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Paulina García é homenageada e Bonito Cinesur exalta cinema sul-americano

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 05/07/2026 às 14:05
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 05 de julho de 2026, às 14:06

A cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, sedia a partir do dia 24 de julho a quarta edição do Bonito Cinesur, um importante festival de cinema dedicado à integração e ao debate do audiovisual sul-americano. O evento deste ano apresentará um total de 32 produções cinematográficas, abrangendo longas e curtas-metragens de 13 países da América do Sul. A iniciativa consolida-se como um ponto de encontro para culturas e linguagens de todo o continente.

O festival reúne obras da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. A diversidade temática é uma marca registrada, com mostras competitivas e paralelas abordando desde o universo indígena e períodos de ditadura, até a busca pela liberdade, questões sociais e os desafios das mudanças climáticas. Essa amplitude reflete a complexidade e a riqueza narrativa da produção cinematográfica sul-americana, como destacou Andrea Freire, coordenadora do Bonito Cinesur.

Homenagem a Paulina García e o Cinema Chileno

Nesta edição, a grande homenageada é a aclamada atriz chilena Paulina García. Reconhecida internacionalmente por sua performance e versatilidade, García possui uma carreira robusta que inclui participações em produções notáveis como “A Noiva do Deserto” e a série “Narcos”. Seu papel no filme “Gloria” (2013) rendeu-lhe o prestigiado Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim, consolidando seu status como uma das mais expressivas artistas do cinema latino-americano.

A escolha de Paulina García reflete o compromisso do festival em celebrar talentos que contribuem significativamente para a identidade cinematográfica do continente. A coordenadora do festival, Andrea Freire, explicou que anualmente é escolhido um nome relevante para ser apresentado ao público, e a atriz chilena se encaixa perfeitamente nesse perfil de reconhecimento. Além da homenagem, a obra de García será representada na programação com a exibição de “Querido Trópico”, filme selecionado para a cerimônia de abertura do evento. A presença de uma figura de tamanha projeção reforça o papel do Bonito Cinesur como plataforma de valorização do cinema autoral e da troca cultural.

Vincent Carelli: O Legado do Vídeo nas Aldeias

Outro momento de destaque no festival será a concessão do Troféu Pantanal ao cineasta franco-brasileiro Vincent Carelli. Este prêmio reconhece o conjunto de sua obra cinematográfica, que inclui documentários impactantes como “Corumbiara” e “Martírio”. Carelli é amplamente celebrado por sua atuação pioneira na criação do projeto Vídeo nas Aldeias, em 1986. Esta iniciativa revolucionária de capacitação audiovisual foi idealizada para servir aos objetivos políticos e culturais dos povos indígenas do Brasil.

O Vídeo nas Aldeias não apenas instrumentalizou comunidades indígenas na linguagem cinematográfica, mas também destacou o protagonismo desses povos na narrativa de suas próprias histórias. O projeto, que já contribuiu para a produção de mais de 70 filmes, é uma ferramenta política de afirmação, resistência e fortalecimento das identidades indígenas, bem como de seus patrimônios territoriais e culturais. Sua importância foi reconhecida internacionalmente pela UNESCO e no Brasil com a Ordem do Mérito Cultural do governo brasileiro, além de diversos prêmios em festivais nacionais e estrangeiros. A homenagem a Vincent Carelli sublinha o papel do cinema como instrumento de empoderamento e preservação cultural.

Destaques da Programação: Filmes e Debates

A programação do Bonito Cinesur reserva diversas atrações imperdíveis. Um dos pontos altos será a pré-estreia nacional do filme “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles. O longa-metragem oferece um profundo mergulho na trajetória de Honestino Guimarães, um líder estudantil de grande relevância histórica. Honestino presidiu a União Nacional dos Estudantes (UNE) e se tornou um símbolo da resistência contra a ditadura militar brasileira, sendo perseguido, sequestrado e desaparecido pelo regime em 1973. O filme promete trazer à tona discussões cruciais sobre memória, resistência e justiça social.

Haverá também uma sessão especial para “Minha Terra Estrangeira”, documentário de João Moreira Salles e Louise Botkay. O filme, desenvolvido em colaboração com o coletivo Lakapoy, acompanha o líder indígena Almir Suruí e sua filha Txai em um período crítico: às vésperas das eleições de 2022. A obra explora a complexa disputa política e a crescente ameaça à Amazônia, oferecendo uma perspectiva íntima sobre a luta pela preservação ambiental e dos direitos indígenas. Além da exibição, João Moreira Salles ministrará uma aula magna sobre documentários, programada para o dia 29 de julho, às 14h30, na Sala Glauce Rocha, proporcionando uma oportunidade única de aprendizado com um dos maiores nomes do cinema brasileiro.

Bonito Cinesur Educa: Formação e Engajamento

O festival também reforça seu pilar educativo com o Bonito Cinesur Educa, iniciativa criada no ano passado e que se fortalece nesta quarta edição. Este espaço é dedicado à reflexão e à formação livre, com o objetivo de apresentar o cinema como uma possibilidade real para a comunidade de Bonito e região. A programação inclui palestras, cine debates, atividades formativas e encontros com realizadores, promovendo o diálogo e o fomento às redes colaborativas do cinema continental.

A coordenadora Andrea Freire adiantou que oficinas de cinema também farão parte do universo educativo, conectando realizadores, estudantes de cinema e moradores em geral. Essas atividades oferecerão oportunidades de aprendizagem com importantes profissionais do setor. Além disso, haverá uma programação totalmente dedicada ao público infantil, com oficinas de animação e sessões infantojuvenis sul-americanas, buscando atrair esse público, especialmente em uma cidade que não possui salas de cinema comerciais. Essa vertente educacional e de acesso à cultura é fundamental para o desenvolvimento da região e para a formação de novas audiências.

A cerimônia de abertura do Bonito Cinesur está marcada para o dia 24 de julho, às 19h30, e contará com a exibição do filme “Querido Trópico”, dirigido por Ana Endara. O longa narra o encontro de Mercedes, uma mulher rica de meia-idade que enfrenta demência, com Ana María, uma imigrante colombiana. Todas as atividades promovidas pelo CineSur são gratuitas, garantindo amplo acesso à cultura e ao debate cinematográfico. Mais informações sobre a programação completa podem ser consultadas no site oficial da mostra.

Perguntas Frequentes

Quando acontece o Bonito Cinesur?

A quarta edição do festival Bonito Cinesur será realizada a partir do dia 24 de julho, na cidade de Bonito, Mato Grosso do Sul.

Quem será a homenageada no festival?

A homenageada desta edição será a atriz chilena Paulina García, vencedora do Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim por sua atuação no filme “Gloria”.

Quais são os destaques da programação do Bonito Cinesur?

A programação inclui a pré-estreia nacional de “Honestino”, um documentário sobre o líder estudantil Honestino Guimarães, uma sessão especial de “Minha Terra Estrangeira” de João Moreira Salles, e uma aula magna com o próprio cineasta sobre documentários. O festival ainda conta com o programa Bonito Cinesur Educa, com palestras, oficinas e atividades para crianças.


5 de julho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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