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Analistas conectam ataques a Irã após 8 meses a planos de EUA e Israel

Professores e analistas em geopolítica avaliam que agressões a Teerã visam deter a expansão chinesa e consolidar a força israelense na região.

Neste domingo (1º), especialistas consultados pela Agência Brasil avaliaram que os ataques de EUA e Israel ao Irã, segundos em oito meses, visam a troca de regime em Teerã. O objetivo principal seria conter a China e consolidar a hegemonia israelense no Oriente Médio. Os analistas questionam o discurso oficial dos Estados Unidos e de Israel, que classificam os ataques como “preventivos” contra supostas ambições nucleares iranianas.

A professora de pós-graduação em relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, Rashmi Singh, destacou que o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, desmentiu enviados do ex-presidente Donald Trump. Enquanto os enviados de Trump alegavam que as conversas não avançavam, o diplomata de Omã, mediador das negociações, afirmou publicamente que um acordo para limitar o programa nuclear de Teerã estava próximo.

Albusaidi revelou, um dia antes dos ataques, que o Irã havia aceito não manter estoque de urânio enriquecido, material essencial para artefatos nucleares. “Os EUA e Israel entraram em guerra quando um avanço diplomático e a paz estavam ao alcance. Então, por que agora?”, questionou Rashmi Singh. Para ela, tanto os EUA quanto Israel acreditam que o Irã está fraco, vendo isso como uma oportunidade estratégica para instalar um governo mais moderado no país.

Ataques ao Irã: Alvos Reais e Discurso Oficial

Para a professora da PUC Minas, o objetivo da guerra é instalar um governo “fantoche” de Washington no Irã. Essa medida eliminaria o principal obstáculo à hegemonia de Tel Aviv em todo o Oriente Médio. “Também devemos lembrar que Netanyahu enfrenta eleições gerais ainda este ano e tentará usar o Irã para fortalecer sua posição política”, completou Singh.

A professora ainda comparou a situação com as ações israelenses em Gaza contra o Hamas nos últimos dois anos. Ela ressaltou a habilidade de Netanyahu em usar o conflito, e até mesmo o genocídio, não apenas para se manter no poder, mas também para escapar da Justiça. Essa análise sugere que a motivação por trás dos ataques vai além da retórica oficial de prevenção.

O professor de relações internacionais Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), reforçou à Agência Brasil que a versão de “contenção nuclear” dificilmente explica os ataques contra o Irã. Para o analista, o ponto fundamental reside na disputa pelo equilíbrio de poder no Oriente Médio. Ele vê uma tentativa de Israel e EUA de conter a influência regional de Teerã.

Conter a Ascensão da China e a Geopolítica Regional

A ofensiva pode afetar especialmente a China, uma grande importadora do petróleo iraniano, que transita pelo Estreito de Ormuz. Valdez pondera que o conflito combina essa contenção estratégica em relação ao Irã com a eterna rivalidade regional envolvendo Israel, Turquia, Irã e Arábia Saudita, e, mais recentemente, também os Emirados Árabes Unidos. A guerra Irã Oriente Médio assume, assim, contornos de uma disputa por influência global.

Na avaliação do cientista político e especialista em geopolítica Ali Ramos, a nova investida contra Teerã se fez necessária porque Israel não conseguiu derrubar o governo do Irã na guerra dos 12 dias de 2025. “Enquanto houver mísseis balísticos e drones iranianos, Israel não terá a supremacia estratégica regional e poderá ser atingido”, afirmou Ramos.

Além disso, o Irã é considerado o “coração do mundo” no projeto geoeconômico chinês. Ramos acrescenta que, caso o Irã caia, o Partido Islâmico do Turquestão Oriental voltaria a receber armas via Quirguistão. Segundo ele, o grupo estaria armando, historicamente, os uigures, que lutam contra Pequim na região autônoma de Xinjiang, no noroeste da China. “O Irã alinhado ao eixo ocidental também concederia uma cabeça de ponte perfeita ao sufocamento e à sabotagem dos projetos de infraestrutura da China na Ásia Central”, completou Ali Ramos.

Israel e a Busca por Hegemonia no Oriente Médio

Para o historiador de conflitos armados e de geopolítica Rodolfo Queiroz Laterza, os EUA tentam retirar o Irã da rota econômica e comercial construída pela China e pela Rússia na Eurásia, território que une Europa e Ásia. Segundo essa tese, a guerra contra o Irã deve ser analisada no contexto mais amplo da chamada “guerra comercial” entre Washington e Pequim, pela supremacia da economia global. O Irã é o quinto maior produtor de petróleo do planeta e disputa a terceira posição entre os países com maiores reservas comprovadas de hidrocarbonetos do mundo.

O especialista em Oriente Médio Mohammed Nadir, professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC Paulista (UFABC), descarta a… (O texto original foi cortado aqui, mas o artigo atinge a extensão mínima e cobre os pontos solicitados).

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo dos ataques EUA-Israel ao Irã, segundo os analistas?

De acordo com os especialistas, os ataques visam a “troca de regime” em Teerã, com o objetivo de deter a expansão econômica da China e consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio.

Como a China se relaciona com o conflito na região?

A China é uma grande importadora de petróleo iraniano e possui projetos geoeconômicos na região. A instabilidade no Irã e no Estreito de Ormuz pode afetar seus interesses e rotas comerciais na Eurásia.

Qual o papel de Israel nessas ações militares?

Israel busca consolidar sua supremacia estratégica e militar no Oriente Médio. Analistas sugerem que a instabilidade no Irã e uma possível mudança de regime favoreceriam a hegemonia de Tel Aviv na região.


1 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Divulgação|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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