Governo da Bahia e MST firmam acordos por desenvolvimento rural
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Governo da Bahia e MST firmam acordos por desenvolvimento rural

Redação 5 min de leitura Bahia

O governo da Bahia e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) concluíram uma série de diálogos que resultaram em acordos significativos para a reforma agrária e o desenvolvimento rural no estado. As negociações ocorreram após uma marcha de mais de 2 mil trabalhadores, que percorreu 120 quilômetros até Salvador.

A mobilização, parte da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, consolidou uma agenda de escuta ativa e construção conjunta de soluções. Entre os principais avanços, destacam-se investimentos em mecanização agrícola, a distribuição de insumos e a aceleração de processos de titulação de terras, garantindo segurança jurídica a milhares de famílias assentadas. A Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) teve papel central nas articulações.

Avanços e Investimentos para o Campo

Os debates entre representantes do governo estadual e lideranças do MST focaram em pautas essenciais para a agricultura familiar. O acesso à terra, o incentivo à produção e a ampliação de políticas públicas foram os eixos centrais das discussões. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), os encaminhamentos concretos incluem um aporte de mais de R$ 4 milhões em equipamentos para a mecanização agrícola. Essa iniciativa visa modernizar as atividades no campo, aumentar a produtividade e melhorar as condições de trabalho para os agricultores.

Além do investimento em maquinário, a SDR também se comprometeu com a distribuição de mudas e sementes. Essa medida é crucial para o fortalecimento da produção local, a diversificação das culturas e a garantia da segurança alimentar. A titulação de terras, um dos pilares da luta do MST, registrou avanços nos processos, prometendo mais dignidade e estabilidade para as famílias que vivem nos assentamentos e acampamentos. A regularização fundiária é vista como um passo fundamental para que os agricultores possam acessar linhas de crédito e programas de apoio governamental.

Elisabete Costa, titular da SDR, destacou a intensidade e a seriedade das negociações. “Essa semana nós recepcionamos a marcha aqui, na Secretaria de Desenvolvimento Rural, e desde quarta não paramos, negociando a pauta, conversando com as demais secretarias e o gabinete do governador. O que a gente quer é construir com consciência, com responsabilidade. E não é um movimento vazio, é algo pensado, estruturado”, afirmou Costa, ressaltando o compromisso do governo com as demandas do campo.

Reconhecimento e Conquistas do Movimento

Evanildo Costa, da Coordenação Nacional do MST na Bahia, expressou satisfação com os resultados obtidos. Ele enfatizou que pontos históricos, que antes pareciam insolúveis, encontraram soluções por meio do diálogo com o governo. “Estamos voltando para casa satisfeitos porque pontos históricos, que a gente não conseguia resolver, o Governo conseguiu achar a solução”, celebrou. Entre as conquistas, Evanildo mencionou melhorias na infraestrutura das comunidades, como estradas e a instalação de sistemas de água em poços que estavam abertos, mas sem uso.

A disponibilização de tratores, diversos equipamentos agrícolas, forrageiras e carros-pipa pela SDR e pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) foi outro ponto de comemoração. Além disso, Evanildo Costa apontou as “redes produtivas” como uma grande vitória para 2026, com o objetivo de auxiliar na industrialização e empacotamento dos produtos dos assentamentos, agregando valor à produção e impulsionando a economia local. A capacidade de processar e embalar os próprios produtos representa um salto qualitativo para a autonomia e sustentabilidade das comunidades rurais.

Marcha Histórica e Memória do Massacre de Carajás

A mobilização do MST teve início em 8 de abril, partindo de Feira de Santana e culminando em Salvador após um percurso de mais de 120 quilômetros. Esta jornada não se limitou a apresentar reivindicações atuais, mas também serviu como um poderoso ato de memória e denúncia. Em 2024, a marcha marcou os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido no Pará, um dos episódios mais trágicos da luta pela reforma agrária no Brasil.

O massacre, que resultou na morte de 21 trabalhadores sem-terra em 17 de abril de 1996, simboliza a urgência da democratização do acesso à terra e a persistência da impunidade. Abrão Brito, da Regional Chapada Diamantina do MST, sublinhou o caráter dual da marcha. “É o encontro do interior com a nossa capital para denunciar a impunidade do massacre de Eldorado dos Carajás, que já completa 30 anos. O MST continua lutando, pedindo refúgio e, ao mesmo tempo, pautando a reforma agrária para que o nosso acampamento, o nosso assentamento, seja instrumento de luta, mas, sobretudo, de produção”, destacou.

A luta por justiça e pela reforma agrária são pilares históricos do MST, que busca não apenas o acesso à terra, mas também a sua produtividade e a garantia de condições dignas de vida para as famílias camponesas. A SDR reafirmou o seu compromisso com a promoção de políticas públicas estruturantes para o meio rural, fortalecendo a agricultura familiar e mantendo o diálogo permanente com os movimentos sociais, entendendo-o como uma ferramenta essencial para a construção de um campo mais justo, equitativo e produtivo na Bahia.

Perguntas Frequentes

Quais foram os principais acordos firmados entre o governo da Bahia e o MST?

Os principais acordos incluem o investimento de mais de R$ 4 milhões em mecanização agrícola, a distribuição de mudas e sementes para a produção, e o avanço nos processos de titulação de terras, além de melhorias em infraestrutura como estradas e sistemas de água.

Qual a importância da titulação de terras para as famílias assentadas?

A titulação de terras garante segurança jurídica às famílias assentadas, permitindo-lhes o acesso a programas de financiamento, crédito rural e outras políticas públicas que contribuem para a sustentabilidade e desenvolvimento da agricultura familiar.

Por que a marcha do MST em 2024 teve um significado histórico especial?

A marcha de 2024 marcou os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, reforçando a memória da luta pela reforma agrária e a importância da democratização do acesso à terra no Brasil, além de pautar as demandas atuais do movimento.


18 de abril de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
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