Seagri impulsiona mangaba na Chapada Diamantina com agroindústria
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Seagri impulsiona mangaba na Chapada Diamantina com agroindústria

Redação 7 min de leitura Bahia

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) reuniu recentemente secretários de Agricultura de 12 municípios da Chapada Diamantina, em Ibicoara, Bahia. O encontro, realizado na quarta-feira (13), teve como propósito central discutir a ampliação do potencial econômico da mangaba. O foco é incentivar o processamento agroindustrial e agregar valor à produção de forma sustentável, beneficiando os trabalhadores locais.

Fortalecimento da cadeia produtiva da mangaba na Bahia

A iniciativa da Seagri visa ir além da comercialização da mangaba *in natura*, impulsionando a verticalização da cadeia produtiva. Esse processo envolve a transformação do fruto bruto em produtos com maior valor agregado, gerando novas oportunidades de renda e desenvolvimento para as comunidades rurais. A ação também pode ser expandida futuramente para outras culturas nativas da rica região da Chapada Diamantina, conhecida por sua biodiversidade.

O diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Assis Pinheiro Filho, destacou a importância da articulação coletiva. Ele afirmou que o encontro com os gestores municipais solidifica um esforço conjunto, despertando nas pessoas a vasta potencialidade existente na região. O desafio imediato é converter esse potencial em projetos concretos que possam se traduzir em renda sustentável para os trabalhadores do campo.

O evento foi organizado em parceria com a Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem) e a Prefeitura de Ibicoara. Durante o encontro, foram apresentadas diversas possibilidades de verticalização da cadeia produtiva da mangaba. Entre os exemplos citados estavam a produção de cerveja artesanal, doces variados, picolés e sorvetes, todos feitos a partir do fruto. Essas iniciativas se alinham às ações da Seagri para fortalecer o agroextrativismo e garantir a geração de renda para os produtores.

O agroextrativismo, base dessas ações, refere-se à coleta sustentável de produtos naturais em florestas e outros ecossistemas. Ele desempenha um papel crucial na economia de diversas comunidades tradicionais. A mangaba, sendo um fruto nativo, é um pilar nesse modelo, unindo a conservação ambiental à subsistência e ao desenvolvimento socioeconômico. A Seagri, ao promover o debate e o incentivo ao processamento, reforça seu compromisso com a agricultura familiar e a valorização dos recursos naturais da Bahia.

Potencial da mangaba: da sociobiodiversidade à verticalização

A mangaba, um fruto nativo brasileiro, possui características únicas que variam conforme o bioma em que é encontrada. O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Josué Francisco da Silva Júnior, ministrou uma palestra detalhando as particularidades da mangaba nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Ele explicou que as distintas características do fruto em cada ambiente ampliam significativamente as possibilidades de seu uso e aproveitamento.

A Embrapa categoriza a mangaba como uma “planta para o futuro”. Essa classificação é reservada a frutíferas nativas que demonstram um grande potencial nutricional, farmacêutico e científico, mas que ainda são pouco exploradas. O pesquisador Silva Júnior enfatizou a necessidade de reconhecer a mangaba como um produto da sociobiodiversidade. Isso significa que a fruta não apenas pode gerar alimento, mas também se tornar uma importante fonte de renda para as comunidades locais, valorizando a cultura e o conhecimento tradicional.

A verticalização da cadeia produtiva da mangaba representa um salto qualitativo para os produtores. Em vez de apenas vender o fruto fresco, que tem validade limitada e preço mais volátil, eles podem transformá-lo. Processar a mangaba em polpas, geleias, sucos concentrados ou outros produtos industrializados aumenta seu valor de mercado. Além disso, estende a vida útil do produto, permitindo que seja comercializado por mais tempo e em mercados mais distantes.

Esse tipo de transformação agroindustrial requer investimentos em infraestrutura e conhecimento técnico. Contudo, os benefícios superam os desafios, promovendo o desenvolvimento local. A diversificação dos produtos derivados da mangaba também abre portas para novos mercados, incluindo o de produtos gourmet e orgânicos, que valorizam ingredientes nativos e sustentáveis. A Bahia, com sua rica biodiversidade, tem um vasto potencial para se destacar nesse segmento.

A Embrapa, com sua expertise científica, desempenha um papel vital neste processo. Suas pesquisas sobre as propriedades da mangaba em diferentes biomas fornecem a base para o desenvolvimento de novos produtos e processos. O conhecimento gerado pela pesquisa agropecuária é essencial para que os produtores possam inovar e agregar valor de forma eficiente e segura.

As possibilidades de uso da mangaba são vastas e incluem:
– Produção de polpas e sucos: que podem ser comercializados em escala maior e com maior durabilidade.
– Doces e geleias: aproveitando o sabor único da fruta para produtos artesanais e industriais.
– Sorvetes e picolés: ideais para o clima quente e com grande aceitação popular.
– Cervejas e outras bebidas artesanais: explorando o potencial de fermentação e sabor diferenciado.
– Aplicações farmacêuticas e cosméticas: devido ao potencial ainda pouco explorado de seus compostos.

Impacto e próximos passos para a economia local

Parte desse potencial já se manifesta na Chapada Diamantina. O secretário da Agricultura de Iraquara, Jorge Paulo, participou do encontro com o objetivo de buscar intercâmbio de experiências e parcerias estratégicas. A intenção é estruturar a cadeia produtiva da mangaba em seu município com um foco comercial mais robusto. Ele relatou que as famílias quilombolas de Iraquara dependem do extrativismo da mangaba para manter sua economia local. A comercialização da fruta já proporciona renda, mas o nível de processamento ainda é baixo, indicando uma grande margem para crescimento.

Em Ibicoara, a abundância e o potencial da mangaba foram destacados na véspera da reunião oficial. Um dia de campo foi realizado na comunidade do Cantagalo, mostrando a vasta presença de campos nativos da fruta na região. O secretário da Agricultura de Ibicoara, Nelson Júnior, expressou otimismo. Ele ressaltou que, com a equipe da Seagri presente em campo, a comunidade tem um grande potencial para crescer e desenvolver ainda mais a produção da mangaba.

Os próximos passos envolvem a concretização dos projetos discutidos e a mobilização de recursos para a implementação das agroindústrias. Isso inclui desde a capacitação dos produtores em técnicas de processamento e gestão, até o acesso a linhas de crédito e a mercados consumidores. A colaboração entre os municípios, o governo estadual e instituições de pesquisa como a Embrapa é fundamental para o sucesso dessa iniciativa.

A busca por um desenvolvimento rural sustentável e inclusivo é a base dessas ações. A valorização de produtos da sociobiodiversidade, como a mangaba, não apenas impulsiona a economia local. Ela também contribui para a conservação ambiental, pois incentiva a manutenção dos biomas onde essas plantas prosperam. O fortalecimento do agroextrativismo na Chapada Diamantina é um exemplo de como é possível gerar riqueza respeitando e protegendo o meio ambiente.

A articulação entre os 12 municípios participantes é um fator chave para o sucesso. A troca de experiências, a padronização de processos e a criação de cooperativas podem fortalecer os produtores e garantir uma maior competitividade no mercado. A Seagri atua como catalisador, conectando as pontas dessa cadeia e fornecendo o suporte necessário para que o potencial da mangaba se transforme em prosperidade duradoura para as comunidades da Chapada Diamantina.

Perguntas Frequentes

1. O que foi o encontro da Seagri na Chapada Diamantina?
O encontro reuniu a Secretaria da Agricultura (Seagri) e secretários de 12 municípios da Chapada Diamantina para discutir o fortalecimento da cadeia produtiva da mangaba. O objetivo principal foi incentivar o processamento agroindustrial da fruta, agregando valor e gerando mais renda para os produtores locais.

2. Qual o potencial da mangaba para a região?
A mangaba é classificada pela Embrapa como uma “planta para o futuro”, com potencial nutricional, farmacêutico e científico ainda pouco explorado. Na Chapada Diamantina, a fruta pode impulsionar a economia local, especialmente para comunidades como as quilombolas de Iraquara, através da verticalização da produção e da geração de diversos produtos.

3. Como o processamento agroindustrial pode beneficiar os produtores?
O processamento agroindustrial transforma a mangaba *in natura* em produtos de maior valor agregado, como doces, sorvetes ou cerveja artesanal. Isso aumenta os lucros dos produtores, estende a validade do fruto, diversifica o mercado e cria novas oportunidades de emprego e renda nas comunidades rurais.


15 de maio de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Tiago Dantas/Seagri|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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