Bahia Pesca inicia cultivo consorciado de 12 mil camarões no semiárido
Inovador projeto no semiárido da Bahia transforma água de dessalinizador em cultivo de tilápias e camarões, gerando renda e alimento.
# Bahia inova com cultivo de tilápia e camarão em água salina de dessalinizador
Na comunidade de Italegre, em Baixa Grande (BA), o rejeito de um dessalinizador se transforma em fonte de alimento e renda. O projeto Pesque PAD, da Bahia Pesca, cultiva tilápia e camarão em água salina, beneficiando moradores e promovendo a sustentabilidade no semiárido.
A iniciativa, que parece um “milagre”, é resultado de um esforço conjunto para transformar um resíduo ambiental em uma oportunidade produtiva. O Programa Água Doce (PAD) implantou o dessalinizador há dez anos no povoado de Italegre, e a água de descarte, antes sem uso, agora alimenta milhares de tilápias e camarões em pleno desenvolvimento.
Transformação Sustentável no Semiárido Baiano
O projeto Pesque PAD é uma parceria entre a Bahia Pesca e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). Seu objetivo central é gerar renda e alimento para comunidades em situação de vulnerabilidade, aproveitando recursos que antes eram descartados. A fase piloto do projeto começou em 2024 na comunidade de Mandassaia, em Riachão do Jacuípe, demonstrando a viabilidade da proposta.
Em Baixa Grande, a execução do Pesque PAD é feita em colaboração com a Associação de Mulheres Produtoras de Italegre e recebe apoio da Secretaria de Agricultura do município. Essa articulação local é fundamental para a adaptação e o sucesso do projeto às necessidades específicas da comunidade.
O semiárido baiano, caracterizado por desafios climáticos e escassez hídrica, encontra no Pesque PAD uma solução inovadora. A utilização do rejeito do dessalinizador não apenas resolve um problema ambiental, mas também abre novas perspectivas econômicas para a região. A comunidade de Italegre, acostumada à pecuária, agora diversifica sua produção e garante mais segurança alimentar.
O Segredo do Cultivo Consorciado de Tilápia e Camarão
Um dos grandes diferenciais do Pesque PAD é o sistema de cultivo consorciado tilápia camarão. Essa técnica inovadora maximiza o uso dos recursos e otimiza o ciclo de nutrientes dentro do tanque. Conforme explica Júnior Sanches, gerente de projetos da Bahia Pesca, a ração é fornecida exclusivamente para a tilápia.
Os camarões, por sua vez, se alimentam dos resíduos da ração e dos dejetos produzidos pelos peixes. Este modelo não só reduz significativamente os custos de produção, pois dispensa a compra de ração específica para os crustáceos, mas também otimiza o aproveitamento de nutrientes no tanque. A estratégia torna o sistema mais eficiente e sustentável do ponto de vista ambiental e econômico.
“Implantamos, há dois meses, 12.000 pós-larvas de camarão e 5.000 alevinos de tilápias que vêm apresentando um desenvolvimento muito satisfatório”, avalia Sanches. Após a realização da primeira biometria, uma medição de crescimento dos animais, ele prevê a despesca, ou seja, a retirada para comercialização, para o início do mês de junho. Este ciclo rápido de produção é um atrativo para as comunidades, permitindo a geração de renda em um curto espaço de tempo.
Geração de Renda e Alimento para a Comunidade
Para a Associação de Mulheres Produtoras de Italegre, a implantação do Pesque PAD representa uma conquista de anos de esforço. A presidente da associação relata que a comunidade foi contemplada em um edital de chamamento público da Bahia Pesca em 2023. Contudo, foi necessário lutar por três anos para conseguir levar energia elétrica ao aerador, equipamento essencial para oxigenar a água do tanque, antes de ver o projeto sair do papel.
Essa persistência demonstra o engajamento e a determinação dos moradores em buscar novas oportunidades. A chegada da energia elétrica foi um marco, permitindo que a infraestrutura necessária para a aquicultura sustentável fosse finalmente implementada.
Para uma comunidade tradicionalmente focada na criação de gado de leite e de corte, o cultivo consorciado tilápia camarão representa uma diversificação importante e um motivo de grande encantamento. “Peixe a gente tem aqui na região: tilápia, traíra…, mas camarão é novidade. Eu mesmo fiquei encantada”, relata Edna, presidente da associação.
Edna já projeta os próximos passos para o primeiro lote da produção, esperado para daqui a cerca de quatro meses. “A gente vai vender o produto para poder comprar ração e alevinos e para continuar gerando renda para a nossa comunidade”, explica. Essa visão de reinvestimento no próprio negócio garante a sustentabilidade do projeto a longo prazo e o empoderamento econômico das mulheres produtoras. A expectativa é que o sucesso em Italegre inspire outras comunidades do semiárido a adotarem práticas semelhantes.
Impacto e Perspectivas Futuras do Projeto Pesque PAD
O projeto Pesque PAD não se limita apenas à produção de alimentos, mas também promove a autonomia e o desenvolvimento social. Ao capacitar os membros da comunidade no manejo do cultivo consorciado tilápia camarão, a iniciativa gera conhecimento e novas habilidades. Este empoderamento é crucial para a resiliência das comunidades do semiárido diante das mudanças climáticas e dos desafios econômicos.
A Bahia Pesca e a Sema veem o Pesque PAD como um modelo replicável. O sucesso em Italegre e o projeto-piloto em Riachão do Jacuípe indicam que o aproveitamento de rejeitos de dessalinizadores para a aquicultura sustentável pode ser expandido para outras localidades da Bahia e do Brasil. A transformação de um problema ambiental em uma solução produtiva e social é um exemplo de inovação aplicada às necessidades locais.
A longo prazo, a diversificação da matriz produtiva, com a introdução da aquicultura, pode fortalecer a economia local e reduzir a dependência de atividades mais vulneráveis às intempéries climáticas. Além disso, a produção de alimentos frescos e saudáveis contribui para a melhoria da nutrição e da qualidade de vida dos moradores. O Pesque PAD demonstra que, com criatividade e colaboração, é possível construir um futuro mais próspero e sustentável para as comunidades rurais.
Perguntas Frequentes
O que é o projeto Pesque PAD?
O Pesque PAD é um projeto da Bahia Pesca e Sema que utiliza a água de rejeito de dessalinizadores no semiárido baiano para cultivar tilápias e camarões, gerando renda e alimento para comunidades vulneráveis.
Como funciona o cultivo consorciado de tilápia e camarão?
Nesse sistema, a ração é dada apenas às tilápias. Os camarões se alimentam dos resíduos da ração e dos dejetos dos peixes, otimizando o uso de nutrientes e reduzindo custos.
Quais são os benefícios do projeto para a comunidade?
O projeto gera uma nova fonte de renda, diversifica a produção local, oferece alimento fresco e promove a sustentabilidade ao transformar um resíduo ambiental em um recurso produtivo.




