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PGR contraria suspensão de lei que afeta penas de condenados por atos golpistas

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 19/06/2026 às 10:13
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 19 de junho de 2026, às 10:13

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contra a suspensão da Lei da Dosimetria ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (18). A norma em questão permite a redução de penas para condenados, incluindo aqueles envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Entre os que podem ser impactados pela legislação está o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta processos relacionados aos eventos daquele dia.

A Lei da Dosimetria, identificada como Lei nº 15.402/2026, gerou controvérsia desde sua promulgação. Em maio deste ano, diversas entidades entraram com ações no STF para questionar sua constitucionalidade. A Federação PSOL-Rede, a Federação PT, PCdoB e PV, e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) estão entre os autores desses questionamentos, buscando a invalidação da lei.

A promulgação da lei pelo Congresso Nacional ocorreu após parlamentares derrubarem um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto original. Essa dinâmica legislativa sublinhou o embate entre os poderes Executivo e Legislativo sobre a matéria. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, determinou a suspensão da aplicação da lei até que a Suprema Corte tome uma decisão final sobre sua validade.

Entenda a Lei da Dosimetria e o Parecer da PGR

A dosimetria da pena é um princípio fundamental do Direito Penal, que consiste no processo pelo qual o juiz estabelece a pena final a ser aplicada a um condenado. Para isso, são considerados fatores como a culpabilidade do réu, seus antecedentes, conduta social, personalidade, motivos do crime, circunstâncias, consequências e o comportamento da vítima. A Lei da Dosimetria, portanto, introduz ou modifica critérios que podem influenciar essa fase crucial do processo penal.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defende que a lei não deve ser considerada inconstitucional apenas por possibilitar a diminuição da pena de condenados pelos eventos de 8 de janeiro. Em seu parecer, Gonet argumenta que a Lei nº 15.402/2026 possui características de generalidade e impessoalidade. “A Lei n° 15.402/2026, ainda, não individualiza beneficiários, não menciona pessoas determinadas, não se limita formalmente aos fatos de 08.01.2023, nem condiciona sua incidência à existência de condenações específicas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Essa posição da PGR ressalta a importância de que as leis tenham aplicação universal e não sejam criadas com o intuito de beneficiar ou prejudicar grupos específicos. A argumentação de Gonet foca na forma e no alcance da legislação, buscando demonstrar que ela cumpre os requisitos de uma norma jurídica válida, mesmo que seus efeitos possam ser percebidos em casos de grande repercussão.

O Contraponto da Advocacia-Geral da União

Em contraste com o posicionamento da PGR, a Advocacia-Geral da União (AGU) manifestou-se no mês passado defendendo a inconstitucionalidade da Lei da Dosimetria. Para a AGU, os atentados ocorridos contra a democracia em 8 de janeiro de 2023 exigem uma resposta firme e contundente do Estado, dada a gravidade das condutas. A argumentação da AGU enfatiza a necessidade de proteger as instituições democráticas e garantir que atos golpistas recebam a devida sanção, sem abrandamentos que possam comprometer a ordem jurídica e social.

A divergência entre PGR e AGU evidencia a complexidade do caso e as diferentes interpretações jurídicas sobre o alcance e a validade da nova lei. Enquanto a PGR atua como *custos legis* (fiscal da lei), buscando a aplicação imparcial da legislação, a AGU defende os interesses da União, que, neste contexto, incluem a proteção do regime democrático e a punição exemplar de crimes contra ele.

Principais Entidades e Seus Papéis no Debate:
Procuradoria-Geral da República (PGR): Órgão responsável por defender a ordem jurídica e o regime democrático, atua como *custos legis* nos processos.
Supremo Tribunal Federal (STF): Guarda da Constituição Federal, responsável por julgar a constitucionalidade das leis.
Advocacia-Geral da União (AGU): Representa judicialmente a União, defendendo seus interesses e a legalidade dos atos do Poder Executivo.
Congresso Nacional: Responsável pela criação e aprovação das leis, podendo derrubar vetos presidenciais.
Federações Partidárias (PSOL-Rede, PT, PCdoB, PV): Agem politicamente e juridicamente para questionar normas que consideram prejudiciais.
Associação Brasileira de Imprensa (ABI): Entidade que defende a liberdade de imprensa e os princípios democráticos, também com legitimidade para questionar leis no STF.

O Processo Legislativo e a Atuação do STF

A Lei da Dosimetria chegou ao ponto de ser promulgada após um intenso debate no Congresso Nacional. A derrubada de um veto presidencial é um ato significativo, demonstrando a força do Poder Legislativo em sobrepor-se à vontade do Executivo em determinada matéria. Este mecanismo é uma importante ferramenta de *checks and balances* (freios e contrapesos), essencial em um sistema democrático para evitar a concentração de poder.

No entanto, a atuação do Supremo Tribunal Federal é crucial nesse cenário. Como última instância do Poder Judiciário e guardião da Constituição, o STF tem a prerrogativa de analisar a constitucionalidade de leis e atos normativos. A suspensão da aplicação da lei pelo ministro Alexandre de Moraes é uma medida cautelar, que visa prevenir que uma norma potencialmente inconstitucional produza efeitos irreversíveis antes de um julgamento definitivo.

A decisão final do STF terá amplas repercussões. Se a lei for considerada constitucional, poderá reverter a situação de diversos condenados pelos atos de 8 de janeiro, alterando suas sentenças. Caso seja declarada inconstitucional, a lei perderá sua validade, e as penas serão mantidas conforme a legislação anterior. A data do julgamento definitivo pelo plenário da Suprema Corte ainda não foi marcada, mantendo a expectativa sobre o desfecho deste importante caso jurídico-político.

Os atos de 8 de janeiro de 2023 representaram um ataque sem precedentes às sedes dos Três Poderes em Brasília, com invasão e depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. Os envolvidos foram acusados de crimes como associação criminosa, dano qualificado, golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A resposta do sistema de justiça a esses eventos tem sido monitorada de perto pela sociedade e pela comunidade internacional.

Perguntas Frequentes

O que é a Lei da Dosimetria?

A Lei da Dosimetria é uma norma, identificada como Lei nº 15.402/2026, que permite a redução das penas de condenados por diversos crimes. Ela altera os critérios ou a forma como a pena é calculada pelos juízes, podendo resultar em sentenças mais brandas.

Por que a Lei da Dosimetria é controversa?

A lei gerou controvérsia porque, embora não mencione beneficiários específicos, sua aplicação pode impactar diretamente as sentenças de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Entidades e partidos políticos questionam sua constitucionalidade, alegando que ela poderia abrandar a punição para crimes contra a democracia.

Qual a posição da PGR sobre a Lei da Dosimetria?

A Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio do procurador-geral Paulo Gonet, manifestou-se contra a suspensão da lei. A PGR argumenta que a norma não pode ser considerada inconstitucional apenas por possibilitar a diminuição de penas, destacando seu caráter geral e impessoal.

O que são os atos de 8 de janeiro de 2023?

Os atos de 8 de janeiro de 2023 foram invasões e depredações ocorridas nas sedes dos Três Poderes em Brasília (Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal) por manifestantes que contestavam o resultado das eleições presidenciais. Os envolvidos estão sendo julgados por crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Quem suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria?

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria. A medida cautelar permanecerá em vigor até que o plenário da Suprema Corte realize um julgamento definitivo sobre a constitucionalidade da norma.


19 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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