OIM registra 7.667 mortes em rotas migratórias perigosas em 2025
Organização Internacional para as Migrações (OIM) alerta que o número real de vítimas pode ser maior devido a cortes de financiamento e à diminuição de vias legais para migrantes.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) registrou 7.667 mortes e desaparecimentos em rotas migratórias perigosas em 2025. O número real pode ser maior devido a cortes de financiamento e menor acesso a vias legais, segundo a agência.
A OIM alertou nesta quinta-feira que a contínua perda de vidas em perigosas rotas migratórias representa uma falha global inaceitável. A diretora-geral da organização, Amy Pope, enfatizou a urgência de ação coordenada entre os países. “Essas mortes não são inevitáveis”, declarou Pope em comunicado. Ela destacou que a falta de vias seguras leva as pessoas a empreenderem jornadas perigosas, caindo nas mãos de contrabandistas e traficantes inescrupulosos. A OIM defende a expansão de rotas seguras e regulares para proteger os necessitados, independentemente de seu status migratório.
Vias Legais Diminuem e Aumentam Mortes em Rotas Migratórias
O relatório da OIM indica que as vias legais para a migração estão em declínio acentuado. Esta redução empurra um número cada vez maior de pessoas para a ilegalidade e para a dependência de redes de contrabandistas. Governos em regiões como Europa e Estados Unidos, bem como em outras partes do mundo, intensificam a fiscalização de fronteiras. Eles também investem pesadamente em medidas de dissuasão, o que, paradoxalmente, contribui para o aumento dos riscos enfrentados pelos migrantes.
Essa política de endurecimento das fronteiras, segundo a OIM, não resolve o problema da migração, mas o torna mais perigoso. As pessoas continuam a fugir de conflitos, perseguições e pobreza, mas com menos opções seguras. O resultado é um ciclo vicioso de desespero e vulnerabilidade, que alimenta o tráfico humano e as mortes em rotas migratórias. A organização defende que a criação de canais de migração regular e acessível é a única forma humanitária de combater essa crise.
Impacto dos Cortes de Financiamento no Rastreamento de Vítimas
Os cortes no financiamento global afetaram diretamente o acesso humanitário e a capacidade da OIM de rastrear mortes de forma eficaz. A organização, com sede em Genebra, está entre os grupos de ajuda humanitária impactados por grandes reduções de verba. Em particular, cortes significativos dos Estados Unidos forçaram a agência a reduzir ou encerrar programas essenciais. Estes incluem iniciativas de busca e resgate, assistência a vítimas de tráfico e apoio a migrantes vulneráveis.
A OIM estima que essa diminuição drástica nos recursos terá um impacto grave e prolongado na proteção e assistência aos migrantes. Embora o número de mortes ao longo das rotas migratórias tenha sido registrado em 7.667 em 2025, uma queda em relação aos quase 9.200 de 2024, a agência alerta. Ela ressalta que essa diminuição não reflete uma redução real nos perigos. Pelo contrário, ela espelha o acesso cada vez menor à informação e a uma capacidade limitada de documentar os óbitos. A falta de financiamento tem dificultado seriamente os esforços para rastrear e contabilizar as mortes de forma precisa e abrangente.
A Organização Internacional para as Migrações alerta que o subdimensionamento dos dados é uma preocupação grave e um obstáculo para a formulação de políticas. Sem recursos adequados, torna-se impossível ter uma compreensão completa da extensão da crise humanitária. A precisão dos dados é crucial para informar políticas e intervenções eficazes. Além disso, a falta de dados precisos impede que as famílias das vítimas recebam informações sobre seus entes queridos, perpetuando o sofrimento.
Rotas Marítimas e Regionais Continuam Letais
As rotas marítimas permaneceram as mais letais para os migrantes em 2025, evidenciando a extrema periculosidade das travessias oceânicas. Pelo menos 2.108 pessoas morreram ou desapareceram no Mediterrâneo no ano passado. Este número alarmante destaca os riscos enfrentados por aqueles que tentam chegar à Europa por mar. Outras 1.047 vítimas foram registradas na rota atlântica, que leva às Ilhas Canárias, na Espanha, uma rota cada vez mais utilizada e perigosa.
Na Ásia, a situação também é desoladora, com cerca de 3 mil mortes de migrantes registradas. Mais da metade dessas vítimas eram de afegãos, que buscam refúgio ou melhores condições de vida fora de seu país. A instabilidade política e econômica na região impulsiona esses movimentos. O Chifre da África igualmente apresenta um cenário alarmante, com 922 mortes contabilizadas ao cruzar do Iêmen para os Estados do Golfo. Este número representa um aumento acentuado em comparação ao ano anterior. Quase todas as vítimas eram etíopes, muitos dos quais pereceram em três naufrágios em massa, sublinhando a fragilidade dessas travessias.
A OIM reforça a necessidade urgente de cooperação internacional para criar mecanismos de busca e resgate mais robustos e eficazes. Além disso, é fundamental expandir as opções de migração segura e legal, incluindo vistos humanitários e programas de reunificação familiar. Somente assim será possível reduzir as mortes em rotas migratórias e proteger a dignidade e a vida dos migrantes. A organização continua a apelar por um compromisso global com a proteção dos direitos humanos de todas as pessoas em movimento, reconhecendo que a migração é uma realidade e não pode ser simplesmente contida.
Perguntas Frequentes
O que é a OIM?
A OIM (Organização Internacional para as Migrações) é a principal organização intergovernamental no campo da migração. Ela trabalha em estreita colaboração com parceiros governamentais, intergovernamentais e não governamentais.
Quantas mortes em rotas migratórias foram registradas em 2025?
Em 2025, a OIM registrou 7.667 mortes e desaparecimentos em rotas migratórias. No entanto, a organização alerta que o número real pode ser significativamente maior.
Por que o número real de mortes pode ser maior que o registrado?
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