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Emissoras públicas inovam para fortalecer conteúdo regional

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 20/05/2026 às 04:57
Rovena Rosa/Agência Brasil
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 20 de maio de 2026, às 04:57

A Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) debateram novos formatos e estratégias no Rio de Janeiro nesta terça-feira (19). O objetivo é fortalecer parcerias, ampliar a exibição de conteúdo regional e garantir a sustentabilidade financeira da comunicação pública, integrando inovações como a TV 3.0.

Inovação e representatividade na comunicação pública

A busca por novos formatos e a valorização do conteúdo regional são pautas centrais para as emissoras públicas do Brasil. Um exemplo notável de inovação é o reality show “A Voz Dela”, produzido pela PrefTV, a televisão pública de Caruaru, Pernambuco. O programa teve como missão encontrar uma voz feminina para a locução do São João da cidade, uma das festas mais tradicionais do país.

A competição mobilizou Caruaru, com 11 mulheres disputando a oportunidade de apresentar o evento. A iniciativa incluiu testes de improvisação e conquistou fãs, sendo apresentada no encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) nesta terça-feira (19), no Rio de Janeiro. A jornalista Rebeca Nunes, apresentadora de “A Voz Dela”, destacou a ausência de locutoras femininas nos palcos principais do São João de Caruaru. A ideia do programa surgiu para trazer mulheres comuns, não necessariamente da comunicação, mas com boa desenvoltura e o sonho de estar no palco, falando para milhares de pessoas. Em 2026, o programa realizou sua segunda edição ao vivo, transmitida pela televisão e internet, demonstrando seu sucesso e relevância.

Fortalecendo a rede e a presença regional na TV Brasil

Mais tempo na tela da TV Brasil para produções regionais é uma das propostas da cadeia de emissoras de rádio e TV da RNCP. Coordenada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a rede é formada majoritariamente por emissoras não comerciais. A possibilidade de veicular ou exibir conteúdo regional é uma das principais razões para a adesão ao Sistema Público.

Welder Alves, Gerente de Rádio, Projetos Especiais e Mídia Digitais do Sistema Encontro das Águas (antiga TV Cultura do Amazonas), explicou que, ao entrar para a RNCP, a TV Encontro das Águas já teve vários programas e reportagens exibidos pela TV Brasil e pela Rádio MEC. Exemplos incluem o Festival de Óperas e a cobertura da COP-30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em 2025, no Pará. No entanto, as afiliadas veem espaço para mais. Welder Alves afirmou que a rede tem, entre suas várias demandas, a ampliação da presença de produções regionais na programação como uma que se sobressai. Ele citou um cálculo com dados da EBC, constatando que os programas das parceiras ocupam 11,3% da grade da TV Brasil, entre 6h e meia-noite, um percentual que considerou importante. Para desenvolver novas estratégias para veiculação nacional, a RNCP pretende fazer discussões em câmaras após o fim do encontro.

Sustentabilidade e o futuro da comunicação pública

A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, ex-diretora de Conteúdo e Programação da empresa, ressaltou que a EBC está em um novo momento. As transformações tecnológicas, como a chegada da TV 3.0, que pretende integrar televisão e internet, exigirão que todos estejam no mesmo patamar. Pellegrino defende que o campo público deve agir de forma unificada, mas respeitando a autonomia: “Cabe a cada emissora fazer a sua programação, criar o seu conteúdo, trazer a sua linguagem e se colocar na mesma prateleira, juntos, subvertendo hierarquias.”

O diretor-geral da EBC, David Butter, reconheceu que a rede da EBC não “tem que se prender a modelos” existentes, mas pode ter soluções próprias. Ele vê o papel da EBC como facilitadora da relação, “mais do que uma cabeça de rede alimentada por afiliadas”, afirmando que “não precisa ser assim”. Butter complementou que “cabe à EBC ver oportunidades e compartilhar com suas emissoras parceiras”. Essas parcerias contam com o apoio dos trabalhadores da EBC e da sociedade civil. A jornalista Cibele Tenório, integrante do Comitê de Participação, Diversidade e Inclusão, instaurado no ano passado, defende que as afiliadas busquem uma relação horizontal com a EBC. Ela enfatizou que a rede não pode repetir o modelo de rede comercial. Para Cibele, “a TV só pode ser chamada Brasil, se ela tiver o Brasil na tela, se os sotaques estiverem na tela e as pessoas se virem nessa tela.” Cibele também elogiou experiências como os programas independentes contratados pela Rádio Educadora da Bahia, gerida pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Iderb). A contratação dos conteúdos se deu por edital afirmativo e escolheu programas sobre diversos gêneros musicais, como música baiana, africana, rap e trap, que o Iderb ofereceu gratuitamente para veiculação por emissoras que integram a RNCP.

Ao final do encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública, foi apresentado um rascunho da Carta do Rio, com um resumo das reivindicações e análises das afiliadas sobre o cenário da comunicação pública no país. No documento, gestores da rede reforçam o pedido por repartição de recursos federais oriundos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP). Segundo o site da Anatel, em 2025, a EBC recebeu R$ 3,8 milhões da CFRP. O diretor-geral da Fundação Carmélia Maria de Souza, Igor, analisou que “o foco da carta é a defesa da sustentabilidade financeira das emissoras e formas de financiamento, não dá para ser uma única [fonte]”.

Principais pontos da Carta do Rio:

– Defesa da sustentabilidade financeira das emissoras públicas.
– Busca por múltiplas formas de financiamento, não apenas uma única fonte.
– Reforço do pedido por repartição de recursos federais da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP).
– Análise do cenário atual da comunicação pública e suas necessidades de expansão.

Perguntas Frequentes

O que é a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP)?
A Rede Nacional de Comunicação Pública é uma cadeia de emissoras de rádio e TV, coordenada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ela é composta majoritariamente por emissoras não comerciais, que buscam fortalecer a comunicação pública no país e ampliar a veiculação de conteúdo regional.

Qual o objetivo do programa “A Voz Dela”?
O programa “A Voz Dela”, da PrefTV de Caruaru, Pernambuco, teve como objetivo encontrar uma voz feminina para a locução do São João da cidade. Além de promover a inclusão e a representatividade feminina em um palco tradicional, o reality serve como exemplo de um novo formato de conteúdo regional para as emissoras públicas.

Como a EBC e as emissoras públicas buscam a sustentabilidade financeira?
A EBC e suas parceiras da RNCP buscam a sustentabilidade financeira por meio de discussões sobre novas estratégias e a defesa da repartição de recursos federais. A “Carta do Rio” reforça o pedido por verbas da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP) e a busca por múltiplas fontes de financiamento para as emissoras.


20 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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