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Povos tradicionais unem forças para defender Mata Atlântica

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 28/05/2026 às 08:36
Vinícius Carvalho/OTSS-Fiocruz
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 28 de maio de 2026, às 08:36

Representantes de diversos territórios ancestrais lançaram nesta quarta-feira (27), na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O evento, realizado no Dia Nacional da Mata Atlântica, uniu povos indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, povos de terreiro e pescadores artesanais de várias partes do país. O objetivo é defender um dos biomas mais ameaçados do Brasil e garantir os direitos territoriais dessas comunidades.

A Voz Unificada dos Guardiões da Mata Atlântica

A criação da Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica marca um momento significativo para a preservação ambiental no Brasil. Trata-se de uma coalizão inédita que busca amplificar a voz de quem vive e protege a floresta há séculos. A união desses grupos, com seus saberes ancestrais, é fundamental para enfrentar os desafios impostos à Mata Atlântica, um bioma de extrema importância ecológica e social.

Ivanildes Kerexu, coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa e moradora da Aldeia Rio Bonito, no Sertão de Itamambuca, em Ubatuba (SP), destacou a relevância do projeto. Ela enfatizou que a aliança é um passo crucial para a união dos povos. Além disso, busca reforçar a luta por seus territórios e pela garantia de políticas públicas que apoiem tanto a preservação ambiental quanto a subsistência dessas comunidades. A coordenadora ressaltou que a resistência das comunidades tradicionais tem sido o principal fator na manutenção da Mata Atlântica ao longo do tempo.

Para os povos indígenas, a Mata Atlântica possui um significado que transcende o ecológico, incorporando uma espiritualidade muito forte. Ivanildes Kerexu explicou que, na crença do povo Guarani, essa região é vista como uma “terra sem mal”. Essa visão ancestral guia a relação dessas comunidades com o bioma, reforçando seu compromisso intrínseco com a proteção da natureza.

Ameaças Crescentes e a Luta por Direitos Territoriais

A Mata Atlântica, que já cobriu cerca de 15% do território brasileiro em 17 estados, hoje possui apenas aproximadamente 12,4% de sua vegetação original. Este é um dos biomas mais devastados do planeta, tendo sido o primeiro a sofrer os impactos da colonização no Brasil. Atualmente, a floresta enfrenta múltiplas ameaças que colocam em risco sua rica biodiversidade e os povos que nela habitam.

Durante o lançamento da aliança, a deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP), ex-ministra dos Povos Indígenas, alertou para a complexidade desses desafios. Ela sublinhou que a exploração, a mineração e o desmatamento são problemas persistentes. Contudo, o Brasil também se depara com uma nova ameaça internacional: a exploração de terras raras e minerais críticos. Guajajara comparou essa possível exploração à do petróleo, destacando que, sem a devida consideração dos direitos dos povos e sem consulta livre, prévia e informada, as consequências seriam igualmente devastadoras.

A criação dessa articulação, segundo a ex-ministra, é oportuna e extremamente necessária. Ela afirmou que a aliança é um espaço vital para diálogo, denúncias e construção de soluções. A deputada apontou que as estruturas econômicas e políticas dominantes muitas vezes falham em compreender a contribuição fundamental dos povos tradicionais para a vida no planeta. A nova coalizão serve como um fórum de comunidades que se fortalecem para defender o bioma em um momento crítico, quando mais da metade da Mata Atlântica já foi perdida.

As ameaças à Mata Atlântica são diversas e interligadas, incluindo:
– Grandes empreendimentos e a especulação imobiliária, que avançam sobre áreas de floresta.
– O turismo exploratório, com a construção desenfreada de novos resorts em regiões costeiras e naturais.
– O uso intensivo de agrotóxicos na agricultura, que contamina solos e rios.
– A exploração de petróleo e combustíveis fósseis, com seus riscos de vazamentos e impactos ambientais.
– A mineração, que degrada ecossistemas e afeta a qualidade da água e do ar.

O Papel Vital da Mata Atlântica e o Desafio da Preservação

A Mata Atlântica é reconhecida como um berço comum da história e da biodiversidade brasileira. Apesar da drástica redução de sua área, ela ainda abriga uma riqueza natural impressionante. O bioma é lar de mais de 20 mil espécies de plantas e mais de 2 mil espécies de animais vertebrados, muitos dos quais são endêmicos, ou seja, não existem em nenhum outro lugar do mundo. Essa biodiversidade é um patrimônio inestimável para o Brasil e para o planeta.

Além de sua importância ecológica, a Mata Atlântica desempenha um papel crucial para a economia e a vida humana. O bioma é responsável pelo abastecimento de água de mais de 145 milhões de brasileiros, o que corresponde a cerca de 70% da população do país. Isso significa que a saúde da Mata Atlântica afeta diretamente a segurança hídrica, a produção de alimentos e o bem-estar de milhões de pessoas. A manutenção dos serviços ecossistêmicos, como a regulação do clima e a conservação do solo, depende da integridade desse bioma.

A luta dos povos tradicionais para proteger a Mata Atlântica é, portanto, uma luta por direitos fundamentais. Conforme o manifesto de lançamento da aliança, “Somos povos e comunidades tradicionais, guardiãs e guardiões de saberes ancestrais que nos permitem cuidar de nossa mãe natureza, suas florestas, rios, lagoas e mares”. Este compromisso milenar reflete a interdependência entre a cultura humana e o ambiente natural.

A Espiritualidade e a Resistência dos Povos

A relação dos povos tradicionais com a Mata Atlântica vai muito além da subsistência material. Ela engloba uma conexão espiritual profunda, como exemplificado pela visão Guarani da “terra sem mal”. Essa perspectiva holística diferencia a abordagem desses povos da visão puramente extrativista que muitas vezes domina as discussões sobre recursos naturais. A floresta não é apenas um recurso a ser explorado, mas um ser vivo, uma mãe a ser cuidada e respeitada.

A resistência dessas comunidades, que se manifesta na manutenção de seus modos de vida e na defesa de seus territórios, é a garantia mais eficaz contra a destruição do bioma. A coordenadora Ivanildes Kerexu reiterou: “O que manteve até hoje a Mata Atlântica sempre foram as comunidades tradicionais que nela vivem e que estão ali resistindo”. A aliança, ao unir essas vozes, busca fortalecer essa resistência e garantir que suas reivindicações sejam ouvidas e atendidas pelas esferas de poder.

A mobilização em torno da Mata Atlântica é um tema recorrente e urgente em todo o país, permeando as necessidades e preocupações de praticamente todas as comunidades tradicionais. A criação da Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica representa uma nova esperança. Ao fortalecer a rede de proteção e dar visibilidade às demandas desses povos, a aliança trabalha para assegurar um futuro mais sustentável para o bioma e para todos os brasileiros que dependem dele.

Perguntas Frequentes

O que é a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica?
É uma coalizão inédita lançada por representantes de diversos territórios ancestrais, incluindo povos indígenas, quilombolas e caiçaras. A aliança busca unir essas comunidades para defender a Mata Atlântica e lutar por seus direitos territoriais.

Quais são os principais objetivos da Aliança?
Os objetivos centrais da aliança são a defesa da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do Brasil, e a garantia dos direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais que nela habitam. A coalizão também busca reforçar a demanda por políticas públicas de preservação ambiental.

Por que a Mata Atlântica é um bioma tão importante para o Brasil?
A Mata Atlântica é vital para o Brasil por sua rica biodiversidade, abrigando mais de 20 mil espécies de plantas e 2 mil de animais vertebrados, muitos deles únicos. Além disso, é responsável pelo abastecimento de água de cerca de 70% da população brasileira, ou seja, mais de 145 milhões de pessoas.


28 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Vinícius Carvalho/OTSS-Fiocruz|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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