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Pedreiro teme novos deslizamentos em Juiz de Fora após 66 mortes

Morador de Juiz de Fora relata medo de novos desastres e a luta da comunidade após a tragédia que vitimou 66 pessoas no Jardim Burnier.

O pedreiro Danilo Fartes, 40 anos, de Juiz de Fora (MG), vive o temor de perder a casa onde mora com a família. Após o deslizamento que matou 66 pessoas na última segunda-feira (23), ele cobra moradia digna e ações preventivas na região. A residência de Fartes fica no Parque Jardim Burnier, próximo ao local da tragédia, e ele teme que um novo deslizamento Juiz de Fora possa destruir o que levou décadas para construir.

Desde a adolescência, Danilo seguiu os conselhos do pai para poupar dinheiro e edificar seu próprio lar. A casa, onde vivem ele, a mulher e o filho, demonstra o cuidado dedicado para torná-la confortável. Hoje, contudo, esse esforço de uma vida está sob ameaça iminente. A preocupação com a segurança da família é constante e compartilhada por muitos vizinhos.

Deslizamento em Juiz de Fora: o medo que persiste

O desastre que atingiu o bairro na última semana resultou em um cenário devastador, com dezenas de mortes e a destruição de diversas residências. O número de mortos subiu para 66 em Minas Gerais, conforme as autoridades. A visita do presidente Lula à região, mencionando que “perdas materiais serão recuperadas”, trouxe algum alento, mas a população local, como Danilo, clama por algo mais fundamental: segurança e habitação.

“Minha esposa, minhas irmãs, meus vizinhos estão sem dormir. Todo mundo achando que vai cair de novo”, relata Danilo, expressando a angústia coletiva. A casa é o único patrimônio da família, fruto de “muito suor”, e eles não possuem recursos para se mudar. “Não é uma opção apenas, é o lugar que a gente encontra. A gente consegue um pedaço de terra, faz os cômodos e traz a família. É a história de outros trabalhadores. É o que temos, não queremos morar na rua”, completa o pedreiro, ressaltando a vulnerabilidade de muitas famílias em Juiz de Fora e outras cidades brasileiras.

A tragédia evidenciou a urgência de políticas habitacionais e de infraestrutura. A busca por desaparecidos continua intensa no bairro Jardim Burnier, mobilizando equipes de resgate e voluntários. A comunidade se uniu para auxiliar nos trabalhos, mostrando solidariedade diante da adversidade.

Críticas à falta de prevenção e moradia digna

Danilo Fartes é categórico em sua crítica à falta de ações preventivas estruturais na área. Segundo ele, as autoridades costumam agir apenas após a ocorrência dos desastres. “Eles esperam muitas das vezes acontecer para depois fazer. Não tem trabalho preventivo. As poucas obras de contenção que têm aqui perto ocorreram só depois que os problemas aconteceram e de forma pontual”, afirma. Essa postura reativa, aponta o pedreiro, coloca vidas em risco e agrava o impacto das chuvas Minas Gerais, um problema recorrente no estado.

A falta de planejamento urbano adequado e a ocupação desordenada de encostas são fatores que contribuem para a recorrência de deslizamentos. A demanda por moradia digna e segura é um clamor antigo de diversas comunidades. As famílias que vivem em áreas de risco geralmente não têm outra opção, forçadas pela necessidade e pela ausência de alternativas habitacionais acessíveis.

A vulnerabilidade social dessas famílias é acentuada pela precariedade das construções e pela falta de infraestrutura básica, como sistemas de drenagem eficientes. A cada período chuvoso, o medo de um novo deslizamento Juiz de Fora ou em outras localidades se instala, transformando a vida cotidiana em um constante estado de alerta.

Ações da comunidade e a busca por esperança

Enquanto a incerteza paira sobre o futuro de sua família, Danilo recorda os momentos de angústia em que ajudou a socorrer vizinhos soterrados. Os moradores do Jardim Burnier iniciaram os resgates antes mesmo da chegada das equipes oficiais, enfrentando riscos como choque elétrico e enxurradas. “A população desesperada veio ajudando, tirando com a unha, na mão mesmo, na raça”, conta. A união e a resiliência da comunidade foram cruciais nos primeiros momentos após a catástrofe.

O pedreiro se envolveu diretamente na tentativa de salvar uma criança de 3 anos. “Fiz massagem, joguei para dentro do carro e desci morro abaixo. Mas infelizmente não conseguimos ajudar. Ele não resistiu”, lembra com tristeza. A experiência traumática reforça a urgência de intervenções eficazes para evitar futuras perdas.

Nascido e criado na comunidade, Danilo Fartes se esforça para manter a esperança viva entre os sobreviventes. Ele tem participado ativamente na organização do trânsito, na remoção de escombros e na distribuição de alimentos. “A gente vai ajudando do jeito que pode. Não tem muito o que fazer agora”, diz, demonstrando um espírito de solidariedade inabalável mesmo diante da dor e da incerteza. A situação de Juiz de Fora é um reflexo do desafio enfrentado por inúmeras cidades brasileiras, que precisam conciliar o crescimento urbano com a segurança e o direito à moradia digna.

A prefeitura de Juiz de Fora e o governo do estado de Minas Gerais enfrentam a tarefa de reconstruir as áreas afetadas e, mais importante, implementar medidas preventivas robustas. É fundamental que a resposta à crise não se limite à assistência emergencial, mas que inclua um planejamento de longo prazo que garanta a segurança e o bem-estar dos moradores, especialmente aqueles que vivem em áreas de maior risco. A voz de Danilo e de tantos outros moradores deve ser ouvida para que tragédias como o deslizamento Juiz de Fora não se repitam.

Perguntas Frequentes

Qual foi a causa do deslizamento em Juiz de Fora?

O deslizamento foi provocado por fortes chuvas que atingiram a região, saturando o solo e causando o deslocamento de terra em uma encosta no bairro Parque Jardim Burnier.

Quantas pessoas morreram no deslizamento em Juiz de Fora?

O número de mortes relacionadas ao deslizamento em Juiz de Fora e outras localidades de Minas Gerais subiu para 66, conforme balanço mais recente das autoridades.

Quais são as principais reivindicações dos moradores afetados?

Os moradores cobram ações preventivas estruturais, como obras de contenção de encostas, e soluções de moradia digna e segura para as famílias que vivem em áreas de risco.


1 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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