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Mata Atlântica registra queda recorde de 28% no desmatamento

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 14/05/2026 às 22:42
Fernando Frazão/Agência Brasil
Leitura: 5 Min
Última Atualização: 14 de maio de 2026, às 22:42

A Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta, apresentou uma queda significativa de 28% na área desmatada em 2025, comparado a 2024. O número passou de 53.303 hectares (há) para 38.385 há no ano passado, marcando o menor nível da série histórica. Essa desaceleração confirma uma trajetória positiva, conforme avaliação da Fundação SOS Mata Atlântica.

A entidade divulgou os resultados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, uma iniciativa em parceria com a MapBiomas e a Arcplan, que monitora o bioma desde 2022. A redução das derrubadas foi observada em 11 dos 17 estados abrangidos pelo bioma. No entanto, o avanço da legislação ambiental e a mobilização da sociedade civil são apontados como elementos cruciais para essa conquista.

Desaceleração histórica e o monitoramento do bioma

A Mata Atlântica é um bioma de extrema importância para o Brasil, abrigando uma vasta biodiversidade e prestando serviços ecossistêmicos essenciais. No entanto, é também um dos mais impactados pelo desmatamento histórico, com grande parte de sua cobertura original já perdida. O monitoramento contínuo é fundamental para acompanhar sua recuperação e identificar as áreas de maior pressão.

Os dados recentes são resultado de dois sistemas de monitoramento distintos, mas complementares. O SAD Mata Atlântica registrou a queda de 28%, focando em alertas de desmatamento. Paralelamente, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, uma parceria da Fundação SOS Mata Atlântica com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicou uma redução ainda mais expressiva de 40%. Este atlas monitora fragmentos de florestas maduras desde 1985.

Em 40 anos de monitoramento, esta é a primeira vez que o desmatamento anual registrado pelo Atlas ficou abaixo de 10 mil hectares, passando de 14.366 ha em 2024 para 8.668 ha em 2025. Essa marca histórica ressalta a eficácia das ações de proteção e a necessidade de manter o rigor na fiscalização.

Os principais focos de desmatamento, embora com reduções em muitos locais, ainda persistem em alguns estados. Em 2025, os estados com maior perda florestal foram:

* Bahia: 17.635 ha desmatados
* Minas Gerais: 10.228 ha desmatados
* Piauí: 4.389 ha desmatados
* Mato Grosso do Sul: 1.962 ha desmatados

Esses quatro estados, juntos, foram responsáveis por 89% da área total desmatada no bioma. Nos demais estados, as perdas ficaram abaixo de 1 mil hectares. A SOS Mata Atlântica destaca que quase toda a destruição registrada, cerca de 96%, foi convertida para uso agropecuário, com grande parte apresentando indícios de ilegalidade. Este cenário reforça a ligação entre a expansão agrícola e o desmatamento ilegal, demandando uma atenção contínua às cadeias produtivas e à conformidade ambiental.

O papel da legislação e da fiscalização na proteção

A SOS Mata Atlântica atribui os resultados positivos a uma série de fatores, incluindo:
Pressão pública e mobilização da sociedade: A crescente conscientização sobre a importância da conservação ambiental e a demanda por ações efetivas.
Políticas ambientais: A implementação de programas e estratégias governamentais voltados à proteção do bioma.
Fiscalização rigorosa: A atuação de órgãos de controle para coibir práticas ilegais de desmatamento.

Entre as ações específicas que contribuíram para essa queda, destacam-se a Operação Mata Atlântica em Pé, que visa combater o desmatamento ilegal através de ações coordenadas. Além disso, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas desmatadas ilegalmente são instrumentos poderosos que desestimulam a prática. A afirmação da Lei da Mata Atlântica como principal instrumento de proteção da vegetação nativa do bioma é igualmente crucial, fornecendo o arcabouço legal necessário para a conservação. A lei, em vigor desde 2006, estabelece regras claras para o uso e a proteção da Mata Atlântica.

Ameaças futuras e a importância da vigilância contínua

Apesar dos números encorajadores, Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica, alerta para a necessidade de manter a vigilância. “O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento”, afirmou. O bioma, por sua natureza fragmentada e alta biodiversidade, é particularmente sensível à perda de vegetação, mesmo em pequenas extensões.

Um risco concreto ao bioma está em discussão no âmbito do Legislativo. Em 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial. A SOS Mata Atlântica avalia que essas leis enfraquecem mecanismos de controle do desmatamento justamente quando eles demonstram resultados concretos. Essa situação é vista com grande preocupação.

Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, criticou a aprovação das novas leis. “É uma distorção que leva o Brasil na contramão do Acordo de Paris e potencializa tragédias climáticas. Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo”, declarou. O Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário, estabelece metas globais para limitar o aquecimento do planeta, e o combate ao desmatamento é fundamental para o cumprimento desses compromissos. A flexibilização das regras ambientais pode comprometer não apenas o futuro da Mata Atlântica, mas também a credibilidade do país em sua agenda climática internacional.

Perguntas Frequentes

Qual foi a redução do desmatamento na Mata Atlântica em 2025?
A Mata Atlântica registrou uma queda de 28% na área desmatada em 2025 em comparação com 2024, passando de 53.303 hectares para 38.385 hectares. Este é o menor nível de desmatamento já registrado na série histórica do bioma.

O que é o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica?
É um sistema de monitoramento realizado em parceria pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde 1985. Ele acompanha os grandes fragmentos de florestas maduras do bioma e também indicou uma redução expressiva de 40% no desmatamento.

Por que a SOS Mata Atlântica alerta para riscos futuros apesar da queda?
A SOS Mata Atlântica alerta que novas leis aprovadas pelo Congresso Nacional em 2025, como a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, podem enfraquecer os mecanismos de controle do desmatamento. A entidade argumenta que isso contraria os avanços obtidos e os compromissos do Brasil com o Acordo de Paris.


14 de maio de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil|Redação: Redação|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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