Alckmin denuncia indulto como “golpismo” e reforça defesa da democracia

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou a proposta de conceder indulto a condenados pelos ataques de 8 de janeiro como “golpismo de marcha ré”. A declaração foi feita na noite desta sexta-feira, em São Paulo, logo após o leilão que transferiu ao grupo português Mota-Engil a construção e operação do túnel submerso que vai ligar Santos a Guarujá.

Alckmin afirmou que o Brasil “preza pela liberdade e pela democracia” e recordou a participação de brasileiros contra o nazismo e o fascismo durante a Segunda Guerra Mundial para sustentar que o autoritarismo não se encaixa na história do país. Sem citar nomes de parlamentares, o vice-presidente rechaçou qualquer tentativa de revisão das sentenças impostas aos envolvidos na tentativa de ruptura institucional que culminou na invasão das sedes dos Três Poderes.

O posicionamento ecoou entre integrantes do governo federal presentes ao evento. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a polarização é inerente à política, desde que não se transforme em plataforma para “eliminar o adversário”. Segundo Haddad, o episódio de janeiro expôs a face de uma polarização autoritária, “aquela que ninguém quer”, e reforçou a necessidade de punição para evitar a repetição de ameaças ao sistema democrático.

Na mesma linha, o titular de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, frisou que o Congresso deveria concentrar esforços em temas econômicos, como a reforma administrativa e a atualização da tabela do Imposto de Renda, em vez de discutir anistia. Para o ministro, a proposta representa um desvio de foco num momento em que o Legislativo pode destravar medidas capazes de impulsionar a competitividade e a arrecadação.

Em contraste, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, evitou comentar tanto o projeto de anistia quanto sua ida a Brasília na semana em que o assunto dominou os corredores do Congresso. Questionado por jornalistas, limitou-se a dizer que sua agenda do dia estava restrita ao leilão do túnel. O chefe do Executivo paulista já declarou, durante a campanha presidencial de 2022, que concederia indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro se tivesse sido eleito.

O leilão na B3 terminou com a vitória da Mota-Engil, que ofertou o maior desconto sobre a tarifa de pedágio para a travessia. O empreendimento exigirá investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, dos quais até R$ 5,14 bilhões sairão dos cofres públicos em partes iguais entre o governo federal e o estado de São Paulo. O restante será bancado pela iniciativa privada. A obra, prevista para começar no fim de 2025, deve reduzir o tempo de deslocamento entre as duas cidades portuárias e aliviar a operação da balsa, hoje responsável pelo transporte diário de cerca de 30 mil pessoas.

Durante a cerimônia, Haddad elogiou a cooperação entre União e governo paulista, apesar das divergências ideológicas. “Os dois governos deram-se as mãos para chegar a este dia e contratar uma obra que beneficiará milhares de pessoas”, afirmou. Silvio Costa Filho reforçou que a convergência demonstra “como se constrói a democracia na prática”, ao concentrar gestão pública e capital privado em obras consideradas estratégicas.

Tarcísio, por sua vez, agradeceu a participação de órgãos federais, estaduais e municipais que atuaram nos estudos de viabilidade, nas licenças ambientais e na modelagem financeira do túnel. O governador destacou que o projeto adotará tecnologia de ponta para a escavação submersa e que seguirá padrões internacionais de segurança. Se o cronograma for mantido, a travessia subterrânea deverá ser inaugurada no início da próxima década, encurtando o percurso entre Santos e Guarujá de 16 quilômetros, via sistema Anchieta-Imigrantes, para menos de 3 quilômetros.

Ao deixar o saguão da bolsa de valores, Alckmin reforçou que o Executivo acompanhará a tramitação de qualquer iniciativa legislativa voltada a anistiar condenados do 8/1 e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não hesitará em vetar dispositivos que ameacem a consolidação das instituições. “A democracia brasileira não pode retroceder”, concluiu.

Crédito Foto: Eduardo Oliveira/MPOR

Fonte das informações: {source_name}

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo