Alckmin destaca redução da jornada de trabalho como tendência global
Presidente em exercício também assinou acordos de cooperação com a Fiesp e projetou queda da Selic em março.
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, defendeu a redução da jornada de trabalho como uma tendência mundial nesta segunda-feira (23), em evento com a Fiesp, onde também assinou acordos e debateu temas econômicos. A declaração foi feita em resposta a um pedido da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para adiar a discussão sobre a escala 6×1.
Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, esteve na Fiesp para a assinatura de acordos de cooperação focados no combate a práticas desleais e ilegais no comércio exterior brasileiro. Durante a cerimônia, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, solicitou que o debate sobre a jornada de trabalho, incluindo a possível extinção da escala 6×1, fosse postergado para 2027. Segundo Skaf, anos eleitorais são marcados por emoções e sentimentos que podem se sobrepor aos interesses nacionais.
Em sua manifestação, o presidente em exercício reconheceu a complexidade do tema, mas enfatizou a inevitabilidade das mudanças. “Há uma tendência mundial de você ter uma redução. Aliás, isso já vem acontecendo”, afirmou Alckmin, sugerindo que o debate deve ser aprofundado, considerando as diversas realidades do setor produtivo.
Debate sobre a Jornada de Trabalho
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 tem ganhado destaque no cenário político e econômico do Brasil. A escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho e um de descanso, é comum em diversos setores, mas tem sido alvo de críticas por parte de sindicatos e movimentos sociais que buscam melhores condições para os trabalhadores. A proposta de reduzir a carga horária sem diminuição de salário é vista por defensores como uma forma de melhorar a qualidade de vida, aumentar a produtividade e gerar empregos.
Por outro lado, setores empresariais, como a Fiesp, expressam preocupações com os impactos econômicos de uma eventual mudança, temendo aumentos nos custos de produção e perda de competitividade. Paulo Skaf reiterou essa preocupação ao pedir o adiamento do debate. “A gente precisa que essa discussão vá para 2027. Nós estamos abertos sempre a debater tudo. Só que em ano eleitoral as emoções, os sentimentos, as motivações, muitas vezes se conflituam com os interesses do país”, argumentou o presidente da Fiesp, evidenciando o ponto de vista da indústria.
A posição de Alckmin, ao reconhecer a tendência global de redução da jornada, coloca o governo em uma posição de abertura ao diálogo, mas também de cautela, ao sugerir um aprofundamento da discussão para evitar impactos negativos. O tema, que tem sido uma prioridade para algumas alas do governo, como afirmado por líderes políticos, continuará no centro das atenções, com diferentes visões sobre sua urgência e forma de implementação.
Acordos de Cooperação com a Fiesp
Além do debate sobre a jornada, o evento marcou a assinatura de dois importantes protocolos de intenções entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a Fiesp. O primeiro documento aborda a defesa comercial, buscando fortalecer o comércio justo e promover um ambiente concorrencial mais equilibrado. Alckmin sublinhou que a cooperação com o setor produtivo nesse campo é fundamental para o Brasil.
O protocolo de defesa comercial visa estabelecer as bases para a colaboração institucional, com o objetivo de promover o comércio justo e o uso adequado dos instrumentos de defesa comercial. Isso inclui o combate a práticas desleais e ilegais de comércio, conforme previsto nas legislações nacional e internacional. Entre as ações planejadas, está a criação de uma calculadora de margem de dumping e o compartilhamento de experiências e ferramentas técnicas para aprimorar a capacidade de resposta do país.
O segundo protocolo concentra-se no ambiente regulatório. Sua meta é estabelecer as bases para a cooperação institucional, buscando desburocratizar processos, fortalecer a competitividade e a qualidade regulatória no Brasil. A iniciativa pretende reduzir custos regulatórios e administrativos para empresas e a sociedade, além de desenvolver ações para diminuir barreiras e custos sistêmicos para empreender e investir no país. A ampliação da digitalização dos serviços públicos e a integração de sistemas são exemplos de medidas previstas nessa proposta. Skaf ressaltou a importância desses acordos: “Nós vamos tomar uma medida hoje formal, objetivando avançarmos e termos no Brasil, realmente, uma defesa comercial eficiente, para que a gente não possa permitir que os nossos setores e os nossos empregos sejam atacados de uma forma injusta”.
Projeções Econômicas e Selic
Em sua fala à diretoria da Fiesp, Geraldo Alckmin também compartilhou suas expectativas em relação à economia brasileira, manifestando confiança na atuação do Comitê de Política Monetária (Copom). Ele projetou que a próxima reunião do Copom, agendada para março, marcará o início da redução da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano.
Alckmin justificou sua expectativa com base em dois fatores principais: a apreciação do real e a desinflação dos alimentos. Segundo o presidente em exercício, esses elementos contribuem para um cenário mais favorável à flexibilização da política monetária. “Estamos confiantes de que na próxima reunião do Copom comece a redução da taxa de juros”, afirmou, expressando otimismo quanto a uma melhora na economia brasileira com a tendência de queda dos juros. A redução da Selic é aguardada por diversos setores da economia, que veem na medida um estímulo ao investimento, ao consumo e à retomada do crescimento.
Tarifa Global dos EUA e Impacto no Brasil
Outro ponto abordado por Alckmin aos empresários foi a nova tarifa global de 15% estabelecida pelo governo dos Estados Unidos. Ele avaliou a medida como positiva para o Brasil. A decisão dos EUA, anunciada como resposta à derrubada de tarifas sobre produtos importados imposta anteriormente, aplica-se a todos os países, representando uma mudança em relação às tarifas variáveis por nação.
Alckmin reforçou que, nesse novo contexto, o Brasil é o país mais beneficiado globalmente. Ele explicou que o problema anterior residia no fato de os Estados Unidos terem taxado apenas o Brasil com alíquotas elevadas, como 10% mais 40%. Com a nova tarifa de 15% aplicada a todos, a situação se equilibra. “O problema dos 10% + 40% [de taxas] era um problemão [para o Brasil]. Mas essa decisão de 15% não tem problema porque são 15% para nós e para o mundo inteiro. Agora, o país mais beneficiado no mundo foi o Brasil. Abre aí uma avenida em termos de voltar a ter um comércio…”, disse Alckmin, sugerindo que a medida abre novas oportunidades para o comércio exterior brasileiro.
Perguntas Frequentes
O que Geraldo Alckmin disse sobre a jornada de trabalho?
Geraldo Alckmin afirmou que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial e que o debate sobre o tema deve ser aprofundado, considerando as diferentes realidades do setor produtivo.
A Fiesp pediu para adiar o debate sobre a escala 6×1?
Sim, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, pediu que a discussão sobre o fim da escala 6×1 seja adiada para 2027, argumentando que anos eleitorais não são propícios para debates complexos devido a conflitos de emoções e interesses.
Quais acordos foram assinados entre o Ministério e a Fiesp?
Foram assinados dois protocolos de intenções: um sobre defesa comercial, para combater práticas desleais no comércio exterior, e outro sobre ambiente regulatório, visando desburocratização e promoção da competitividade.




