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Bahia

Bahia impulsiona futuro agrícola com apoio a 4 cadeias essenciais

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 28/05/2026 às 07:22
s: Manuela Cavadas/Seagri
Leitura: 7 Min
Última Atualização: 28 de maio de 2026, às 07:23

Representantes do setor produtivo, gestores municipais e instituições parceiras debateram em Salvador estratégias para fortalecer as cadeias do cacau, sisal, dendê e citros na Bahia. Os encontros, que ocorreram durante a segunda reunião ordinária das Câmaras Setoriais da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) no Feagri, buscaram soluções para desafios atuais e futuros.

Estratégias para o Desenvolvimento Agrícola na Bahia

O Fórum de Gestores Municipais da Agropecuária da Bahia (Feagri), sediado no Centro de Convenções Salvador (CCS), foi o palco para discussões fundamentais sobre o futuro do agronegócio baiano. As reuniões das Câmaras Setoriais da Seagri, realizadas de forma presencial e on-line, congregaram diversos atores do setor. O objetivo principal foi traçar metas e estratégias para impulsionar cadeias produtivas de grande relevância econômica e social para o estado. A participação ativa de prefeitos dos municípios diretamente impactados por essas culturas foi um dos pontos altos, segundo Assis Pinheiro Filho, diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri e coordenador das Câmaras Setoriais.

A presença dos gestores municipais permitiu uma visão mais aprofundada dos desafios locais e facilitou a proposição de soluções que consideram as particularidades de cada região. A integração entre diferentes níveis de governo e o setor produtivo é vista como um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável e para a superação de obstáculos históricos. A Bahia, com sua vasta extensão territorial e diversidade climática, possui um potencial agrícola significativo que necessita de constante apoio e inovação para se manter competitivo e gerar renda para a população rural.

Desafios e Propostas para Cadeias Específicas

As discussões foram segmentadas por cadeias produtivas, permitindo um foco detalhado nas necessidades de cada setor. Quatro culturas estratégicas – cacau, sisal, dendê e citros – estiveram no centro dos debates, cada uma enfrentando um conjunto particular de desafios e oportunidades.

Sisal: Inovação e Sustentabilidade no Semiárido

A Câmara Setorial do Sisal expressou preocupação com a redução da área plantada e da mão de obra empregada no cultivo e processamento da fibra. O sisal é uma cultura tradicional no semiárido baiano, importante para a economia familiar e para a produção de fibras têxteis e artesanato. Para reverter o cenário, foram debatidas propostas que visam à modernização e à diversificação da atividade agrícola na região.

As principais propostas incluem:

– Ampliação da integração entre órgãos públicos: busca por soluções conjuntas para o setor.
– Adoção de novas tecnologias: modernização para maior produtividade e sustentabilidade.
– Diversificação das atividades agrícolas no semiárido: exploração de outras culturas ou atividades para complementar a renda.

Em um passo importante para o setor, Rafael Mota, presidente da Câmara Setorial do Sisal, anunciou a realização da III Conferência Setorial do Sisal. O evento ocorrerá nos dias 3 e 4 de julho em Nova Palmares, distrito de Conceição do Coité, sob o tema “Inovação, Sustentabilidade e Desenvolvimento no Semiárido”. A conferência reunirá produtores, gestores públicos e instituições para debater sisalicultura, economia solidária, agricultura familiar e reforma agrária, reforçando o compromisso com o avanço da cadeia.

Cacau: Defesa Sanitária e Valorização do Produtor

A reunião da cadeia do cacau focou na necessidade de transformar em lei a instrução normativa que suspendeu a aquisição de cacau oriundo de países como a Costa do Marfim. Essa medida é crucial para a defesa sanitária do cacau nacional, protegendo as lavouras baianas de possíveis pragas e doenças, e reforça a produção interna. A Bahia possui uma história rica na cacauicultura, sendo um dos maiores produtores do Brasil, e a proteção contra importações de baixo custo ou com risco sanitário é vital para a competitividade local.

Outro ponto sensível debatido foi o deságio aplicado ao produto, que continua a impactar negativamente o preço pago aos produtores. O deságio refere-se a descontos ou deduções no valor de venda, que podem comprometer a rentabilidade dos produtores, especialmente os pequenos e médios, que têm menos poder de barganha no mercado. A busca por mecanismos que garantam preços mais justos é uma demanda constante do setor.

Dendê: Renovação e Modernização para Atrair Jovens

O encontro sobre o dendê, conduzido pelo presidente da Câmara Setorial do setor, Eraldo Santos, abordou a necessidade de renovação e ampliação das plantações. A produção de mudas de qualidade é fundamental para garantir a sustentabilidade e o aumento da produtividade da dendeicultura baiana. Além disso, a adoção de novas tecnologias para colheita e processamento foi um ponto central das discussões.

A modernização da cadeia produtiva do dendê é vista como um caminho para otimizar os processos, reduzir custos e aumentar a eficiência. De acordo com os participantes, essa modernização também pode desempenhar um papel crucial na atração de jovens para a atividade agrícola. A falta de sucessão geracional é um problema comum no campo, e a introdução de tecnologias e práticas inovadoras pode tornar o trabalho mais atrativo para as novas gerações, garantindo a continuidade da produção.

Citricultura: Medidas Emergenciais e Apoio a Pequenos Produtores

As discussões sobre a citricultura baiana concentraram-se em medidas emergenciais para enfrentar a crise que atinge os produtores de laranja. A queda nos preços e as dificuldades de comercialização da fruta têm gerado grande preocupação no setor. A citricultura é uma importante fonte de renda para diversas comunidades na Bahia, e a crise atual ameaça a subsistência de muitos agricultores.

Entre as propostas apresentadas para mitigar os impactos da crise, destacam-se:

– Mobilização de órgãos estaduais para ampliar o uso da laranja na merenda escolar: uma forma de escoar a produção e garantir alimentação saudável para estudantes.
– Articulação junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para aquisição de parte da produção: medida para estabilizar os preços e apoiar os produtores em momentos de excesso de oferta.

Gabriel Soares, secretário de Agropecuária de Rio Real e presidente da Câmara Setorial da Citricultura, enfatizou a urgência da situação: “A principal preocupação neste momento é com os pequenos produtores, que já enfrentam os impactos desse cenário.” Ele acrescentou que o setor busca ativamente alternativas para minimizar as dificuldades, que, segundo as projeções, podem persistir ao longo de 2025. A colaboração entre governo e produtores é fundamental para enfrentar esses desafios e garantir a resiliência da citricultura baiana.

Perspectivas Futuras e o Papel da Seagri

O conjunto de reuniões e debates no Feagri sublinha o compromisso da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) em construir um futuro mais próspero e sustentável para o agronegócio baiano. Ao reunir diferentes stakeholders e focar nas particularidades de cada cadeia produtiva, a Seagri busca não apenas solucionar problemas imediatos, mas também estabelecer bases sólidas para o crescimento a longo prazo. A integração de novas tecnologias, a valorização do produtor, a defesa sanitária e a atração de novas gerações para o campo são pilares que sustentarão o desenvolvimento contínuo dessas cadeias essenciais para a economia da Bahia.

Perguntas Frequentes

O que são as Câmaras Setoriais da Seagri?
As Câmaras Setoriais da Seagri são fóruns de debate que reúnem representantes do setor produtivo, gestores municipais e instituições parceiras. Elas têm como objetivo discutir desafios e estratégias para fortalecer cadeias produtivas específicas no estado da Bahia, como cacau, sisal, dendê e citros.

Quais as principais preocupações com a cadeia produtiva do sisal na Bahia?
A cadeia produtiva do sisal enfrenta preocupações como a redução da área plantada e da mão de obra empregada. Para reverter esse cenário, são propostas a ampliação da integração entre órgãos públicos, a adoção de novas tecnologias e a diversificação das atividades agrícolas no semiárido baiano.

Que medidas estão sendo discutidas para apoiar a citricultura baiana?
Para a citricultura, que enfrenta uma crise de preços e comercialização, estão sendo debatidas medidas emergenciais. Elas incluem a mobilização de órgãos estaduais para ampliar o uso da laranja na merenda escolar e a articulação com a Conab para aquisição de parte da produção, visando estabilizar o mercado e apoiar os produtores.


28 de maio de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: s: Manuela Cavadas/Seagri|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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