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Bahia

Bahia transforma água salobra em recurso vital para a agricultura

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 28/05/2026 às 05:22
Manuela Cavadas/Seagri
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 28 de maio de 2026, às 05:22

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (SEAGRI) promoveu em Salvador, nesta quarta-feira, o 6º Fórum Estadual dos Gestores Municipais da Agropecuária da Bahia (Feagri). O evento debateu soluções inovadoras para o tratamento de água salobra e a regulamentação do uso hídrico no campo.

Inovação no campo: a tecnologia Alvatec em destaque

A escassez de água de qualidade é um dos maiores desafios para a agricultura em diversas regiões, especialmente aquelas com solos áridos ou semiáridos. No Nordeste brasileiro, e na Bahia em particular, a presença de águas subterrâneas com alta concentração de sais, conhecidas como águas salobras, limita drasticamente o potencial produtivo de muitas propriedades rurais. Historicamente, poços com essa característica eram descartados pelos produtores, considerados inviáveis para a irrigação de lavouras devido aos danos que a salinidade excessiva pode causar às plantas e ao solo a longo prazo.

Contudo, um novo horizonte se abre para o agronegócio baiano com a apresentação da tecnologia israelense Alvatec. Durante o Feagri, o consultor Luiz de Mestayne, especialista em agricultura irrigada, detalhou o funcionamento desse equipamento inovador. O Alvatec opera por meio de um processo de energização que tem a capacidade de dissolver os sais presentes em águas salobras ou naquelas que contêm excesso de bicarbonatos, cálcio e magnésio. Essa abordagem tecnológica é crucial, pois transforma um recurso antes considerado inutilizável em uma fonte de irrigação aproveitável para a agricultura.

Mestayne ressaltou a aplicabilidade prática e os resultados já obtidos em campo. “Essa tecnologia pode mudar a realidade de produtores. O mais importante é que ela já está em uso na Bahia, com resultados comprovados no campo”, afirmou o consultor. A viabilidade do Alvatec em fazendas baianas demonstra que é possível superar as limitações impostas pela qualidade da água, promovendo um aumento significativo na área irrigável e, consequentemente, na produtividade das lavouras. O investimento em soluções como o Alvatec representa um passo fundamental para a segurança hídrica e alimentar do estado, permitindo que regiões antes marginalizadas pela qualidade da água agora possam contribuir para o desenvolvimento agrícola.

A tecnologia Alvatec oferece múltiplas vantagens para os produtores rurais, entre elas:
– Dissolver sais presentes em águas salobras, tornando-as adequadas para o cultivo.
– Tratar o excesso de bicarbonatos, cálcio e magnésio, elementos que prejudicam a qualidade da água.
– Transformar água de poço artesiano de baixa qualidade em um recurso hídrico valioso.
– Viabilizar a água para irrigação de lavouras, aumentando a resiliência das culturas.
– Ampliar as áreas produtivas e a rentabilidade do agronegócio na Bahia.

Outorga hídrica: equilíbrio e sustentabilidade no uso da água

Paralelamente à inovação tecnológica, a gestão sustentável dos recursos hídricos exige um arcabouço regulatório robusto. A segunda palestra do 6º Feagri abordou a política de outorga hídrica no estado da Bahia, um tema de extrema relevância para garantir a perenidade do acesso à água. O diretor-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (INEMA), Eduardo Topázio, foi o responsável por esclarecer os princípios e a funcionalidade desse instrumento.

Topázio enfatizou que a outorga hídrica não deve ser percebida como uma restrição ao uso da água, mas sim como uma ferramenta essencial para o equilíbrio e a gestão racional desse bem público. “O objetivo da outorga não é impedir o uso da água, mas equilibrar esse uso e garantir o direito de todos”, declarou o diretor-geral. Essa perspectiva é fundamental para desmistificar a outorga, apresentando-a como um mecanismo de planejamento que assegura a disponibilidade hídrica para as gerações presentes e futuras, além de prevenir conflitos pelo uso da água.

A legislação estadual da Bahia estabelece normas técnicas específicas para a captação hídrica, detalhando os procedimentos e critérios para a obtenção da outorga. No caso das águas subterrâneas, que são amplamente utilizadas por meio de poços artesianos, o controle é rigoroso e baseado no monitoramento constante do nível dos aquíferos. Esses reservatórios naturais de água são finitos e sensíveis à exploração excessiva. Por isso, a política de outorga prevê que o uso da água de poços pode ser suspenso temporariamente quando há uma redução excessiva nos níveis dos aquíferos, uma medida preventiva para evitar o esgotamento e garantir a recuperação do recurso.

A água, sendo um bem público por natureza, requer a intervenção estatal para sua gestão. O Estado, por meio de órgãos como o INEMA, atua como mediador em potenciais conflitos entre diferentes usuários, sejam eles agricultores, indústrias ou comunidades urbanas. Para facilitar essa mediação e promover soluções consensuais, os comitês de bacias hidrográficas desempenham um papel crucial. Esses comitês são espaços democráticos de negociação, onde representantes de diversos setores — governo, usuários da água e sociedade civil — se reúnem para discutir e propor soluções equilibradas que atendam tanto às necessidades dos produtores quanto à coletividade, visando a sustentabilidade ambiental e social.

Impacto e futuro da gestão hídrica na Bahia

A combinação de tecnologias inovadoras e uma política regulatória bem definida é a chave para o desenvolvimento de uma agricultura mais resiliente e sustentável na Bahia. A apresentação do Alvatec e o debate sobre a outorga hídrica no 6º Feagri demonstram o compromisso do governo estadual e de entidades como a SEAGRI e o INEMA em buscar soluções proativas para os desafios hídricos. Ao tornar a água salobra aproveitável e ao mesmo tempo gerenciar seu uso de forma equitativa, o estado pavimenta o caminho para um futuro onde a produção agrícola não seja limitada pela falta de água de qualidade.

Essas iniciativas têm um impacto direto na vida dos produtores rurais, especialmente os pequenos e médios, que muitas vezes sofrem mais com a escassez e a má qualidade da água. A possibilidade de irrigar lavouras com água antes descartada não só aumenta a produtividade e a renda, mas também contribui para a segurança alimentar da população baiana. Além disso, a gestão transparente e participativa, promovida pelos comitês de bacias hidrográficas, fortalece a governança da água e estimula a corresponsabilidade entre todos os usuários. O futuro da agricultura baiana passa, inegavelmente, pela capacidade de inovar e de gerir seus recursos naturais com sabedoria, garantindo que o desenvolvimento econômico caminhe lado a lado com a proteção ambiental.


Perguntas Frequentes

O que é a tecnologia Alvatec?
A tecnologia Alvatec é um equipamento israelense que trata água por energização, dissolvendo sais presentes em águas salobras ou com excesso de bicarbonatos, cálcio e magnésio. Ela transforma água de poço artesiano de baixa qualidade em um recurso viável para a irrigação agrícola, com resultados comprovados em fazendas da Bahia.

Qual o objetivo da política de outorga hídrica na Bahia?
A política de outorga hídrica na Bahia tem como objetivo principal equilibrar o uso da água e garantir o direito de todos ao acesso a esse recurso vital. Conforme o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (INEMA), ela não é uma restrição, mas uma ferramenta de gestão que estabelece normas técnicas para a captação e uso, prevenindo o esgotamento de aquíferos e mediando conflitos.

Como os comitês de bacias hidrográficas contribuem para a gestão da água?
Os comitês de bacias hidrográficas funcionam como espaços de negociação e participação, reunindo representantes do governo, usuários da água e da sociedade civil. Eles são essenciais para promover soluções equilibradas e consensuais entre produtores e a coletividade, mediando conflitos e contribuindo para a gestão sustentável dos recursos hídricos na Bahia.


28 de maio de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Manuela Cavadas/Seagri|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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