Líderes africanos defendem soberania e integração contra terrorismo
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Líderes africanos defendem soberania e integração contra terrorismo

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Líderes africanos reafirmaram a soberania e a integração entre os países do continente como pilares essenciais para a busca da paz, estabilidade e segurança. A declaração foi feita durante o 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, realizado em Dacar, capital do Senegal, nos dias 20 e 21 de novembro. A iniciativa visa superar desafios urgentes, especialmente a crescente ameaça terrorista e os conflitos armados.

O encontro, promovido anualmente pelo governo senegalês desde 2014, reuniu chefes de Estado, representantes de organismos internacionais e renomados especialistas. Nesta edição, 38 nações, incluindo 18 países africanos e parceiros como o Brasil, representado pela embaixadora Daniella Xavier, participaram dos debates. A agenda do fórum se concentrou no tema “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”.

Na sessão de abertura, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, destacou o complexo cenário global. Ele mencionou fraturas comerciais entre grandes potências, o aumento do protecionismo econômico e os severos impactos das mudanças climáticas. “O nosso continente, longe de estar protegido, sofre os efeitos de todas essas crises e ainda precisa enfrentar múltiplas ameaças, como conflitos armados e o terrorismo”, afirmou Faye, ressaltando a vulnerabilidade da África.

A Urgência da Soberania Africana

Em um discurso direcionado a uma plateia que incluía representantes de antigas potências coloniais – como Alemanha, Espanha, Portugal e França –, o presidente Bassirou Diomaye Faye enfatizou a necessidade inegociável da soberania africana. Sua fala ecoou um sentimento crescente de autonomia no continente, marcando um ponto crucial na busca por soluções internas e autênticas.

“Não podemos mais aceitar que nossa agenda de segurança seja definida fora da África, nem que nosso espaço estratégico seja ocupado sem nosso consentimento”, sustentou o líder senegalês. A declaração sublinha a rejeição a intervenções externas e a exigência de que as decisões sobre o futuro do continente sejam tomadas pelos próprios africanos. A soberania, conforme pontuado por Faye, estende-se crucialmente à exploração dos recursos naturais. Ele citou exemplos como o urânio, o petróleo e o gás, recentemente descobertos no Senegal, como elementos-chave para o desenvolvimento.

O presidente Faye defendeu um novo modelo de gestão desses recursos: “Esses recursos não devem mais alimentar apenas indústrias estrangeiras. Extrair em nosso território, transformar em nosso território e vender a preços justos. Esse é o motor da nossa transformação estrutural”. Esta visão representa um chamado à industrialização local e à garantia de que os lucros beneficiem diretamente as populações africanas, impulsionando a economia e gerando empregos.

O Epicentro do Terrorismo: A Crise no Sahel

Uma parte significativa do discurso de Bassirou Diomaye Faye foi dedicada à escalada do terrorismo na região do Sahel. Esta vasta faixa continental, que se estende do Oceano Atlântico ao Mar Vermelho, serve como uma zona de transição entre o deserto do Saara ao norte e as savanas ao sul. O Sahel tornou-se, lamentavelmente, o epicentro global do terrorismo, conforme dados recentes.

Desde meados da década de 2010, grupos terroristas com ligações ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda têm expandido agressivamente suas operações. Inicialmente concentrados em áreas específicas, esses grupos agora avançam em direção aos países do Golfo da Guiné, na costa ocidental africana, ameaçando a estabilidade de uma região ainda mais ampla.

O Índice de Terrorismo Global, em sua edição de 2026 (publicado pelo Instituto para Economia e Paz), revela dados alarmantes. O relatório indica que o Sahel foi responsável por mais da metade de todas as mortes causadas por terrorismo em 2025. A região compreende dez países:

* Senegal
* Gâmbia
* Mauritânia
* Guiné
* Mali
* Burkina Faso
* Níger
* Chade
* Camarões
* Nigéria

Entre esses, Mali, Burkina Faso e Níger, localizados no Sahel central, são os mais afetados. Nas últimas duas décadas, essas três nações registraram aproximadamente 4,5 mil atentados, que resultaram em cerca de 17 mil mortes, conforme o mesmo estudo. Além da violência extremista, esses países enfrentam profunda instabilidade política, com cada um tendo experienciado pelo menos um golpe militar na última década, o que agrava a vulnerabilidade e a capacidade de resposta.

Estratégias Integradas para a Segurança e o Desenvolvimento

Especialistas e líderes no Fórum de Dacar apontam que a fragmentação e a falta de coordenação na segurança das fronteiras são estratégias exploradas pelos grupos jihadistas. O presidente senegalês destacou que, embora a soberania interna seja fundamental, a ameaça transnacional do terrorismo exige uma resposta multidimensional e colaborativa.

“Não pode haver um perigo de segurança no Mali que não diga respeito ao Senegal, ou vice-versa. É por isso que uma resposta puramente endógena [interna] de um país contra o terrorismo não seria eficaz”, exemplificou Faye, sublinhando a interconexão das ameaças. Para enfrentar o terrorismo de forma eficaz, ele propôs uma abordagem que combina:

* Resposta militar robusta: Ações coordenadas e bem equipadas para confrontar os grupos armados.
* Controle eficaz de fronteiras: Medidas rigorosas para impedir a movimentação de terroristas, armas e recursos ilícitos.
* Troca de informações e operações conjuntas: Colaboração entre as forças de defesa e segurança dos países do Sahel e da região.

Além das estratégias de segurança, o fórum também abordou a importância de investimentos direcionados à população jovem. A criação de oportunidades econômicas e educacionais é vista como uma forma de combater o recrutamento por grupos extremistas, oferecendo alternativas e esperança para as novas gerações. A presença do presidente de Serra Leoa, Julius Manda, entre outros líderes, reforça a amplitude do compromisso regional com esses temas. A integração, portanto, não se limita apenas à segurança, mas abrange o desenvolvimento social e econômico como pilares para a construção de um futuro pacífico e próspero na África.

Perguntas Frequentes

Qual o principal objetivo do Fórum Internacional de Dacar?

O principal objetivo é discutir e propor soluções para os desafios da paz, estabilidade e segurança na África, com foco na soberania e integração do continente.

Quais são os países mais afetados pelo terrorismo no Sahel, segundo o Índice de Terrorismo Global?

Mali, Burkina Faso e Níger são os países mais afetados, somando um grande número de atentados e mortes nas últimas duas décadas.

Por que a soberania é considerada crucial pelos líderes africanos?

A soberania é vista como crucial para que os países africanos possam definir sua própria agenda de segurança e controlar a exploração de seus recursos naturais, garantindo que os benefícios permaneçam no continente.


21 de abril de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: FÓRUM INTERNACIONAL DE DACAR|Fonte da Informação ↗

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