pelo MPRJ apontaram que o crime não foi um ato impulsivo, mas sim precedido de um minucioso monitoramento da rotina do advogado. Essa vigilância prévia permitiu que os executores planejassem o ataque de forma a garantir a morte de Crespo.
Durante o julgamento, o Ministério Público reforçou que o principal objetivo do assassinato era assegurar a execução e a vantagem de outros crimes já em curso, todos relacionados à exploração ilegal de jogos de azar. Os três denunciados, bem como outros integrantes da organização criminosa, foram associados a essas atividades ilícitas, evidenciando uma rede complexa de contravenção e violência.
Detalhes da investigação e ligação com o contraventor Adilsinho
A acusação também estabeleceu uma ligação entre os réus e o conhecido contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, popularmente chamado de Adilsinho. Ele é investigado por envolvimento em diversas atividades relacionadas ao jogo do bicho e a outras formas de exploração ilegal de jogos. Adilsinho foi preso em 26 de fevereiro, dias após o assassinato de Crespo, durante uma operação conjunta da Polícia Federal com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A tese do MPRJ vai além, sugerindo que o crime também tinha o objetivo de intimidar possíveis concorrentes no lucrativo, porém ilegal, mercado de apostas. A investigação revelou que Rodrigo Crespo estava avaliando a possibilidade de investir no setor de jogos. Ele planejava a abertura de um “sporting bar” no bairro de Botafogo, que poderia oferecer apostas esportivas e equipamentos similares a máquinas caça-níqueis conectadas à internet.
Essa potencial entrada de Crespo no mercado, conforme apontado pelo Ministério Público, “poderia afetar interesses da organização criminosa que atua na região”, gerando uma disputa por território e lucros que culminou no seu assassinato. A brutalidade do crime serviria, portanto, como um recado claro a qualquer um que ousasse desafiar o domínio do grupo criminoso.
O caso Crespo se insere em um cenário mais amplo de investigações sobre a atuação de milícias e organizações criminosas no Rio de Janeiro, muitas vezes com ramificações na corrupção policial e na exploração de jogos ilegais. A condenação dos assassinos de advogado reforça o compromisso das autoridades em combater esses grupos e garantir a justiça em crimes de tamanha gravidade.
Perguntas Frequentes
Quem foram os condenados pelo assassinato do advogado Rodrigo Crespo?
O policial militar Leandro Machado da Silva e os comparsas Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes foram condenados a 30 anos de prisão cada um.
Qual foi a motivação do assassinato de Rodrigo Marinho Crespo?
O crime teve motivação torpe, relacionada à atuação profissional do advogado e ao seu possível investimento em jogos de apostas, o que contrariava interesses de uma organização criminosa ligada à exploração ilegal de jogos de azar.
Quando ocorreu o assassinato de Rodrigo Crespo e a condenação dos réus?
O advogado foi assassinado em fevereiro de 2024, no centro do Rio. A condenação dos três réus ocorreu na noite de sexta-feira (6), após um julgamento de dois dias.



