Bahia atrai US$3 bilhões para produção de diesel verde e SAF

O governador Jerônimo Rodrigues e o embaixador Sharif Alsuwaidi se reuniram na Bahia, nesta segunda-feira (18), para detalhar...
Por Redação
18/05/2026 às 18h58 Atualizado há 8 horas
Wuiga Rubini/GOVBA

O governador Jerônimo Rodrigues e o embaixador Sharif Alsuwaidi se reuniram na Bahia, nesta segunda-feira (18), para detalhar o avanço de US$ 3 bilhões em investimentos da Acelen Renováveis. O foco é impulsionar a produção de combustíveis sustentáveis e fortalecer a economia local. A discussão abordou a cadeia produtiva da macaúba e projetos de combustíveis renováveis no estado.

Investimento Bilionário em Combustíveis Sustentáveis

A Bahia está se posicionando como um polo estratégico para a produção de energia limpa, atraindo parcerias de peso como a dos Emirados Árabes Unidos. O encontro entre o governador Jerônimo Rodrigues e o embaixador Sharif Alsuwaidi, juntamente com representantes da Acelen, marcou um passo significativo. A pauta principal foi o desenvolvimento de projetos robustos na área de combustíveis renováveis, essenciais para a transição energética global. A Acelen Renováveis apresentou detalhes de um projeto ambicioso, que prevê aportes de US$ 3 bilhões ao longo de dez anos.

Este investimento bilionário será direcionado especificamente para a implantação de uma cadeia produtiva focada em dois tipos de biocombustíveis avançados: o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e o Diesel Verde (HVO). O SAF, ou Sustainable Aviation Fuel, é uma alternativa ao querosene de aviação tradicional, capaz de reduzir significativamente as emissões de carbono do setor aéreo. Já o HVO, ou Hydrotreated Vegetable Oil, é um diesel renovável que pode ser usado em motores convencionais, oferecendo uma pegada de carbono muito menor que o diesel fóssil. Ambos são cruciais para a descarbonização dos transportes e representam um mercado em expansão global.

Os Emirados Árabes Unidos, um país com forte atuação no setor energético, demonstram interesse crescente em tecnologias de energia limpa. A presença de seu embaixador na Bahia sublinha a relevância estratégica da parceria. O estado baiano, por sua vez, busca consolidar-se como uma porta de entrada para investimentos em diversas áreas, conectando-se cada vez mais com o cenário internacional.

Macaúba e o Futuro da Bioenergia na Bahia

No cerne do projeto da Acelen Renováveis está o cultivo da macaúba, uma palmeira nativa do Brasil com grande potencial para a produção de óleo. A escolha da macaúba não é aleatória; ela se destaca por suas características sustentáveis. A planta pode ser cultivada em áreas degradadas, o que elimina a necessidade de desmatamento para a expansão agrícola. Este método de cultivo contribui diretamente para a recuperação de solos e a conservação da biodiversidade, alinhando-se aos princípios da bioeconomia circular.

O governador Jerônimo Rodrigues enfatizou a importância de fortalecer a pesquisa e a inovação para otimizar a cadeia produtiva da macaúba. Isso inclui desde o desenvolvimento de variedades mais produtivas até aprimoramentos nos processos de extração e refino do óleo. Além disso, o projeto integra a agricultura familiar, oferecendo novas oportunidades de renda e inclusão produtiva para pequenos agricultores. A produção em larga escala de macaúba, combinada com tecnologias avançadas, promete transformar a matriz energética da região e gerar um novo ciclo de desenvolvimento.

A iniciativa da Acelen Renováveis demonstra um compromisso com a sustentabilidade em múltiplos níveis, desde a origem da matéria-prima até o produto final. A valorização de culturas nativas e o foco em práticas agrícolas regenerativas são pilares para um modelo de desenvolvimento que respeita o meio ambiente e impulsiona a economia local.

Impacto Econômico e Desenvolvimento Regional

Os US$ 3 bilhões de investimento em combustíveis renováveis terão um impacto profundo na economia baiana. A implantação da cadeia produtiva de macaúba e as instalações para produção de SAF e HVO gerarão milhares de empregos, tanto diretos quanto indiretos, ao longo de sua execução e operação. Isso inclui vagas na agricultura, indústria, pesquisa e serviços, impulsionando a qualificação da mão de obra local. Além da geração de empregos, o projeto promoverá:

Geração de renda: Direta para agricultores familiares e trabalhadores, e indireta para toda a cadeia de suprimentos e serviços.
Desenvolvimento regional: Fortalecimento das economias locais onde as áreas de cultivo e as plantas de processamento serão instaladas, com melhoria da infraestrutura e dos serviços.
Inovação tecnológica: Atração de centros de pesquisa e desenvolvimento, consolidando a Bahia como um polo de bioenergia.
Mercado de carbono: O projeto tem potencial para gerar créditos de carbono, agregando valor e inserindo a Bahia no mercado global de soluções climáticas.

O governador também destacou a importância de iniciativas ligadas ao mercado de carbono e ao reaproveitamento de resíduos. A produção de biocombustíveis a partir de matérias-primas como a macaúba, cultivada em áreas degradadas, pode ser um grande vetor para a economia verde. O reaproveitamento de resíduos do processo produtivo, por sua vez, fecha o ciclo de sustentabilidade, minimizando o impacto ambiental e maximizando a eficiência dos recursos.

Fortalecimento das Relações Internacionais e Sustentabilidade

A parceria com os Emirados Árabes Unidos transcende o aspecto meramente financeiro, representando um fortalecimento das relações internacionais da Bahia. O chefe do Executivo baiano pontuou que o estado busca ampliar as relações comerciais e turísticas, transformando-se em um hub para investimentos estrangeiros. Essa estratégia visa diversificar a economia local e criar um ambiente favorável para o intercâmbio de conhecimento e tecnologia.

A visão é que, nos próximos anos, a Bahia esteja cada vez mais conectada com outros países, não apenas no setor de energia e sustentabilidade, mas em múltiplas frentes econômicas. A consolidação como uma porta de entrada para investimentos em diferentes áreas é um objetivo central. A sustentabilidade, que foi um dos temas destacados no encontro, atua como um pilar fundamental para atrair esses investimentos. Projetos que promovem a economia verde e a responsabilidade ambiental são cada vez mais valorizados por investidores globais.

A iniciativa em torno da macaúba e dos combustíveis renováveis é um exemplo prático de como a Bahia pode alinhar seu desenvolvimento econômico com as metas globais de sustentabilidade, contribuindo para a redução de emissões e para um futuro mais limpo e próspero.

Perguntas Frequentes

Quais empresas e governos estão envolvidos nos investimentos na Bahia?
O governador Jerônimo Rodrigues representou o governo da Bahia no encontro. O embaixador Sharif Alsuwaidi representou os Emirados Árabes Unidos. A Acelen Renováveis, por sua vez, é a empresa responsável pelos investimentos e projetos na área de combustíveis sustentáveis no estado.

O que são SAF e HVO, e por que são importantes para a sustentabilidade?
SAF (Sustainable Aviation Fuel) é um combustível de aviação sustentável, e HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) é um diesel verde. Ambos são biocombustíveis avançados que reduzem significativamente as emissões de gases de efeito estufa em comparação com seus equivalentes fósseis, sendo cruciais para a descarbonização dos setores de aviação e transporte terrestre.

Como o cultivo da macaúba contribui para o desenvolvimento regional?
O cultivo da macaúba, utilizado como matéria-prima para os biocombustíveis, contribui ao ser plantado em áreas degradadas, sem desmatamento, e ao integrar a agricultura familiar. Isso gera emprego, renda e promove o desenvolvimento das comunidades locais, além de impulsionar a pesquisa e inovação na região.


18 de maio de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Wuiga Rubini/GOVBA|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗