Um painel realizado na tarde de sexta-feira (27) em Salvador discutiu o fomento à ciência, inovação e tecnologia para o desenvolvimento do empreendedorismo nos municípios da Bahia. O evento aconteceu no Centro de Convenções Salvador, durante o terceiro dia do Salão Sebrae das Cidades Empreendedoras (SSCE). Representantes da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Senai Cimatec participaram do debate.
Marcius Gomes, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, abriu o painel destacando a função estratégica de sua pasta. Ele afirmou que a agenda de inovação, ciência e tecnologia é fundamental para o avanço do estado, considerando sua vasta dimensão territorial. Gomes ressaltou que o desenvolvimento da Bahia ocorre em seus diversos municípios, e não apenas na capital.
“A inovação não acontece somente na capital, ela acontece também nos pequenos municípios do estado”, disse o secretário. Ele enfatizou que o acesso à ciência, tecnologia e inovação deve ser universal. Todos devem ter a oportunidade de pensar o desenvolvimento econômico e social a partir dessas ferramentas. Marcius Gomes também mencionou o Sebrae como um parceiro essencial para fortalecer a economia local. “O Sebrae é um braço desse ecossistema que está nos municípios, com a infraestrutura e a possibilidade de desenvolver projetos”, complementou.
Fomento à Inovação para Cidades Empreendedoras
Cristina Damaceno, analista regional do Nordeste da Finep, apresentou o papel da entidade no financiamento à inovação no estado. Ela sublinhou a relevância da participação da Finep no SSCE, que reúne gestores municipais baianos, visto que a agência é a maior financiadora de inovação do Brasil. Damaceno explicou que a missão da Finep é transformar o país por meio da pesquisa científica e tecnológica.
A Finep, segundo a analista, tem direcionado atenção crescente para regiões historicamente menos favorecidas em termos de financiamento. Nordeste, Centro-Oeste e Norte, especialmente em territórios do interior, são prioritários para a agência. “Nesse sentido, temos promovido muitas políticas voltadas para o aumento tanto de crédito, empréstimo subsidiado, quanto de recursos de subvenção”, afirmou Cristina Damaceno.
A analista também alertou os gestores municipais que a inovação não se restringe a projetos disruptivos. “Inovar é criar conhecimento, com uma nova forma de caminhar, otimizando processos”, sintetizou. Ela reforçou que as oportunidades de financiamento oferecidas pela Finep nunca foram tão abundantes. Nos últimos três anos, a Bahia recebeu mais de R$ 1 bilhão em recursos de crédito ou subvenção econômica da agência.
Investimento e Oportunidades para o Desenvolvimento Local
Cristina Damaceno listou editais disponíveis no site da Finep, que oferecem recursos para as missões da Nova Indústria Brasil. Muitos desses editais são direcionados a projetos relacionados a cidades empreendedoras, economia circular, gestão de resíduos e mobilidade urbana, entre outras áreas. A disponibilidade de tais recursos representa uma janela de oportunidades para os municípios baianos.
O gerente de Negócios de Empreendedorismo e Inovação do Senai Cimatec, Vilson Alves, também participou do painel, reconhecendo a importância do evento para discutir o tema. Ele destacou que apoiar o empreendedorismo vai além de auxiliar na abertura de um CNPJ. “É preciso ter competitividade e isso se obtém com inovação, ciência e tecnologia”, declarou.
Alves explicou que o Senai Cimatec foi criado em 2002 com a percepção de que a indústria e o setor produtivo do século XXI demandavam não apenas mão de obra, mas também inovação, pesquisa e desenvolvimento. “O Senai atualmente está muito mais voltado a ser um serviço nacional de apoio à inovação”, detalhou. A instituição opera de forma ampla, englobando educação profissional, ensino superior, pesquisa, desenvolvimento e serviços tecnológicos.
O Papel Estratégico do Senai Cimatec
O Senai Cimatec possui uma das maiores carteiras de projetos do país, somando quase R$ 2 bilhões, distribuídos em 94 unidades em todo o território nacional. Suas ações acontecem em colaboração com outros centros de pesquisa, redes estaduais, ambientes acadêmicos e agências de fomento. Essa rede de parcerias é crucial para o sucesso dos projetos.
Vilson Alves concluiu que existem inúmeras fontes de fomento, e navegar nesse cenário sozinho pode ser complexo para um empreendedor. “Nós o auxiliamos a buscar o projeto de pesquisa e direcionamos como ele pode financiar aquele projeto e obter os melhores resultados no negócio”, finalizou. A iniciativa demonstra o compromisso das instituições em apoiar o ecossistema de inovação e empreendedorismo na Bahia.
A discussão no Salão Sebrae das Cidades Empreendedoras reforça a colaboração entre governo, instituições de fomento e entidades de apoio para impulsionar o crescimento econômico e social nos municípios baianos. A integração entre ciência, tecnologia e inovação é vista como um pilar fundamental para o futuro do estado, gerando novas oportunidades e soluções para os desafios locais.
Perguntas Frequentes
O que foi discutido no painel em Salvador?
O painel abordou o fomento à ciência, tecnologia e inovação como ferramentas para impulsionar o empreendedorismo e o desenvolvimento nos municípios da Bahia.
Quais instituições participaram do debate?
Participaram do debate representantes da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Senai Cimatec.
Qual o valor de investimento da Finep na Bahia nos últimos anos?
A Finep destinou mais de R$ 1 bilhão em recursos de crédito ou subvenção econômica para projetos de inovação na Bahia nos últimos três anos.