Banners Clicáveis

São Paulo sedia ato contra feminicídio após 1.518 vítimas em 2023

Evento na capital paulista homenageia Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio, e abre mês de ações em defesa das mulheres, com foco em prevenção e combate à violência de gênero.

Um ato contra feminicídio na Marginal Tietê, em São Paulo, neste domingo (1º), abre as mobilizações pelo Dia Internacional da Mulher. O evento homenageia Tainara Souza Santos, de 31 anos, morta após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro.

A iniciativa, organizada pelo Ministério das Mulheres, acontece no local onde Tainara foi brutalmente agredida. Em 29 de novembro do ano passado, ela foi atropelada por Douglas Alves da Silva e arrastada por mais de um quilômetro, vindo a falecer na véspera do Natal devido à violência que mutilou suas pernas. Douglas Alves da Silva encontra-se preso e responde pelo crime de feminicídio.

O anúncio da manifestação foi feito pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministra”, do Canal Gov. A ministra ressaltou que o ato transcende a memória de Tainara, estendendo-se como um tributo a todas as mulheres vítimas de violência no Brasil. A mobilização visa iniciar o mês de março com um forte apelo à solidariedade e à conscientização.

Márcia Lopes enfatizou a necessidade de união entre parlamentares, prefeitos, governadores, o sistema de Justiça, a sociedade civil e a mídia para enfrentar o desafio do feminicídio, que persiste como um problema imenso no Brasil e no mundo. A programação do evento inclui intervenções artísticas de grafiteiras em muros de edifícios da região, como os dos Correios e da prefeitura, para perpetuar a memória de Tainara. Além disso, haverá a instalação de um mastro com mensagens de repúdio ao feminicídio e um trio elétrico acompanhará o trajeto, contando com a presença da família da vítima e de diversos movimentos sociais.

Pacto Nacional e Prevenção ao Feminicídio

A ministra das Mulheres destacou o avanço do Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, informando que 19 estados já aderiram à iniciativa federal. A ministra planeja visitar as localidades que ainda não firmaram compromisso com o pacto ao longo do mês de março. Este acordo busca integrar e padronizar as políticas públicas entre a União, estados e municípios, focando na prevenção do feminicídio, que é definido como o assassinato de uma mulher por discriminação ou menosprezo à sua condição feminina.

Márcia Lopes reforçou a urgência de uma integração séria para a implantação de um Sistema Nacional de Política para as Mulheres no Brasil. Isso envolve o funcionamento efetivo de órgãos gestores e conselhos, além da criação de uma rede de serviços amplamente conhecida pela população. A ministra pontuou que muitas mulheres deixam de denunciar a violência por descrença, desconfiança ou medo de perseguição, e por isso é crucial garantir a formação, o engajamento e o profissionalismo das polícias e de todos os profissionais envolvidos no acolhimento e proteção das vítimas. Em 2023, o Brasil registrou um número recorde de 1.518 vítimas de feminicídios, o que representa uma média de quatro mortes por dia. Esse cenário alarmante sublinha a importância de cada ato contra feminicídio e de todas as iniciativas de combate à violência.

Educação e Combate à Violência de Gênero

No âmbito educacional, a ministra antecipou que o projeto “Maria da Penha vai à escola” será regulamentado em março pelo Ministério da Educação (MEC). A iniciativa tem como objetivo primordial educar estudantes e profissionais sobre a prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher. A meta é ensinar a meninas e meninos o que é igualdade de gênero, contribuindo para a construção de uma sociedade equitativa. A ministra defende que tal medida impedirá a banalização, naturalização ou normalização da inferiorização e desvalorização das mulheres.

Durante a entrevista, Márcia Lopes também repudiou veementemente as declarações do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, contra a árbitra Daiane Muniz, que atuou na partida das quartas de final do Campeonato Paulista. A ministra classificou o episódio como mais um caso de violência de gênero, marcado por absoluto desprezo e machismo inadmissível. Ela frisou que as mulheres já comprovaram sua capacidade em qualquer cargo, seja no setor público ou privado, e não precisam mais provar nada.

Com a perspectiva da Copa do Mundo Feminina no Brasil em 2027, Márcia Lopes afirmou que o ministério está reforçando a parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), atletas e instituições organizadoras. O objetivo é assegurar que o evento seja um marco de mobilização e respeito às mulheres no esporte, reafirmando que “o esporte não pode ser crime, tem que ser para uma vida saudável”.

Desafios no Combate ao Ato Contra Feminicídio

O combate ao feminicídio exige uma abordagem multifacetada e contínua. Cada ato contra feminicídio serve como um lembrete da urgência de políticas eficazes e da conscientização social. A implementação de um Sistema Nacional de Política para as Mulheres, conforme proposto pela ministra, é fundamental para padronizar e fortalecer as ações em todo o território nacional. Isso inclui desde a formação de profissionais de segurança e justiça até a criação de canais de denúncia seguros e acessíveis.

A desconfiança das vítimas em relação à eficácia das denúncias e o medo de represálias são barreiras significativas que precisam ser superadas. Para isso, é imprescindível investir na capacitação de todos os agentes públicos que lidam com a violência de gênero, garantindo um atendimento humano, sigiloso e eficiente. A persistência dos altos índices de feminicídio, como os 1.518 casos registrados em 2023, reforça que a luta por uma sociedade mais justa e segura para as mulheres é uma responsabilidade coletiva e permanente.

Perguntas Frequentes

O que motivou o ato na Marginal Tietê?

O ato é em memória de Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio, e marca o início das mobilizações pelo Dia Internacional da Mulher, com o objetivo de conscientizar sobre a violência de gênero no Brasil.

Quais são as principais iniciativas do Ministério das Mulheres para combater o feminicídio?

As principais iniciativas incluem o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, que busca integrar políticas entre a União, estados e municípios, e o projeto “Maria da Penha vai à escola”, focado na educação preventiva.

Quantos casos de feminicídio foram registrados no Brasil em 2023?

Em 2023, o Brasil registrou um número recorde de 1.518 vítimas de feminicídio, o que equivale a uma média de quatro mortes de mulheres por dia.


25 de fevereiro de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo