PEC da Segurança Pública: Boulos defende união contra crime organizado
Ministro da Secretaria-Geral destaca que proposta enviada ao Congresso é crucial para atuação da PF e outras instituições no combate a ilícitos em todo o país.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reiterou a imperatividade da PEC da Segurança Pública como uma ferramenta legislativa central para o enfrentamento robusto do crime organizado no Brasil. A declaração, proferida durante a estreia do programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), sublinha a visão governamental de que a atual estrutura constitucional impõe desafios à atuação federal contra organizações criminosas que operam sem fronteiras estaduais. A proposta, enviada ao Congresso Nacional em abril do ano passado (2023), visa capacitar a Polícia Federal e demais forças de segurança pública para combaterem o crime em escala nacional, ultrapassando os limites que hoje são atribuição exclusiva dos estados. A urgência da PEC da Segurança Pública é defendida como estratégica para uma resposta mais eficaz e coordenada.
A Abrangência Nacional da PEC da Segurança Pública e Limites Atuais
A proposta de PEC da Segurança Pública surge em um contexto onde a natureza transnacional do crime organizado exige uma revisão das competências investigativas e operacionais das forças de segurança. Boulos argumenta que as polícias civis estaduais, por mais eficientes que sejam, enfrentam uma barreira territorial que o crime organizado não reconhece. A expansão das atribuições da Polícia Federal para atuar em todo o território nacional, independentemente das fronteiras estaduais, é um pilar fundamental da PEC da Segurança Pública.
> “Se o crime organizado é nacional, como é que a Polícia Civil de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou da Bahia vai ter condições de fazer o combate no Brasil todo? Vai fazer no seu território”, questionou o ministro, enfatizando a necessidade de uma legislação que contemple a dimensão do problema.
Esta flexibilização das atribuições, segundo o governo, é essencial para que as instituições de segurança pública federais possam investigar e reprimir atividades criminosas complexas, como o tráfico de drogas, armas e a lavagem de dinheiro, que se ramificam por diversas unidades da federação e frequentemente possuem conexões internacionais. A PEC da Segurança Pública visa, portanto, aprimorar a capacidade de resposta do Estado brasileiro a essa ameaça crescente, garantindo uma atuação mais coesa e estratégica.
Cooperação Internacional e a Crítica à Visão Geopolítica na Segurança Pública
Além da reestruturação interna, a PEC da Segurança Pública é vista como um catalisador para uma cooperação internacional mais efetiva, especialmente com os Estados Unidos. A expectativa é que a proposta possa fortalecer a posição do Brasil em discussões futuras, como a conversa agendada para março entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Boulos, no entanto, expressou ressalvas quanto às motivações por trás de certas ofertas de ajuda externa.
> “A preocupação do Trump não é com o crime organizado. Ele quer fazer da América Latina um quintal”, destacou o ministro, sublinhando a importância de se discernir entre a genuína colaboração e interesses geopolíticos.
A defesa do ministro é que a cooperação externa deve começar pela investigação e extradição de criminosos que se refugiam em outros países, citando explicitamente o caso de um empresário envolvido em um esquema de sonegação fiscal de aproximadamente R$ 26 bilhões, ligado à Refinaria de Manguinhos (grupo Refit). Embora não tenha sido citado nominalmente no programa, a referência é ao empresário Ricardo Magro. A expectativa é que o interesse dos Estados Unidos na região, se não for por riquezas naturais, se traduza em ações concretas de combate ao crime transnacional, começando pela deportação de investigados. A efetividade da PEC da Segurança Pública também reside em sua capacidade de legitimar pedidos de extradição e cooperação jurídica internacional.
Transparência Governamental e Fortalecimento de Órgãos de Controle Interno
O governo federal tem demonstrado empenho na investigação de crimes no Brasil, inclusive quando envolvem indivíduos indicados pela própria administração. O fortalecimento da Controladoria-Geral da União (CGU) é um exemplo concreto dessa postura, que visa assegurar a integridade e a confiança pública. Para Boulos, é crucial esclarecer que a apuração de casos, como as fraudes no INSS envolvendo descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, não poupa indicados políticos, mesmo que os esquemas tenham tido início antes da atual gestão (em 2020). Essa postura reforça a credibilidade e a autoridade do governo na promoção de um ambiente de maior integridade e transparência, elementos cruciais para o sucesso da PEC da Segurança Pública.
* Medidas de Fortalecimento da Integridade Pública no Âmbito Governamental:
* Reforço das capacidades investigativas e de fiscalização da Controladoria-Geral da União (CGU).
* Apuração imparcial de fraudes e irregularidades, independentemente do período de início ou das vinculações políticas dos envolvidos.
* Compromisso contínuo com a transparência na gestão pública para coibir práticas ilícitas.
O Debate Democrático sobre Segurança e o Papel do Supremo Tribunal Federal
Boulos defendeu um debate saudável sobre a segurança pública no Brasil, pautado pela transparência e respeito incondicional às instituições, e não pela deslegitimação. Ele fez questão de recordar o papel fundamental do Supremo Tribunal Federal (STF) na manutenção da democracia brasileira, mesmo diante de críticas legítimas, como as relacionadas à condução do Banco Master ou a ministros específicos, como Dias Toffoli.
> “Ninguém está acima da crítica, nenhuma instituição está acima da crítica. Agora uma coisa é você poder criticar – como criticar o Toffoli no caso do Master, ou qualquer outro. Isso é parte de uma democracia saudável. Outra coisa é você querer fechar o Supremo ou fazer plano para matar um ministro do Supremo”, diferenciou o ministro, estabelecendo um limite claro entre a crítica construtiva e o ataque à ordem democrática.
A discussão sobre a PEC da Segurança Pública deve, portanto, ocorrer dentro desses parâmetros de respeito e busca por soluções, evitando retóricas que possam minar a confiança nas instituições essenciais do país e comprometer a estabilidade democrática.
* Princípios Essenciais para o Debate sobre Segurança Pública no Brasil:
* Compromisso inegociável com a transparência em todas as esferas.
* Respeito irrestrito às instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal.
* Distinção clara entre a crítica construtiva e atos antidemocráticos que visam desestabilizar o Estado.
Perspectivas e o Impacto da PEC da Segurança Pública no Cenário Nacional
A proposição da PEC da Segurança Pública reflete uma articulação governamental para reforçar a infraestrutura legal e operacional contra o crime organizado, um dos desafios mais complexos da atualidade brasileira. A efetivação desta emenda constitucional, que Boulos considera ter condições de aprovação no Congresso, poderá redefinir o mapa da segurança pública no país, conferindo maior poder de ação a órgãos federais e fomentando uma cooperação internacional mais estratégica e alinhada aos interesses nacionais. A discussão transcende a esfera meramente policial, adentrando o campo da soberania, da integridade das instituições e da capacidade do Estado de proteger seus cidadãos de ameaças que não se restringem a limites geográficos ou jurisdicionais. O futuro da PEC da Segurança Pública no parlamento será um termômetro da prioridade que o legislativo confere a este tema central para a estabilidade e o desenvolvimento do Brasil.



