Bahia sedia debates globais sobre resiliência costeira e
Bahia

Bahia sedia debates globais sobre resiliência costeira e

5 min de leitura Bahia

Nesta terça-feira (14), Salvador se tornou epicentro de debates globais sobre resiliência costeira e cooperação científica oceânica. A capital baiana sediou dois importantes encontros internacionais, reunindo especialistas e autoridades para discutir o futuro dos ecossistemas marinhos e litorâneos.

A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) da Bahia participou ativamente do encontro da Rede All-Atlantic Network of Coastal Resilience Beacon Sites, um fórum internacional dedicado ao fortalecimento da cooperação, à produção de conhecimento científico e ao desenvolvimento de soluções conjuntas para enfrentar os desafios das zonas costeiras. O evento, que congrega representantes de diversas nações, sublinha a crescente preocupação global com a sustentabilidade e a capacidade de adaptação dos litorais frente às mudanças climáticas e à ação humana.

Cooperação e Estratégias para Litorais Resilientes

O principal objetivo da Rede Beacon Site Network é fomentar a colaboração entre as esferas de pesquisa e gestão costeira, promovendo uma atuação integrada entre diferentes territórios. A iniciativa busca facilitar um intercâmbio contínuo de experiências, conhecimentos e boas práticas entre formuladores de políticas, cientistas e comunidades locais. Este tipo de cooperação é fundamental para que as estratégias de resiliência possam ser adaptadas e aplicadas em contextos diversos, respeitando as particularidades de cada região.

Tiago Porto, diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, ressaltou o valor inestimável da zona costeira baiana, considerada um patrimônio estadual. Ele destacou que este território abrange aproximadamente 90 mil hectares de manguezais e 14 mil hectares de recifes de corais, o que representa cerca de 60% do total de recifes no Brasil. Além disso, a região abriga uma extensa rede de áreas protegidas, com particular relevância para a Baía de Todos-os-Santos e o Arquipélago de Abrolhos, ecossistemas de biodiversidade singular e importância ecológica global.

Contudo, o litoral baiano enfrenta desafios significativos. Porto apontou a erosão costeira, os impactos do turismo desordenado, a insuficiência de saneamento básico e a proliferação de espécies exóticas invasoras como problemas que já afetam municípios como Salvador, Ilhéus, Itaparica e Cairu. Para combater esse cenário, o Estado da Bahia tem implementado uma série de estratégias baseadas em três pilares: a proteção dos ecossistemas costeiros, o aprimoramento da governança e da adaptação climática, e o fortalecimento das comunidades locais e da cultura oceânica.

A oceanógrafa Sabrina Palma enfatizou a relevância do evento, que possui grande potencial para gerar resultados concretos. Segundo a especialista, a expectativa é que o encontro contribua decisivamente para o estreitamento de parcerias e para a criação de soluções inovadoras especificamente para a Bahia. A programação, que incluiu desde conversas informais e painéis com especialistas até um hackathon focado na temática, demonstrou a diversidade de abordagens para engajar diferentes perspectivas na busca por soluções.

O Papel da Bahia no Cenário Global de Pesquisa Oceânica

Simultaneamente ao debate sobre resiliência costeira, a Sema também sediou a 25ª Assembleia Geral do AIR Centre (Atlantic International Research Centre). O encontro, realizado em formato híbrido, reuniu representantes de diversas nações, consolidando a Bahia como um polo estratégico para a ciência e tecnologia voltadas ao Oceano Atlântico. O AIR Centre é reconhecido como uma rede internacional de colaboração científica dedicada à promoção da pesquisa, tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável do Atlântico.

As atividades do centro concentram-se em áreas estratégicas cruciais, como ciências oceânicas, clima, dados e tecnologias espaciais. O foco principal é a busca por soluções para desafios globais prementes, como as mudanças climáticas e a urgente conservação dos ecossistemas marinhos. A Bahia, por meio da Sema, integra a Assembleia Geral do AIR Centre desde sua fundação em 2019, participando ativamente das discussões e iniciativas que visam à cooperação internacional e ao fomento da economia azul, um modelo de desenvolvimento sustentável que valoriza os recursos marinhos.

A abrangência do AIR Centre é notável, com dezesseis estados ou regiões cooperando por meio de suas iniciativas até março de 2025. Entre os membros estão Portugal, Açores, Espanha, Nigéria, Reino Unido, Cabo Verde, Bahia (Brasil), África do Sul, Marrocos, Angola, Colômbia, França, Guatemala, Peru, São Tomé e Príncipe e Madeira. Essa diversidade de participantes reflete a complexidade e a interconexão dos desafios enfrentados pelo Oceano Atlântico, que exige uma abordagem multidisciplinar e transnacional para sua proteção e uso sustentável.

A participação ativa da Bahia nesses fóruns internacionais não apenas eleva o perfil do estado no cenário global, mas também permite o acesso a conhecimentos e tecnologias de ponta, essenciais para a proteção de sua vasta e rica costa. A integração em redes como a Beacon Sites e o AIR Centre é um passo fundamental para transformar a pesquisa científica em políticas públicas eficazes e ações concretas que garantam a sustentabilidade ambiental e o bem-estar das comunidades costeiras.

Perguntas Frequentes

O que é a Rede All-Atlantic Network of Coastal Resilience Beacon Sites?

É um encontro internacional que reúne especialistas e representantes de diversos países para fortalecer a cooperação, impulsionar a pesquisa científica e desenvolver soluções conjuntas para a resiliência das zonas costeiras.

Quais são os principais desafios da zona costeira da Bahia?

Os principais desafios incluem erosão costeira, impactos do turismo, deficiência de saneamento básico e a presença de espécies exóticas invasoras, que afetam municípios como Salvador, Ilhéus, Itaparé e Cairu.

Qual o papel da Bahia no AIR Centre?

A Bahia, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), é membro fundador do AIR Centre desde 2019, participando ativamente das discussões e iniciativas para promover a ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável do Oceano Atlântico e a economia azul.


15 de abril de 2026|Fonte: SECOM GOV BA|Foto: s: Matheus Lemos- Ascom/Sema|Fonte da Informação ↗

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *