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Exportações do Brasil aos EUA caem 14%; China ganha força

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 04/06/2026 às 04:36
Wilson Dias/Agência Brasil
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 04 de junho de 2026, às 04:36

As exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreram queda de 14% em maio, totalizando US$ 3,09 bilhões, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A retração marca a continuidade de um movimento influenciado por tarifas e um novo panorama comercial global.

Recuo nas Exportações para os EUA e o Legado das Tarifas

As exportações brasileiras para os Estados Unidos têm apresentado um cenário de recuo desde agosto do ano passado. Este período coincide com o início da vigência das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, que buscavam proteger a indústria americana e criaram barreiras para produtos estrangeiros. O impacto dessas medidas se traduziu em um aumento dos custos para exportadores brasileiros, afetando a competitividade de seus produtos no mercado estadunidense.

Apesar da queda, o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, pondera que os números ainda não permitem concluir que houve uma mudança estrutural duradoura na relação comercial entre os dois países. “É cedo para falar de mudança estrutural. Fluxos no comércio exterior levam tempo para se adaptar, depende muito da composição da pauta”, afirmou Brandão. Ele explicou que bens sob encomenda podem sofrer um choque maior, enquanto commodities e alimentos tendem a ser mais resilientes.

A pauta de exportação brasileira para os Estados Unidos inclui petróleo, celulose, combustível, carne e café, produtos que, em grande parte, se enquadram na categoria de commodities. Brandão ressaltou que o ritmo de redução das exportações para os Estados Unidos tem diminuído nos últimos meses, indicando uma possível estabilização. A maior queda foi registrada em outubro, com 35%, e a retração veio se arrefecendo:

Janeiro: -26%
Fevereiro: -20%
Março: -10%
Abril: -10%
Maio: -14%

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic detalham a perda de força no comércio bilateral em maio e no acumulado do ano.

Comércio Brasil-EUA em maio:
– Exportações para os EUA: US$ 3,09 bilhões (-14%)
– Importações dos EUA: US$ 3,21 bilhões (-11%)
– Déficit comercial em maio: US$ 121 milhões

Comércio Brasil-EUA acumulado de janeiro a maio:
– Exportações: US$ 14,01 bilhões (-16%)
– Importações: US$ 15,48 bilhões (-12,6%)
– Déficit comercial: US$ 1,47 bilhão

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também recuou de forma significativa, passando de 12% em maio do ano anterior para 9,7% em maio deste ano, evidenciando uma reconfiguração nos principais destinos dos produtos brasileiros.

A Ascensão da China como Principal Parceiro Comercial do Brasil

Enquanto os embarques para os Estados Unidos diminuíram, a China ampliou sua presença de forma notável, consolidando-se como o principal destino das exportações brasileiras. A demanda chinesa por commodities e outros produtos brasileiros tem sido um motor fundamental para a balança comercial do país. Este movimento reflete uma tendência global de fortalecimento das relações comerciais com o gigante asiático.

Em maio, as vendas para o país asiático apresentaram um crescimento robusto de 9,5%, atingindo a marca de US$ 10,5 bilhões. As importações da China também avançaram consideravelmente, com um aumento de 24,2%, totalizando US$ 6,8 bilhões. O resultado dessa dinâmica gerou um superávit comercial substancial de US$ 3,7 bilhões para o Brasil no mês.

Comércio Brasil-China acumulado de janeiro a maio:
– Exportações: US$ 43,26 bilhões (+21,8%)
– Importações: US$ 30,76 bilhões (+4,1%)
– Superávit: US$ 15,5 bilhões

A participação chinesa na pauta exportadora brasileira continuou a crescer, passando de 32,1% para 32,9% no período acumulado. Esta expansão sublinha a crescente dependência do Brasil do mercado chinês e a importância estratégica dessa parceria para a economia nacional, tanto na exportação de matérias-primas quanto na importação de bens manufaturados.

Análise Setorial e o Comércio de Petróleo e Combustíveis

Além das mudanças nos parceiros comerciais, a composição da pauta de exportações também revela dinâmicas importantes. Herlon Brandão atribuiu ao conflito no Oriente Médio o forte avanço das exportações de combustíveis derivados de petróleo pela indústria de transformação. Os choques de oferta provocados pela guerra elevaram os preços internacionais, impulsionando o valor exportado pelo Brasil.

Em maio, as exportações de óleos combustíveis registraram um crescimento de 75,2% em volume e um aumento de 49,8% no valor exportado. Este setor tem se beneficiado diretamente da volatilidade e da alta nos preços do mercado global de energia. No entanto, o cenário para o petróleo bruto foi diferente.

As exportações de petróleo bruto registraram queda de 9,3% em valor e retração de 42,1% no volume embarcado em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado. De acordo com o diretor do Mdic, este movimento é pontual e não está relacionado ao imposto de exportação criado pelo governo para o produto. Ele enfatizou a competitividade do Brasil no setor.

“O Brasil é muito competitivo. A questão do imposto de exportação não vai impactar a oferta brasileira para o exterior, ainda mais em um cenário de preços elevados”, afirmou Brandão. Ele garantiu que as empresas continuam produzindo petróleo e os investimentos seguem ocorrendo, citando como exemplo a entrada em operação de uma nova plataforma de produção de petróleo em fevereiro deste ano.

Cenário Global e o Superávit Comercial Brasileiro

No panorama geral do comércio exterior, o Brasil acumulou um superávit comercial robusto nos cinco primeiros meses de 2026, alcançando US$ 32,662 bilhões. Este valor representa um crescimento significativo em comparação com os US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, demonstrando a resiliência e a capacidade de adaptação do comércio brasileiro frente aos desafios globais.

O resultado positivo foi impulsionado principalmente pelo aumento das exportações para a China, que continua a ser um mercado voraz para os produtos brasileiros, e pelo desempenho favorável de produtos ligados ao setor de energia e commodities. O cenário de preços elevados para bens primários com cotação internacional beneficiou a balança comercial do país, compensando em parte a retração nas vendas para os Estados Unidos. Este superávit robusto contribui para a estabilidade econômica e fortalece a posição do Brasil no cenário internacional.

Perguntas Frequentes

Qual foi a queda nas exportações brasileiras para os Estados Unidos em maio?
As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram uma queda de 14% em maio, atingindo US$ 3,09 bilhões. No acumulado de janeiro a maio, a retração foi de 16%, com o volume de vendas totalizando US$ 14,01 bilhões. Este declínio é observado desde a imposição de tarifas pelo governo de Donald Trump.

Como a China se posiciona no comércio exterior brasileiro em contraste com os EUA?
Enquanto as vendas para os EUA recuaram, a China ampliou sua presença, tornando-se o principal destino das exportações brasileiras. Em maio, as exportações para o país asiático cresceram 9,5%, chegando a US$ 10,5 bilhões, consolidando sua participação de 32,9% na pauta exportadora brasileira.

O que Herlon Brandão, do Mdic, diz sobre a relação comercial Brasil-EUA e o impacto das tarifas?
Herlon Brandão, diretor do Mdic, afirma que é cedo para concluir uma mudança estrutural na relação comercial Brasil-EUA, pois fluxos levam tempo para se adaptar. Ele destaca que o ritmo de redução das exportações para os EUA tem diminuído nos últimos meses, sugerindo que a situação pode ser pontual e não um sinal de alteração permanente.


4 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Wilson Dias/Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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