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Presidente do Irã afirma: povo não nutre inimizade com EUA

Redação 5 min de leitura Ultimas Noticias

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, enviou nesta quarta-feira (1º) uma carta ao povo dos Estados Unidos, publicada no X, onde afirma que o país persa não nutre inimizade contra nações, mas critica as políticas e intervenções americanas. O longo texto, redigido em inglês, se dirige a “aqueles que continuam a buscar a verdade”, buscando esclarecer a posição iraniana em meio a “distorções e narrativas fabricadas”, segundo o líder.

A comunicação de Pezeshkian busca traçar uma linha clara entre os governos e seus respectivos povos. Ele enfatiza que, na cultura iraniana, há uma distinção fundamental entre as ações governamentais e o sentimento popular, um princípio que não se limita a uma postura política momentânea. Essa perspectiva, de acordo com o presidente, serve para ressaltar que a nação iraniana não mantém hostilidade em relação aos cidadãos de outras nações, incluindo americanos, europeus ou vizinhos.

O líder iraniano remonta à história para fundamentar seu argumento. Ele aponta que o Irã, uma das civilizações contínuas mais antigas do mundo, nunca optou pelo caminho da agressão, expansão, colonialismo ou dominação, apesar de suas vantagens históricas e geográficas. Em contraste, Pezeshkian destaca a concentração de forças e bases militares dos Estados Unidos ao redor do Irã. Segundo ele, essa presença é vista como uma ameaça real, especialmente após “agressões americanas recentes lançadas a partir dessas mesmas bases”.

Críticas às Intervenções Estrangeiras

No texto, Pezeshkian argumenta que nenhum país, sob tais condições de cerco militar, deixaria de fortalecer suas capacidades defensivas. A resposta iraniana, portanto, é caracterizada como uma medida comedida de autodefesa, e não como uma iniciativa de guerra ou agressão. O presidente reitera que o Irã tem sido historicamente alvo de repetidas intervenções estrangeiras, o que moldou sua visão sobre a segurança nacional.

As relações entre Irã e EUA nem sempre foram hostis, conforme Pezeshkian. Ele relata que a deterioração começou quando os norte-americanos, com apoio do Reino Unido, articularam um golpe de Estado para derrubar o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh. Este evento, conhecido como Operação Ajax, ocorreu após o governo iraniano decidir nacionalizar os recursos petrolíferos do país, um marco na busca pela soberania econômica.

Histórico de Tensão e Sanções

O golpe de 1953, de acordo com a carta, desestruturou o processo democrático iraniano, restaurou uma ditadura e semeou uma profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA. Essa desconfiança, ainda segundo Pezeshkian, foi aprofundada pelo apoio americano ao regime do Xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra imposta nos anos 1980, a imposição das mais longas e abrangentes sanções da história moderna, e, por fim, agressões militares não provocadas contra o Irã em duas ocasiões, inclusive em meio a negociações.

Essas pressões, no entanto, falharam em enfraquecer o Irã, segundo o presidente. Ele afirma que o país se fortaleceu em diversas áreas após a Revolução Islâmica. A taxa de alfabetização triplicou, o ensino superior se expandiu significativamente, e avanços expressivos foram alcançados em tecnologia moderna. Além disso, os serviços de saúde melhoraram e a infraestrutura se desenvolveu em um ritmo e escala incomparáveis ao passado, realidades que, para Pezeshkian, existem independentemente de narrativas fabricadas.

Desenvolvimento Iraniano e Custos Humanos

Apesar dos avanços, o presidente não subestima o impacto destrutivo das sanções, da guerra e da agressão sobre a vida do “resiliente povo iraniano”. Ele observa que a continuidade da agressão militar e os bombardeios recentes afetam profundamente a vida, as atitudes e as perspectivas das pessoas. Essa realidade reflete uma verdade humana fundamental: quando a guerra inflige danos irreparáveis a vidas, lares, cidades e futuros, as pessoas não permanecem indiferentes aos responsáveis.

Pezeshkian questiona se os interesses do povo norte-americano estão sendo realmente atendidos por essa guerra. Ele indaga sobre a existência de uma ameaça objetiva por parte do Irã que justificasse tal comportamento. O massacre de crianças inocentes, a destruição de instalações farmacêuticas de tratamento contra o câncer, ou a vangloria de bombardear um país “de volta à idade da pedra” servem a algum propósito além de prejudicar ainda mais a posição global dos Estados Unidos, questiona o líder iraniano.

O presidente do Irã afirma que o país buscou negociações e cumpriu todos os seus compromissos. Ele considera a decisão dos EUA de se retirar de acordos, escalar rumo ao confronto e lançar atos de agressão em meio às negociações como escolhas destrutivas. Segundo ele, essas escolhas serviram “às ilusões de um agressor estrangeiro”. Atacar a infraestrutura vital do Irã, incluindo instalações energéticas e industriais, atinge diretamente o povo iraniano, reforça Pezeshkian.

O líder iraniano também questiona se os EUA não estão sendo manipulados por Israel na promoção deste conflito. Ele sugere que Israel, ao fabricar uma ameaça iraniana, busca desviar a atenção global de seus crimes contra os palestinos, e que é evidente que Israel agora busca uma narrativa para justificar suas ações.

Perguntas Frequentes

O que o presidente do Irã afirma na carta aos EUA?
O presidente Masoud Pezeshkian afirma que o povo iraniano não nutre inimizade contra outras nações, incluindo os EUA, mas critica as políticas e intervenções do governo americano.

Quais eventos históricos Pezeshkian menciona para justificar a desconfiança do Irã?
Ele cita o golpe de Estado de 1953 (Operação Ajax), o apoio dos EUA ao Xá e a Saddam Hussein, as sanções econômicas e agressões militares contra o Irã.

Qual a posição do Irã sobre a presença militar dos EUA na região?
Pezeshkian considera a concentração de forças e bases militares dos EUA ao redor do Irã como uma ameaça, classificando a resposta iraniana como uma medida de autodefesa.


1 de abril de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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