A Polícia Federal (PF) prendeu 13 pessoas em quatro fases da Operação Compliance Zero, que investiga crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes entre os bancos Master e BRB, com bens bloqueados em R$ 27,7 bilhões. A mais recente etapa resultou na detenção do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro.
As prisões mais recentes ocorreram nesta quinta-feira (16), em caráter preventivo. O ex-dirigente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, apontado como articulador jurídico-financeiro do esquema, foram detidos. Monteiro é supostamente ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que já está sob custódia desde o início de março deste ano.
Desdobramentos da Operação
As duas detenções mais recentes, autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), somam-se a outras 12 execuções de mandados nas fases anteriores da Compliance Zero. Daniel Vorcaro, por exemplo, foi preso em duas ocasiões: a primeira em novembro de 2025, durante a etapa inicial da operação, e a segunda no início de março deste ano, na terceira fase. Isso explica o número total de pessoas presas ser menor que o de mandados cumpridos.
Além das prisões, a Polícia Federal e o Ministério Público (MP) solicitaram à Justiça o sequestro e o bloqueio de bens patrimoniais dos investigados. O valor total determinado para esse bloqueio atinge a cifra expressiva de R$ 27,7 bilhões. A Justiça também ordenou o afastamento de investigados que ocupavam cargos públicos, visando garantir a lisura das apurações. O diretor-executivo da PF, William Murad, destacou a complexidade da investigação, frisando que “temos uma operação extremamente complexa, com fases e fatos distintos”. Essa declaração foi feita durante a divulgação do balanço das quatro primeiras fases da Compliance Zero.
Alcance e Impacto das Investigações
A Operação Compliance Zero, que se estende por seis unidades federativas – Bahia (BA), Distrito Federal (DF), Minas Gerais (MG), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Sul (RS) e São Paulo (SP) – cumpriu um total de 96 mandados de busca e apreensão. Esse amplo alcance geográfico demonstra a dimensão do suposto esquema criminoso, que envolveu negociações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
A investigação teve início mais de um ano antes da deflagração da primeira fase, em 18 de novembro de 2025. O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à PF a apuração de vendas de títulos de créditos supostamente fraudulentos ou inexistentes do Banco Master para o BRB. Na etapa inicial, além das prisões de Vorcaro e outros executivos do Master, a Justiça Federal determinou o afastamento temporário, por 60 dias, do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro do banco público, Dario Oswaldo Garcia.
Entenda a Cronologia das Ações
O diretor-executivo da PF, William Murad, explicou que os desdobramentos da operação são resultado direto dos indícios obtidos nas fases anteriores. “A partir desta fase, tivemos diversos desdobramentos”, comentou Murad, referindo-se à primeira etapa. Ele detalhou que o foco inicial da Operação Compliance Zero era primordialmente as fraudes atribuídas ao Banco Master. No entanto, a fase mais recente, desta quinta-feira, direcionou a atenção para o lado do BRB, investigando a “corrupção dos gestores do banco [distrital] e todo o esquema de lavagem de dinheiro”.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Cesar Lima, comentou sobre a relevância da Operação Compliance Zero. Ele afirmou que essa ação é “apenas uma das ações que se inscreverá no rol de iniciativas de combate ao crime organizado que o governo federal deve adotar com mais ênfase nos próximos dias”. Essa declaração sublinha o compromisso do governo federal em intensificar o combate a atividades ilícitas, especialmente no setor financeiro. A complexidade dos crimes investigados, que incluem fraudes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, exige uma resposta coordenada e multifacetada das autoridades, como demonstrado pela amplitude e profundidade desta operação. A transparência e a integridade do sistema financeiro nacional são pilares essenciais para a estabilidade econômica e a confiança dos investidores e cidadãos.
Perguntas Frequentes
O que é a Operação Compliance Zero?
É uma investigação da Polícia Federal que apura crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo fraudes e lavagem de dinheiro, em negociações entre os bancos Master e BRB.
Quantas pessoas foram presas até agora?
Até o momento, 13 pessoas foram presas no âmbito das quatro fases da Operação Compliance Zero.
Qual o valor total de bens bloqueados na operação?
A Justiça determinou o sequestro ou bloqueio de bens patrimoniais dos suspeitos até o limite de R$ 27,7 bilhões.